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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Exposição no Museu da República traz preciosidades do artista espanhol Joan Miró

Surrealismo libertário: obras de Miró que serão apresentadas ao público até 25 de novembroO Joan Miró que Brasília poderá conhecer a partir de hoje não está parado no surrealismo dos anos 1940 que o consagrou. Nem é de maneira convencional que será oferecido ao público brasiliense. A exposição do artista morto há 26 anos ocupa a partir de hoje o Museu Nacional do Conjunto Cultural da República ao lado de cinco jovens talentos da arte espanhola em um diálogo que refresca a obra de Miró e abre espaço para questões contemporâneas.

Los 24 escalones e Joan Miro tem desenhos, pinturas, gravuras e outras curiosidades do espanhol ao lado de obras de Diana Larear, Abigail Lazkioz, Juan López, Javier Arce e Raúl Belinchón. A ideia partiu da Fundación Joan Miró de Barcelona, que convidou o curador Jorge Diez para escolher artistas contemporâneos e ainda não consagrados com os quais a obra do surrealista pudesse dialogar.

A interação era vontade do próprio artista. Em Barcelona, a fundação mantém o Espai 13, uma sala de exposições à qual o público tem acesso depois de visitar a coleção de obras de Miró. Para chegar lá, é preciso descer 24 degraus. É um espaço experimental e Diez tomou a ideia, juntou a um livro de John Buchan e chegou ao nome da exposição. “Tem a ver com o caráter de estranheza de muitas pessoas a respeito da arte contemporânea, apesar de um número elevado dessas mesmas pessoas serem consumidoras da arte oferecida pelos meios de comunicação e pela indústria cultural”, explica Diez. “Por desejo explícito do próprio artista, a Fundação Miró está atenta para as novas propostas e tem dedicado espaço à arte emergente. Chega-se ao Espai 13 por uma escadaria descendente, que incrementa a sensação de estranheza dos visitantes não advertidos quando se defrontam com os projetos ali expostos.”

A rampa do mezanino do Museu Nacional parece estilhaçada, prestes a desmoronar graças à intervenção de Juan López. Com adesivos coloridos em amarelo, azul e vermelho — “as cores de Miró” —, o artista simulou um concreto quebrado para dar vazão à ânsia de modificar a arquitetura por meio do desenho. As intervenções de López agem no espaço como se quisessem transformá-lo. “O que me interessa é desenhar diretamente na parede. Não tenho ateliê e gosto dessa ideia de habitar um trabalho, porque quando faço uma intervenção praticamente vivo no espaço, passo tempo, me alimento. Gosto dessa ideia de um ateliê sempre mudando de lugar”, conta.

No centro da sala de exposições, as luzes ofuscantes da instalação de Diana Larear causam repulsa e atração. São dezenas de lâmpadas brancas dispostas em um labirinto geométrico pelo qual se pode passear. Na parede oposta, as grandes pinturas pretas funcionam como uma mescla de temas que preocupam Abigail Lazkoz há muito tempo. A guerra, principalmente.

Reflexão
Abigail trabalha com pincel direto na parede e idealizou os desenhos depois de ter acesso aos cadernos de notas de Miró durante as conversas e reuniões preparatórias com Jorge Diez. “Foi interessante ver o trabalho dele sem ordem temporal, todo junto. Miró trabalhava em séries fechadas e, ao ver os cadernos, pensei em mesclar as diferentes séries do meu trabalho”, conta. O fato de a guerra estar simbolicamente presente nas máquinas e objetos retratados vem de uma reflexão da artista sobre sua própria condição. Os pais de Abigail fazem parte da primeira geração nascida após a Guerra Civil Espanhola e a família é do País Basco, região de conflitos separatistas.

Mais adiante, nas vitrines, Javier Arce provoca ao sugerir objetos de arte em forma de mercadoria e Raúl Belinchón fala de tempo em fotografias de pedras. Nascidos na Espanha na década de 1970, os cinco artistas representam uma geração que chega agora à maturidade. Nem todos são diretamente influenciados por Miró — e Juan López garante que não é —, mas todos são herdeiros do diálogo entre a arte espanhola e o mundo iniciada e defendida por artistas como Picasso, Miró e Dalí em tempos de guerras e liberdades cerceadas. “Cada um dos artistas eleitos estabeleceu um marco próprio para o diálogo, em alguns casos mais explícito e em outros menos evidente, para acabar propondo intervenções específicas”, avisa Diez.

