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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Portadora de deficiência visual leva esperança a outros com mesmo problema

A visão começou a abandonar os olhos de Nayara Magalhães dos Santos muito cedo. Era difícil decifrar o que diziam os livros escolares. A menina ampliava os textos e as figuras, tentava ir além da própria capacidade — o que se tornou um hábito —, mas a cabeça só doía. E nada de o mundo parecer mais fácil de desvendar. Apesar de ter nascido com uma doença grave, a retinose pigmentar progressiva (veja Para saber mais), a menina de cabelos e olhos claros foi criada para ser otimista. Nunca acreditou que perderia totalmente a visão.

Não aprendeu o braille, sistema de leitura por meio de pontos, quando era criança. A família, superprotetora, preferia acreditar que não seria necessário. Mas foi. Aos 18 anos, Nayara teve uma perda brusca na habilidade de enxergar. “Os médicos acreditam que a minha visão piorou depois que minha mãe adoeceu e ficou muito tempo no hospital. Pode ter sido o nervoso, o baque emocional”, explicou a jovem. “Não me preparei para isso porque meus pais acharam que o melhor para mim seria esconder esse problema. Eles não queriam aceitar a verdade, que teriam uma filha com uma deficiência em um mundo não adaptado”, completou.

Hoje, Nayara tem entre 15% e 20% da capacidade de ver, durante o dia. Ao anoitecer, cai para 10%. Mas a falta do sentido não a impede de ir longe. À época da piora, Nayara se preparava para o vestibular. Sonhava em cursar serviço social na Universidade de Brasília (UnB). “Estudei a vida toda em escola pública e todo mundo sabe que assim fica mais difícil. Eu não tinha acesso a nada que facilitasse a minha situação como deficiente visual”, afirmou.

Mesmo diante do problema, Nayara matriculou-se em um cursinho preparatório para o vestibular. Gravava todas as aulas, enquanto uma amiga ajudava e lia os textos para ela. E assim Nayara estudou mais de 10 horas por dia, durante um ano. Passou na segunda tentativa. “Escolhi o serviço social porque é o curso que mais trata de políticas sociais. O profissional dessa área defende um grupo vulnerável, as minorias. O primeiro auxílio que as pessoas procuram é o de um médico. A maioria deles trata a deficiência visual apenas com uma doença e não leva em consideração o social. A assistente atua justamente nesse setor”, justificou.

Mudança
Nayara conheceu um mundo diferente. Estava habituada a uma vida de isolamento: “Sofri muito bullying na escola. Tinha que me sentar sempre muito perto do quadro, às vezes tropeçava nas coisas, batia a cabeça. Aprendi a me afastar dos outros para me defender”. Na universidade, a jovem encontrou amigos, alunos como ela ou professores. Conheceu o Programa de Apoio aos Portadores de Necessidades Especiais (PPNE). Nele, a estudante tinha direito a três tutores. Eles eram alunos bolsistas que a ajudavam durante a aula e nas provas.

“Quando percebi que muitas pessoas acreditavam em mim, me vi capaz de qualquer coisa”, lembrou. Quase quatro anos depois de ingressar na UnB, Nayara deu início ao trabalho de conclusão de curso, a monografia. O tema não poderia ser outro: o acesso dos portadores de necessidades especiais ao nível superior. “Escolhi pesquisar porque há tão poucos deficientes nas universidades. É um problema que vem do ensino básico, passa pelo médio e leva a uma barreira no momento de ingressar na faculdade.” Nayara encontrou pouca bibliografia. Contou com a ajuda de computadores com leitores de tela.

Dificuldades
O trabalho trata das falhas na acessibilidade dentro da UnB. “Faltam calçadas adaptadas, tudo é muito longe. Sempre esquecem um orelhão no meio do caminho, um buraco no meio da rua. A cidade toda é assim e a universidade não é diferente”, apontou. Mas o foco da pesquisa de Nayara é mais polêmico que a questão da mobilidade. A monografia leva o título Sistema de cotas para deficientes, uma alternativa viável.

“Percebi que a quantidade de deficientes só diminuía na UnB. De acordo com pesquisas, 26 mil deficientes concluíram o segundo grau no último ano. A demanda pelo ensino superior existe. Só há 48 deficientes na UnB inteira. Desses, somente 15 têm algum problema como surdez ou na visão. Os outros sofrem de dislexia, etc.”, constatou. Nayara entrevistou os professores do PPNE e os alunos especiais. “Na minha hipótese, achei que não iam concordar com o sistema de cotas. Mas me surpreendi. Apenas um deles se colocou contra.”

