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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Próteses de braço respondem ao comando do pensamento

Uma nova geração de próteses possibilita mexer os membros artificiais com a força do pensamento. Os movimentos são feitos de forma intuitiva e simultânea -como um membro natural.

A tecnologia, batizada de TMR (em inglês, "targeted muscle reinnervation", algo como reenervação muscular seletiva), utiliza nervos que restaram no membro amputado para controlar a prótese.


O paciente que perdeu o braço passa por uma cirurgia que liga os nervos à musculatura do peito. Segue-se um processo de reenervação, que pode durar vários meses. Eles crescem e se adaptam ao músculo, que receberá a informação do cérebro.

A contração desse músculo segue, então, um novo esquema relacionado ao membro fantasma. Eletrodos transmitem os dados a um computador dentro da prótese, que faz os movimentos.
Por enquanto, o protótipo -apenas de braço- está sendo testado em dois pacientes, nos EUA e na Áustria.

"A TMR é uma opção para qualquer paciente, mas nos mais jovens o processo curativo é mais fácil", diz Andreas Kannenberg, diretor de assuntos médicos da Otto Bock, empresa alemã que pesquisa a TMR. Ele veio ao Brasil para um treinamento.

"No entanto, trata-se de uma tecnologia muito cara e que requer procedimento cirúrgico", reconhece ele.

"Muita gente não recebe a prótese que precisa", diz Henrique Grego, secretário da Associação Brasileira de Ortopedia Técnica. A cada ano, 45 mil brasileiros, em média, precisam colocar próteses, readequá-las ou utilizar muletas, cadeiras de rodas etc.

A maior parte das amputações é de membros inferiores, principalmente devido a complicações do diabetes e acidentes de trânsito.

"Talvez nem todos os pacientes precisem de algo tão sofisticado, mas o futuro caminha para isso", avalia Therezinha Rosane Chamlian, fisiatra da Universidade Federal de São Paulo.

GABRIELA CUPANI
Folha.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Novas próteses de articulações devem ter vida útil maior

A indústria das próteses articulares tem a missão de aumentar a durabilidade desses implantes e reduzir os transtornos das complexas cirurgias de troca.

Desde os anos 60, pacientes com desgaste nas articulações, em consequência de uma artrose, por exemplo, recebem próteses feitas de material plástico na sua maior parte, que desgasta.

A qualidade evoluiu, mas os pacientes não escaparam das revisões a cada 15 anos, em média. Ou seja, mais cirurgias e inconvenientes.

Com o aumento da expectativa de vida, as próteses de cerâmica que apareceram na década de 90 e as de metal -melhoradas em relação a décadas anteriores- são a esperança para adiar ou até eliminar as revisões.

Em testes de laboratório, o metal e a cerâmica mostraram menor desgaste em relação ao plástico, segundo o ortopedista Geraldo Motta, diretor-geral do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), órgão do Ministério da Saúde.

Na sede do instituto, no Rio, esses novos materiais já são usados em 30% das 1.200 cirurgias anuais.Porém, Motta afirma que "são necessários mais anos de observação para se comprovar as vantagens e a durabilidade em humanos."

Na opinião do ortopedista Ricardo Affonso Ferreira, do Instituto Affonso Ferreira, de Campinas, as próteses de última geração são mais vantajosas para pacientes mais jovens, em razão da intensa atividade física -o que desgasta a prótese- e porque têm muitos anos pela frente.

Já para idosos com mais de 65 anos a recomendação ainda é a prótese tradicional, que tem histórico conhecido.

O risco de acidentes com os materiais é considerado raro pela classe médica até agora. Em alguns poucos casos, é possível a cerâmica quebrar e o metal soltar partículas -o que também ocorre com o plástico.

A indústria cogita os novos materiais para outras articulações. O preço ainda é empecilho -um quadril de cerâmica custa mais de R$ 20 mil.

ETERNA
A aposentada Minde Hisgail, 74, é uma das que gostariam de eliminar as revisões.

A moradora dos Jardins usa articulação artificial de metal e plástico no quadril desde 1995 e, ao trocar peças em 2009, herdou uma infecção no corte que a deixou mais dias no hospital.

Depois, a prótese se deslocou enquanto Minde se vestia e precisou ser reajustada."Queria que a prótese fosse eterna", diz ela.

MÁRCIO PINHO
Folha.com.br