Preciosidades surrealistas
Além de pinturas, gravuras desenhos e uma escultura, o Museu Nacional recebe duas preciosidades pouco expostas nas mostras dedicadas a Joan Miró. No início da Segunda Guerra Mundial, o artista realizou uma série de 33 aquarelas intitulada Las constelaciones para retratar o pesadelo de um mundo em conflito. Em 1958, André Breton, fundador do surrealismo, compôs um conjunto de poemas em prosa para ilustrar a obra de Miró.

Para Los 24 escalones e Joan Miro, Jorge Diez selecionou 22 aquarelas da série. A mostra traz também um vídeo sobre o balé Jeux d’enfants, estreado pelos Balés Russos de Montecarlo, em 1932, e para o qual Miró realizou painéis, cenografia, vestuário e objetos de cena. “E haverá ainda os trabalhos audiovisuais Miró 37- Aidez l’Espagne e Miró l’altre. Para completar a aproximação de Miró há uma zona de consulta de publicações e vídeos que servirá de base para os ateliês pedagógicos organizados pelo Museu Nacional”, avisa o curador Jorge Diez.

Nahima Maciel
Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Grupo Corpo encerra na cidade turnê que comemora 35 anos de vida da trupe

O grupo de dança é reconhecido internacionalmente por sua originalidade e suas coreografiasCorria o ano de 1975 quando uma família mineira, junto com amigos igualmente entusiasmados, decidiu criar um grupo de dança. A primeira sede foi o casarão onde o clã vivia, no Bairro da Serra, em Belo Horizonte. Hoje, exatos 35 anos depois, a família Pederneiras se tornou referência no cenário artístico internacional e a companhia que criou, o Grupo Corpo, virou inspiração inconteste para fãs de dança. Para celebrar o aniversário, o grupo decidiu excursionar por São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e encerrar o périplo em Brasília, onde se apresenta, de quinta a domingo, na Sala-Villa Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro.

O programa é composto por dois espetáculos: Imã, coreografia que estreou no ano passado, e Lecuona, sucesso de 2004 escolhido por internautas. “Temos um público cativo e fiel. Decidimos ser democráticos e deixar que eles escolhessem”, destacou o coreógrafo e um dos criadores do grupo Rodrigo Pederneiras.

Imã surgiu a partir de um texto do antropólogo Roberto da Matta e propõe uma mistura de luminosidade e leveza. Investindo em formações fugazes, o espetáculo trabalha contrastes, passando do cheio ao vazio, da união à dispersão, da atração à repulsa. A iluminação é um dos pontos mais importantes da construção cênica: potentes refletores de LEDs de sete cores, capazes de reproduzir inúmeras tonalidades foram usados, pela primeira vez, nesta montagem. A trilha sonora foi composta pelo trio +2, formado por Domenico, Kassin e Moreno.

Já Lecuona é o retrato de um amor derramado, feito de ciúme, volúpia, saudade e muito drama. Envergando trajes de gala e vestidos esvoaçantes, os pares circulam por entre cubos luminosos e protagonizam um pas-de-deux com duração de 38 minutos. “Além de ser um espetáculo recente, ainda presente na memória, é uma das peças mais emotivas da nossa trajetória. Muitas pessoas choram”, comenta Pederneiras. A inspiração surgiu das canções de Ernesto Lecuona, considerado um ícone da música cubana. Esse espetáculo, por sinal, marca a exceção que o grupo abriu ao mestre latino. Desde 1992, as trilhas sonoras são especialmente compostas para as coreografias.

Dos ensaios no quintal de casa aos palcos mais refinados do planeta, o grupo criou mais de 30 espetáculos e atravessou momentos variados. No começo, era preciso contar com o empenho dos colaboradores, com destaque para o coreógrafo argentino Oscar Araiz, responsável pelos primeiros passos do Corpo. Quando a família começou a assumir o lado artístico das peças, decidiu investir nos clássicos como trilha sonora. “Afinal, foi isso que ouvi a vida inteira”, afirma Pederneiras.