Na conclusão, pela própria experiência de vida e pelo que viu na UnB, Nayara optou por defender a reserva de vagas no vestibular para portadores de necessidades especiais. “Seria uma política de equiparação de oportunidades. Algo paliativo e não permanente. Quando a universidade conseguisse atrair esse público, não seria mais necessário”, argumentou.

“Essa medida teria de ser articulada com uma política de mudança no sistema educacional inteiro, desde o ensino básico. Deveria também ser acompanhada de uma política de permanência dentro do ensino superior, como o oferecimento de bolsas de pesquisa especiais”, acrescentou. Ganhou nota máxima, o SS. Agora busca meios de divulgar suas ideias e contribuir efetivamente com a sociedade.

Nayara não deixa de surpreender. Este mês, assumiu o cargo de assistente social na Secretaria de Justiça. Foi a única que passou no concurso para essa atividade específica. Agora, acompanha jovens que cumprem medida de liberdade assistida. Vai, inclusive, visitar a casa deles e orientar as famílias para que os adolescentes não voltem a cometer crimes. “Para poder levar uma vida normal, é preciso aceitar-se. Depois, tentar ser independente, o máximo possível. E, principalmente, agarrar todas as oportunidades”, ensinou. Quem olha para Nayara não reconhece a limitação de imediato. Vê apenas uma jovem de traços suaves, maquiada com delicadeza, usando luzes no cabelo e unhas pintadas de rosa-claro. Na tarde de ontem, ela se exibia, esbelta, em um vestido verde, da cor da esperança.

Leilane Menezes
Correiobraziliense.com.br

Menino que ficou cego ganhou concurso de redação na escola

Prematuro, Pedro Henrique teve retinopatia e aos poucos foi perdendo a visão. Aos 12 anos, a cegueira total. Ainda assim, é um vitorioso. Ele também coleciona medalhas de natação.

Ele nasceu com 49cm e pesava 1,2kg. A mãe, que aos três meses sofreu um descolamento de placenta, teria uma gravidez de altíssimo risco. No sexto mês, começou a sangrar. E não deu mais para esperar. Uma cesariana foi feita às pressas. E nasceu o menino, que logo teve que ir para a incubadora. Ficou ali por 180 dias. Precisou de oxigênio para se manter vivo. Saiu do hospital, em Rondonópolis, no Mato Grosso.

A vida seguiu. A mãe, moça que contava 20 anos à época, criou o segundo e último filho com toda a dedicação que uma criança prematura requer. Levou-o a todas as consultas. Acompanhou cada alteração. E comemorou os pequenos progressos. Aos nove meses, em mais uma visita de rotina ao médico do posto de saúde, algo estranho aconteceu. O pediatra percebeu que o bebê tinha estrabismo.

O médico recomendou à mãe que levasse o filho a um oftalmologista. Com um ano e seis meses de vida, o menino começou a usar tampão nos dois olhos, alternando no direito e no esquerdo. A mãe fez tudo como o especialista determinou. “Um dia, coloquei um brinquedo no chão e percebi que ele não via, não pegava”, lembra a auxiliar de serviços gerais Cristiane Cruz da Silva, hoje com 36 anos.

Mais consultas médicas. O que era apenas um severo estrabismo logo recebeu outro nome. Pedro Henrique Cruz Araújo tinha retinopatia da prematuridade, alteração no crescimento da retina. Assim, cada vez enxergando menos, Pedro Henrique cresceu.

Aos seis anos, não quis mais ir à escola. Nem brincar com os amigos. Nessa idade, o menino teve sua primeira grande tristeza. “Eu só via as cores, mas não conseguia enxergar o rosto das pessoas, os detalhes. Eu passei a reconhecer pela voz”, ele lembra.

Era preciso fazer alguma coisa urgente. E só havia uma cirurgia. Onde fazer? Como fazer? Cristiane precisava chegar a Campinas (SP) com o filho. Uma verdadeira campanha de solidariedade foi realizada. “De rifa a pedágio, tudo fizemos. Foram quase dois anos de luta”, ela conta. Conseguiu arrecadar a quantia para chegar a Campinas, em busca de um especialista.

Em São Paulo, os médicos acharam melhor que Pedro Henrique fosse submetido a uma cirurgia no Instituto da Visão, em Belo Horizonte (MG). Era 2003. Quatro procedimentos cirúrgicos — dois em cada olho — foram realizados. Pedro Henrique contava 8 anos. “Eu fiquei muito feliz. Passei a ver os carros na rua”, ele conta.

A felicidade de ver a vida e as cores foi logo interrompida. “Ele sofreu uma rejeição do silicone que cola a retina no olho direito, o que provocou o descolamento total”, explica a mãe. Em seguida, houve a mesma coisa com o olho esquerdo. Ele voltou a ter apenas 10% da visão.

Mudança de vida
Veio, novamente, a tristeza. Era como se o mundo estivesse desabado. Em 2005, a mãe decidiu que em Brasília o filho teria mais chance de ser aceito. Alguém lhe disse, ainda em Rondonópolis, que aqui havia escolas preparadas para educar crianças que mal ou nada enxergavam.

A mulher que sempre limpou e cuidou de casas alheias catou o pouco que tinha e desembarcou em Brasília. Já que não poderia mais fazê-lo enxergar, pelo menos que tivesse dignidade com o que restava. “Só vim por ele”, conta. Foram morar numa colônia agrícola no Riacho Fundo, onde uma irmã dela já vivia.

Pedro Henrique logo foi matriculado numa escola pública local. “Mas os professores de lá não estão preparados para receber alunos com deficiência”, diz o garoto, hoje um adolescente de 15 anos. Os colegas, segundo a mãe, também não foram orientados para conviver com alguém que não era igual a eles. Pedro Henrique chorou pela segunda vez na vida. Na pré-adolescência, mergulhou na depressão. E na solidão.

Mais uma vez, a mãe correu para ajudar o filho. Soube que no Guará I havia uma escola inclusiva, o Centro de Ensino Fundamental 4. E que lá duas professoras da Sala de Recursos faziam um trabalho comovente sobre preconceito e discriminação. Lá nessa sala, 80 alunos com os mais diferentes tipos de necessidades convivem com outros, tidos como “normais”, isentos de “defeitos” — visíveis ou não. Todos se misturam e todos se ajudam.

Cristiane bateu à porta daquela escola. Foi atendida pela professora Idalene André, 46 anos. A mulher simplória contou o drama do seu filho. Idalene ouviu aquela mulher como poucos haviam escutado. E lhe disse que arrumaria, sim, uma vaga para o filho dela. No mesmo dia, Cristiane voltou à antiga escola. Pegou a transferência de Pedro Henrique e o matriculou no Guará I. Era 2007. Em 2008, o menino perdeu o pouco que ainda enxergava. Veio a escuridão total.

Pedro Henrique chegou aoCEF 4 do Guará 1 na 6ª série. Estimulado pelos professores do curso regular e da Sala de Recursos e ajudado pelos colegas que estavam prontos para recebê-lo, o garoto logo se desenvolveu. Participou de concursos de redação desenvolvido pela Secretaria de Educação. Levou o segundo lugar, escrevendo sobre meio ambiente.

"Queria ver o rosto da minha mãe de novo. Hoje eu enxergo usando os outros sentidos"
Pedro Henrique Cruz Araújo, estudante, 15 anos

Herói na piscina
E ainda na escola, encontrou o esporte pela frente. Apaixonou-se pela natação. E virou um recordista. Até agora, colecionou 17 medalhas. “Nove de ouro, quatro de prata e quatro de bronze. Já competi até em São Paulo”, ele conta, danado de orgulhoso. “Mudar de escola mudou a vida do meu filho. Nem acordar às 4h da manhã pra pegar o ônibus às 5h e chegar com ele aqui às 6h30 me desanima”, diz a mãe, em lágrimas.

Eliane Lopes, 41 anos, também professora da Sala de Recursos, comenta: “Ele é mais um exemplo de vida, inclusão e desafio”. E pergunta: “Afinal, quem é diferente?” Idalene emenda: “A diferença está na alma”. Pedro Henrique apenas ouve. “Hoje eu vejo de outras formas”, ele diz. A mãe ainda limpa as lágrimas que caem dos olhos.

Além das aulas regulares no CEF 4 do Guará, Pedro Henrique frequenta o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), na 612 Sul. Lá, ele aprendeu a escrever em braile e tem noções de orientação e mobilidade, algo de que mais precisam os cegos. É o que lhe permite, por exemplo, andar com sua bengala e tornar-se, cada dia, mais independente no mundo não feito para pessoas “imperfeitas”.

Durante a entrevista na Sala de Recursos, Sônia Guedes, 56 anos, professora de matemática de Pedro Henrique, entra. Afastada da escola por causa de um câncer de mama — ela faz as últimas sessões de radioterapia — e usando um lenço que lhe cobre a cabeça sem cabelos, a mulher que luta pela vida olha para o aluno e diz: “Ele é um exemplo de superação. Nunca se deixou vencer. Caía e levantava”. O garoto abraça a professora dos números. Ela promete: “Eu venho para a sua formatura, no fim do ano”. Ele diz que sim.

Na semana em que as escolas da rede pública chamam para a importância da inclusão, dos direitos e da valorização do aluno que não é igual à maioria, a história de Pedro Henrique soa como um bálsamo. A mãe largou tudo em Rondonópolis para que o filho fosse aceito como deveria ser. Acorda às 4h manhã. Anda meia hora para chegar ao ponto de ônibus. Às 5h, embarca. Deixa o filho na escola e vai limpar escritórios alheios. Isso de segunda a sexta. E nunca se cansa.