Mariana Moreira
Correioweb.com.br

Luciana Oliveira apresenta repertório de seu primeiro disco

Cantora faz show de graça na beira da piscina do hotel Royal TulipAs atrações do projeto Encantadoras desta semana são duas cantoras e compositoras brasilienses que atualmente moram em São Paulo e vêm ganhando o mundo com seus discos de estreia. Luciana Oliveira, que, nesta quinta-feira, faz show de graça na beira da piscina do Royal Tulip Brasília Alvorada Hotel, lançou o CD O verde do mar em 2008 e já o levou a países como Portugal, França, Argentina, Uruguai e Japão. Ligiana, que no último ano vem apresentando seu De amor e mar em palcos distantes — de São Paulo a Senegal, de Garanhuns a Bulgária — traz o show do disco pela primeira vez à cidade, na sexta-feira, no Teatro Oi Brasília. “Estou na maior expectativa de cantar pros meus, pro meu cerrado, pra minha cidade. Fico feliz, me sinto acolhida e agradecida”, diz Ligiana.

As duas têm o samba como base de seus trabalhos. Hoje, em seu “luau” à beira da piscina, Luciana receberá Ligiana e o violonista João Ferreira. Na sexta, Ligiana retribuirá o convite, chamando Luciana para dividir uma canção com ela, e o gaitista Pablo Fagundes para tocar Onda. “A terceira participação é surpresíssima”, brinca.

Para Luciana Oliveira, são vitais o cheiro, o barulho da correnteza e a força da água. Como uma Oxum (orixá dos rios e das cachoeiras), ela ocupa a beira do Paranoá para interpretar temas de disco solo, que flertam com samba, afoxé, funk e soul. Será uma noite especial para a intérprete brasiliense radicada em São Paulo. Cheia de saudades da terra, ela canta para espantar o banzo, mas está feliz em conquistar, com propriedade, o lugar que lhe cabe na Pauliceia disputada centímetro a centímetro.
— Às vezes, está calor em São Paulo e sinto uma vontade imensa de fazer uma trilha e depois mergulhar nas piscinas da Água Mineral. Sinto saudades da minha família e dos amigos e tenho um cuidado de não perder a minha ligação com a cidade, afinal acho importante preservar as origens. Por isso, sempre que posso venho a Brasília renovar as energias, conta.
Luciana Oliveira está excitada com a ideia de o show ser de graça, na piscina e com o lago à vista. Ela estará acompanhada de banda formada pelo violonista e guitarrista alagoano Rafa Moraes, pelos paulistanos Jairon Black (baixo) e Nenê (bateria) e pelo pernambucano Maurício Alves (percussão).

— Essa mistura de povos se reflete na minha própria formação, pontua.

Há um ano e meio em São Paulo, onde conquista gradativamente espaço e público, Luciana Oliveira já tocou em alguns lugares bem conceituados, como a Casa das Caldeiras e a Sala Crisantempo. No repertório do disco, canções originais e sucessos que dialogam com seu repertório fincado em raízes negras. É bom aproveitar porque a cantora já está aconchegada em Sampa.

— Estou com a minha vida estruturada em São Paulo e gosto da praticidade da cidade, de não depender de carro, por exemplo. Por incrível que pareça, faço muito mais coisas a pé agora. São Paulo me deu uma nova dimensão de como pensar minha carreira e é a cada dia um mundo que se revela aos meus olhos, sintetiza.

Sérgio Maggio
Correioweb.com.br

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Bailarinos da Sankai Juku apresentam espetáculo inédito no Brasil

A companhia japonesa Sankai Juku retorna ao Brasil e faz curtíssima temporada de Tobari - Como num Fluxo Inesgotável", espetáculo inédito no país, no Teatro Alfa, zona sul de São Paulo, de terça (14) a quinta-feira (16).

No palco, oito bailarinos encenam a coreografia de sete atos de Ushio Amagatsu, bailarino e fundador do grupo, que evoca a passagem do tempo, com música de Takashi Kako, Yas-Kas e Yochiro Yoshikawa, pela Temporada de Dança do Teatro Alfa.

Integrante da segunda geração do movimento butô, o grupo, formado exclusivamente por homens com cabeças raspadas e corpos cobertos de pó branco, busca o equilíbrio entre corpo e mente.