No meio do caminho, Pedro Henrique encontrou duas professoras que acreditaram que ele podia. O garoto venceu concurso de redação, tornou-se medalhista de natação. Quer ir cada dia mais longe, mesmo de bengalas. Pergunto do que ele tem saudade quando enxergava. “De ver o rosto da minha mãe”, responde. Mas logo se anima: “Hoje eu enxergo usando os outros sentidos”. E foi assim, descobrindo outros rumos, que ele se reinventou. E quem se reinventa acaba renascendo. Pedro Henrique nasceu quando veio a escuridão.

Marcelo Abreu
Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Escola celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência

Música, alegria e muita interação. Foi nesse ritmo animado que os estudantes da Escola Classe 5 do Guará comemoraram, nesta terça-feira (21/9), o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência, compartilhando experiências com a comunidade, pais e professores. Durante o dia, mais de 500 crianças que estudam na escola assistiram apresentações de artistas locais portadores de limitações física e intelectual, além poder acompanhar exposição de artesanato, aulas interativas sobre inclusão e massoterapia realizada por deficientes visuais. Desses, 25 são alunos especiais, inseridos no ensino regular.

Para a coordenadora do encontro, a psicopedagoga Cristiane Bueno, o sucesso do evento está na reação de cada aluno presente, alegres com as brincadeiras e encontros. “É importante que eles aprendam desde cedo que valorizar o próximo é fundamental, uma questão de respeito e amor. Mais uma vez temos a oportunidade de reforçar que todos somos diferentes e especiais, independentemente das limitações física e intelectual que tenhamos.” Para ela, a interação proporcionada serve para mostrar aos alunos e à sociedade que os portadores de deficiência têm dificuldades e habilidades como todos os outros cidadãos.

Letícia tem 7 anos e convive com alunos portadores de deficiência na Escola Classe 5. Sempre com muito carinho e igualdade, conceitos ensinados pelos professores da escola. Para a mãe, Lidiane Helena de Lima, 35 anos, incentivar no ambiente escolar o valor do respeito vai construir os conceitos básicos de humanidade na vida da filha e das demais crianças. “Acho ótima a iniciativa. É uma troca de experiências importante para os jovens e uma interação para aqueles que nem sempre tem seu espaço reconhecido”, afirma.

Gustavo Machado, 11 anos, é aluno do 4º ano do ensino fundamental e estava animado com o encontro. Quieto e sereno, se divertiu com as mímicas do comediante surdo Waldimar Carvalho – todas realizadas em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Quando questionado sobre a importância desse tipo de debate, o pequeno Gustavo deu a lição: “Acho que todos deveriam aceitar aqueles que são diferentes. Não importa quem é cego, surdo e ou não anda direito. Todos nós somos especiais”, afirma o menino. Gustavo nasceu com Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo. Desde que foi inserido ao ensino regular da Escola Classe 5, é reconhecido pelo esforço e pela evolução do quadro. “Ele está cada dia mais atento e se dedica aos estudos, além de ser respeitado pelos colegas de sala”, comenta Cristiane Bueno.

Superação e interação
Gilma de Freitas Carvalho faz bolsas, cachecóis e chapéus em tricô. Cheias de cores, as peças da habilidosa artesã foram apresentadas em um pequeno estande durante o evento para as crianças do Guará. Cega desde os 24 anos, quando sofreu um acidente de carro, Gilma conta sua história e afirma que ser deficiente não é nem nunca foi um obstáculo em sua vida. “Todos nós temos que aprender – ou reaprender, como foi meu caso – a viver de forma diferente. Os planos mudam, mas a vida continua para nos guiar”, afirma otimista.

A artesã, que tem apenas 2% da visão do olho direito, afirma que desde criança conviveu com uma prima portadora de deficiência e que isso a fez enxergar a cegueira de forma diferente. “Se minha prima, que nasceu com paralisia infantil, deu conta de levar uma vida saudável e feliz, por que eu não poderia? A nossa visão sobre o mundo muda completamente. Da mesma forma, essas crianças que hoje têm a oportunidade de conviver com deficientes de perto ganham a chance de ver o mundo com outros olhos. Com olhos de otimismo e igualdade.”

A banda da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF), composta por seis músicos portadores de deficiência mental, se apresentou na abertura do evento. Leonardo Bleggi, professor de música do grupo, acredita que a oportunidade é importante também para os participantes se sintam inseridos na sociedade. “A maioria dos assistidos pelos projetos da Apae é uma população adulta, entre 30 e 60 anos. Nem sempre eles conseguem oportunidades de trabalho. Momentos como esses são fundamentais para que saiam da rotina e se sintam valorizados”, afirma Leonardo. “Aqui eles não são deficientes que precisam ser tratados com pena. São verdadeiros artistas, recebidos com carinho pelas crianças.”

Rayanne Portugal
Correiobraziliense.com.br

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Francês, sem braços e pernas, atravessa Canal da Mancha em 13h

Com ajuda de próteses especiais, Phillipe Croizon completou a travessia.

O francês Philllipe Croizon, que não tem pernas nem braço, atravessou o Canal da Mancha, que separa a Grã-Bretanha da França, em pouco mais de 13h. Ele, que contou com a ajuda de próteses especiais, esperava completar o percurso em 24h.

- Estou muito feliz - disse o nadador, que atuava como metalúrgico quando, em 1994, teve que amputar braços e pernas após ter sofrido uma eletrocussão quando instalava uma antena de televisão.

Folha.com.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Deficientes visuais descobrem pelo tato como são os animais expostos

As crianças, em meio a animais empalhados do Museu de Taxidermia, puderam tocá-los: sensações nunca antes experimentadas ajudam a formar uma imagem visual Passear pelo Zoológico de Brasília nunca foi tão divertido para um grupo de crianças deficientes visuais. Ontem pela manhã, 16 meninos e meninas entre quatro e 11 anos do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais enfrentaram mais uma prova de coragem. Mesmo com as limitações visuais, eles arriscaram passar a mão em animais como girafas, tartarugas e até em serpentes vivas. Tudo foi feito com a supervisão de monitores experientes do zoo. O Museu de Taxidermia, onde 420 animais estão empalhados, foi o último espaço por onde as crianças passaram e experimentaram emoções nunca antes vividas. No local, os pequenos tocaram uma onça, um jacaré, um lobo-guará e um papagaio, entre outros espécies.

Wesley Lima Dias, 7 anos, era um dos mais animados. Um dia antes da visita, ele demonstrou empolgação, mas na hora de tocar nos bichos ficou receoso. O medo, entretanto, durou poucos minutos: Wesley resolveu se soltar e segurar firmemente um jacaré empalhado. Depois de perceber que ele não podia lhe fazer mal nenhum, o menino não hesitou em passar os dedos entre os dentes afiados do réptil. Wesley perdeu a visão aos cinco anos, por causa de um tumor maligno originário de células da retina chamado retinoblastoma. Morador de Águas Lindas de Goiás, ontem foi a primeira vez que Wesley esteve em um zoológico. Para sua mãe, a dona de casa Ivaneide Batista Dias, 33, a experiência não poderia ser melhor. “Ele estava muito ansioso para pegar na onça, mas quando chegou aqui (no zoológico), ficou com muito medo. Mesmo assim, pegou nela”, contou Ivaneide.

Para o monitor Matheus Reino, 22 anos, o toque nos animais permite a formação de imagens no cérebro das crianças. “Muitos sabem o que é um gato ou um cachorro porque estão sempre convivendo com eles em casa, mas a girafa só dá para saber que é grande. Não dá para tocar”, comparou. “O deficiente visual, quando toca algo, passa do abstrato para o concreto. Passa a ter uma imagem real em sua cabeça”, explicou a professora de atividades do colégio, Cláudia Maria Rodrigues de Souza.

Outra criança que estava sorridente era a pequena Sara de Oliveira Ferreira, 6 anos. Ela contou as patas do lobo-guará. “Um, dois, três, quatro”, enumerou, enquanto tocava cada membro do animal. Adriel de Azevedo, 5 anos, e Gustavo Cotrim de Assis, 4, não desperdiçaram nenhum momento ao lado da onça. Posaram para fotos e acariciaram o felino empalhado da cabeça aos pés. “Ele é peludo”, resumiu Adriel, timidamente. “Queria levar um desses para mim”, disparou outro coleguinha que acariciava um papagaio. Segundo a coordenadora de educação infantil do centro de ensino especial, o passeio teve cunho pedagógico e social. “Para eles é muito importante tocar no animal para poder formar uma imagem visual. Até então, tudo era abstrato. Foi um aprendizado muito grande, com certeza”, destacou.

Projeto ToqueA visitação de adultos e crianças portadores de necessidades especiais ao Zoológico de Brasília ocorre todos os meses. São grupos de 50 a 100 pessoas que circulam livremente pelo espaço onde podem ser vistos animais de várias espécies. O Museu de Taxidermia surgiu há seis anos com o Projeto Toque, elaborado pela direção do zoológico para atender o público deficiente visual. “A gente leva a pessoa para áreas onde o visitante comum não tem acesso. O museu permite transmitir algumas informações sobre animais silvestres a quem tem alguma dificuldade visual”, explicou o diretor do zoológico, Raul Gonzales.

Segundo ele, várias experiências positivas foram verificadas ao longo do projeto. “Eu já fui testemunha de um deficiente visual que pediu para desenhar um tamanduá-bandeira sem tocar no animal. O desenho saiu sem sentido algum. Depois de tocar o tamanduá, ele pediu para desenhar de novo e a imagem saiu completamente diferente da primeira”, contou Gonzales.
Para melhorar ainda mais as condições de visitação, até o fim deste mês, o zoológico ganhará dois grandes mapas em Braille para ajudar a orientar os deficientes visuais. Cada um, ao custo de R$ 1 mil, foi feito de resina por uma empresa especializada de Brasília. Por meio do tato, os deficientes visuais poderão saber onde estão todos os bichos. Um desses mapas ficará logo na entrada e outro, no meio do parque.

Mara Puljiz
Correiobraziliense.com.br

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Arte de superar os limites virou a melhor obra das vidas de dois artistas

Uma pintora com paralisia cerebral e um músico que não enxerga abrem hoje, no Senado Federal, uma exposição comovente.

Uma moça que nunca andou, fala com dificuldade extrema e tem comprometimento de todo o aparelho locomotor. Um homem cuja última lembrança na vida foi a de ter visto o jaleco branco do médico que o operou. Ele contava 8 anos. Está com 53. A professora de artes que um dia conheceu esse homem, depois essa moça. Uma mãe que, ao saber que a filha tinha paralisia cerebral, demorou três dias para ter coragem e perguntar à médica o que aquilo queria dizer para o resto da vida. E uma produtora cultural que viu toda essa história e escreveu um projeto. E o projeto virou arte. Juntou pintura e música. A melhor de todas.

História danada de boa essa. A moça que não anda e vive cheia de limitações é uma pintora. Das melhores. O homem que não enxerga é compositor, arranjador e instrumentista. No violão, ninguém o detém. A professora de artes que um dia conheceu ambos virou curadora. A mãe que não sabia o que fazer com aquela sentença nunca mais perguntou por que aquilo havia acontecido com sua filha. A produtora cultural é autora de um projeto de sucesso, há um ano e meio correndo estrada.

E hoje, às 15h, no Salão Branco do Senado Federal, a pintora de sorriso encantador e o tímido músico mineiro estarão juntos, inaugurando a exposição Arte superando barreiras. Kátia Santana mostrará 11 pinturas abstratas, em acrílico sobre tela. Evaldo Leoni cantará músicas de própria autoria e de compositores consagrados da Música Popular Brasileira. Enquanto Evaldo estiver cantando, Kátia pintará mais uma obra.

Ivana Andrés, 59 anos, a professora de artes, que há sete anos acreditou que essa moça poderia pintar de verdade, vai estar ao lado da aluna. Simone Senra, 41, a produtora cultural, verá seu projeto, mais uma vez, ganhando espaço e elogios rasgados do público. E Izabel Nedina, 48, cabeleireira, a mãe, certamente chorará em algum canto daquele salão do Senado Federal. E toda lágrima que derramar não terá sido em vão.

Na tarde de ontem, o Correio foi ao encontro de Kátia e Evaldo, que haviam acabado de desembarcar de Belo Horizonte (MG), onde moram. Ela, aos 29 anos, é pura alegria. A primeira vez em Brasília. Ele, aos 53, é mineirinho de tudo: fala baixo e tem no violão o melhor confidente. Ela, de cabelos pintados de loiro, com uma borboleta tatuada no ombro esquerdo e piercing discreto no nariz, diz, num esforço sobre-humano: “É com a arte que expresso a minha alegria e minha tristeza”. Ele, sentadinho, com o violão no colo, declara, com sinceridade comovente: “A música é toda minha vida”.

Izabel olha para a filha, para os quadros da artista que começavam a ser colocados na exposição e reconhece: “Ela é o meu maior orgulho. Meu maior aprendizado”. Ivana, também pintora consagrada, filha da mestra Maria Helena Andrés, admite: “Para pintar, é preciso ter coragem. E Kátia não tem medo de perder um quadro e refazê-lo, transformá-lo”. Sobre a dificuldade motora da aluna em pegar o pincel, a professora é categórica: “O olho é mais importante que a mão”. Evaldo, que não enxerga, usa as mãos ágeis para fazer mágica com as cordas do seu violão. A pintora com paralisia cerebral e o músico que nada vê se completam. E se entendem nas suas diferenças.

Renascimento
E esse encontro é tão comovente quanto a própria arte que brota das mãos de ambos. “Esse é um projeto de oportunidades. A inclusão é nossa. O preconceito é nosso. Esse foi um encontro de todos nós”, diz Simone, a produtora. O projeto Arte superando barreiras foi patrocinado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet). Teve também o apoio do jornal O Estado de Minas, pertencente aos Diários Associados, e de algumas empresas mineiras.

Durante um ano e meio, Kátia e Evaldo expuseram em Belo Horizonte, em Nova Lima (MG), em São Paulo, e agora chegaram a Brasília, para o encerramento do projeto que mudou a vida de ambos. “Ela ficou mais confiante, mais feliz”, percebe a mãe. Kátia escreveu, em seu computador adaptado: “Comecei a pintar há cerca de oito anos porque estava com depressão. Logo comecei a me sentir cada vez melhor e mais livre.... Penso que quando alguém desiste de sonhar desiste da vida”.

Evaldo, com o projeto, passou a apresentar semanalmente o programa A arte de superar barreiras, numa rádio comunitária de Belo Horizonte. No espaço, histórias de superação de pessoas com qualquer tipo de deficiência são abordadas. Ele canta e recita poesias — de vários autores e também dos convidados entrevistados. E nunca tocou tanto quanto agora no Voz e Poesia, grupo musical do qual faz parte.

A pintura de Kátia tem muita cor e luz. Tem magia. É alegre e convida, pelo abstrato, para uma viagem. A artista sabe exatamente quais os caminhos aonde pretende chegar. “Ela tem uma experiência autodidata. Às vezes, começa o quadro pelo meio. E, mesmo com toda limitação, é rápida. Pintou três telas grandes em menos de três horas”, exulta a professora de artes, embasbacada com sua primeira aluna tão especial.

A música de Evaldo tem cheiro das Minas Gerais. É suave, baixa e tem um quê de Clube da Esquina. O compositor é fã de carteirinha de Milton Nascimento e de toda aquela turma que se formou naquela época. Gosta do verso, da poesia dita com honestidade. E foi essa música, estudada à exaustão, que fez o menino que perdeu a visão aos 8 anos, em decorrência de um glaucoma avassalador, acreditar a que a escuridão não seria o fim. “Aconteceram tantas coisas boas na minha vida que não penso mais na cegueira”, diz o homem que se casou pela terceira vez e tem dois filhos, um deles também músico.

Acessibilidade
Sessão de fotos para a matéria. Kátia, sorrindo riso de felicidade, pergunta ao fotógrafo: “O Evaldo aparece também?”. Ela enxerga pra ele. Ele caminha pra ela. “Ela é linda, espetacular”, diz o músico. Ela ouve e ri. Ele não vê, mas sente. Ela fala, de novo fazendo um esforço danado para ser entendida: “Quando pinto, sinto que tô livre, fora da cadeira de rodas”.

E é no Senado Federal, lugar onde o país se reconhece, se espanta e de quando em vez ainda se enche de esperança, que a exposição terá seu desfecho. Mônica de Araújo Freitas, presidenta do Programa de Acessibilidade do Senado Inclusivo, elogia o trabalho da dupla.

Ela conta que a Casa, há seis anos, passou a tratar como prioridade o direito de ir e vir dos que têm limitações. “Fizemos reformas e adaptações estruturais, compramos equipamentos, temos intérprete de Libras e realizamos um censo para saber quantos funcionários são portadores de necessidades especiais. Todo ano, em dezembro, realizamos a Semana do Senado Inclusivo. Virou um sucesso, nosso compromisso.”

Kátia olha os quadros sendo colocados nos painéis. Dá palpite. Quer ver sua obra mais bonita. Sentadinho, Evaldo afina as cordas do seu instrumento. É hoje, daqui a pouco, a abertura da exposição da pintora e do músico. Pergunto a ela como está a emoção. Ela responde: “Tô muito feliz, o coração tá batendo cada vez mais forte”. Ele só quer fazer o que mais gosta: tocar, tocar e tocar. Em seu computador, Kátia escreve páginas do livro que vai lançar, Um sonho de vida: “Sou assim, livre. presa, triste, alegre, segura do que faço e firme nas decisões. Desejo aprender sempre mais e acreditar que tenho forças para continuar. Sinto a luz de Deus dentro de mim”. Não há mais o que perguntar. Deixa a música de Evaldo seguir.

Essa história é boa demais. Boa pra contar. Melhor ainda pra ver e ouvir. E sentir.

Marcelo Abreu
Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fundação Banco do Brasil lança cartilha sobre acessibilidade em estações digitais

A Fundação Banco do Brasil está lançando uma cartilha que trata da acessibilidade nas estações digitais para pessoas com deficiência auditiva e visual. A cartilha foi desenvolvida à luz da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos de pessoas com deficiência é voltado para dirigentes, gestores e educadores sociais. O objetivo do documento é contribuir para o processo de adequação arquitetônica e digital das estações digitais e para garantir melhor atendimento às pessoas com deficiência.

As estações digitais fazem parte do programa de inclusão digital da fundação e são implantadas nas comunidades que não têm acesso a essas tecnologias, em parceria com organizações do terceiro setor.

A inclusão de pessoas com deficiência foi, durante anos, uma preocupação restrita aos profissionais da área de educação com práticas pedagógicas direcionadas para o atendimento diferenciado. Nishi ressalta que, numa sociedade inclusiva, é importante que espaços públicos como bancos, hospitais, escolas e também as estações digitais tenham estrutura física, pessoal capacitado e programas de computadores e aplicativos adequados para atendimento desse público com deficiência física, visualou auditiva.

A cartilha está disponível para download no endereço: http://bit.ly/fbb-acessibilidade.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Sem braço, "serelepe" é chamada por seleção olímpica



Percebam um dos aspectos mais legais da reportagem: a convocação é para a seleção Olímpica (pois da Paraolímpica, ela já faz parte).

Bruna Costa Alexandre, 15, faz manobras radicais no skate. Vive andando de bicicleta. E não resiste quando os meninos a convidam para jogar futebol.

Graças à infância que passou brincando na rua, a atleta paraolímpica foi agora convocada para viajar com a seleção olímpica infantil de tênis de mesa, que disputa competições com atletas que têm os dois braços. Embarca hoje para o Peru, onde, a partir de amanhã, representa o país no Campeonato Sul-Americano da modalidade.

"A Bruna tem um potencial a ser trabalhado. Ela tem uma bola forte e bom controle no fundo da quadra [quando está afastada da mesa]", diz Lincoln Yasuda, coordenador técnico de seleções da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa.

Mas será no fim do ano, no Mundial paraolímpico do esporte, que realizará um sonho: enfrentará seu espelho, a polonesa Natalia Partyka, 20, atleta paraolímpica que competiu na Olimpíada de Pequim-2008 e que foi ouro na Paraolimpíada.

Apesar de Bruna dizer que não a põe no pedestal, suas reações quando fala dela a traem.

"Como é que a Natalia foi mesmo na Olimpíada?", pergunta a seu técnico, Alexandre Ghizi. Foi ele que a convidou para treinar quando, com 12 anos, a menina foi buscar o irmão na Fundação Municipal de Esportes de Criciúma.

"Ela competiu, mas não pegou pódio", responde ele.

"Não pegou?!", retruca, em tom de surpresa, Bruna.

Estudante do primeiro colegial em Criciúma, em Santa Catarina, Bruna fala com naturalidade sobre a amputação do seu braço direito, aos seis meses. "O médico aplicou errado uma vacina e tive trombose. Meu braço necrosou e tiveram de tirar", diz Bruna, ao dar de ombros ao comentar a morosidade da Justiça no caso. "O processo ainda está em andamento."

Até 2009 Bruna competia estritamente em torneios em Criciúma, onde foi tetracampeã.

Uma grande evolução para quem acreditava que nem a deixariam treinar por não ter um braço. Mas Ghizi enxergou um potencial para "algo mais".

"Para a Bruna crescer, teria de enfrentar rivais de fora do Estado. Era a hora de ela pegar um nível melhor de adversários", argumenta o treinador.

A fórmula para testar Bruna fora de Santa Catarina foi por meio de uma competição paraolímpica. Ela participou do Aberto do Brasil, em São Bernardo do Campo (SP), e, competindo contra jogadores mais velhos, levou prata e bronze.

Logo depois, Ghizi sentiu-se confortável para inscrevê-la em uma competição de abrangência nacional para atletas sem deficiência, o Brasileiro, também no ano passado.

Ganhou a medalha de bronze, e, mais importante, foi notada e convocada pela confederação para a seleção infantil.

Para Ghizi, tal reconhecimento não se tratou de uma surpresa. Ao menos no que se refere à habilidade de Bruna.
Ele explica que há duas formas de se desenvolver aptidão atlética: uma boa educação física na escola ou uma infância com muita atividade física.

"A Bruna passou a infância brincando na rua. Ela jogava bola com os meninos e, às vezes, faz coisas que não faço, como empinar a bicicleta ou manobras com o skate", relata.

"Nosso maior trabalho foi fora da mesa, na parte de educação, respeito, disciplina. A Bruna chegou muito serelepe."

"Este ano será decisivo em sua carreira", argumenta o treinador. "É a fase em que os adolescentes ganham outros interesses. Namoro, por exemplo."

29/04/2010 - 08h22
EDUARDO OHATA
da Reportagem Local - Folha de São Paulo