Folha.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

Teste de Audiência da Caixa apresenta nesta terça edição surpresa


Nesta terça-feira, a partir das 20h, a Caixa Cultural Brasília realiza mais uma sessão surpresa do Teste de Audiência. Na quarta temporada do projeto, o público já assistiu ao longa-metragem Trampolim do Forte (João Rodrigo Mattos) e aos médias-metragens Ratão, de Santiago Dellape, e Retrato de Família, de Marcelo Munhoz. Como de costume em outras edições, os cinéfilos só conhecerão o filme e o convidado da noite momentos antes da exibição.

A sessão surpresa começou a fazer parte do Teste de Audiência na temporada passada, quando os nomes dos filmes e dos diretores passaram a ser divulgados apenas no momento da exibição. Outra novidade foi a introdução dos Grupos Focais, em que os espectadores têm a oportunidade de participar de um debate fechado, mais aprofundado, sobre o filme. Os interessados em participar desta discussão devem enviar e-mail para grupofocal@testedeaudiencia.com.br e informar os seguintes dados: nome completo, sexo, idade, escolaridade, profissão, região da cidade onde reside, telefone residencial, telefone comercial, telefone celular e confirmação do endereço de e-mail.

As atividades começam com uma breve instrução sobre o funcionamento do Teste e logo após é anunciado o título do filme e seu diretor. Em seguida, inicia-se a projeção, momento em que os pesquisadores analisam as reações do público e preparam os questionários, que serão distribuídos assim que o filme terminar.

Dessa forma, os espectadores preencherão o questionário sob o impacto da primeira reação ao filme que acabaram de assistir. A etapa seguinte é o debate com o realizador. É o momento em que o cineasta tem a oportunidade de ouvir dos participantes manifestações diretas e espontâneas acerca do filme. O Teste de audiência é realizado no Teatro da Caixa Cultural com entrada franca, limitada à lotação máxima do teatro, que é de 409 lugares.

Correibraziliense.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Baixar livros na internet é uma das principais formas de acesso à cultura e a publicações pela juventude brasileira

Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo começou a passar por mudanças comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos hábitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e responsável por uma espécie de nova ordem mundial. A comunicação, é claro, está entre as áreas mais atingidas por essas modificações, e se processa a cada dia mais rápida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos hábitos e, agora, está fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.

Mas isso não significa que eles irão sumir das estantes e da biblioteca — pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura”, disse Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso à leitura, em que o livro digital seja pensado também na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. “O contingente de pessoas com acesso à internet e à tecnologia é grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas é irreversível”, sentencia.

A cultura digital e suas tecnologias têm permitido a digitalização de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da criação humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos últimos cinco anos, muito em função do barateamento da tecnologia, que permite a difusão da informação. Além disso, projetos estruturantes de digitalização de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade é a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de São Paulo (USP).

Lá estão disponíveis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edição de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alemão Hans Staden, que esteve duas vezes na recém-descoberta colônia portuguesa, publicado no século 16, na Alemanha e Cultura e opulência no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano João Antônio Andreoni. Ele foi um dos três jesuítas que acompanharam o padre Antônio Vieira à Bahia, em 1685. O livro é considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial — só existem três exemplares no país. “É importante frisar que a tecnologia é ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem não tem hábito pela leitura”, salienta Rosely.

Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, é uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como diário e lá coloca seus pensamentos. “As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atrás de quem os escreveu. Faço a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro”, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, três livros por semana. “Os que não dá, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro tá lá na minha mão (sic). É mais prático, não saio de casa e não contribuo para o desmatamento”, conclui.

Educação
Mesmo com a curiosidade aguçada pela interatividade promovida na internet, a educação ainda é a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de história da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da instituição, o professor executa um papel fundamental em termos de estímulo. “É na sala de aula que o aluno adquire o hábito de ler, com o professor provocando discussões, sugerindo leituras para gerar o debate”, analisa.

Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou à leitura digital. Mesmo adepto da internet há 12 anos, foi na sala de aula que o publicitário adquiriu o hábito da leitura digital. “O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler”, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo hábito. “Nas bibliotecas digitais há milhões de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente”, comemora Rodrigues.

1 - Preciosidades
A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do espólio do empresário José Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros são do século 19, todos de literatura brasileira. Lá estão quase todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis. Há ainda as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: O guarani, de José de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo dá um salto: o visitante pode conhecer um robô que lê 2,4 mil páginas por hora.

Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento também indicou que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. “Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, não tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje lê mais pelo computador”, constata Puntoni.

O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informação, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros é um fato muito recente na história do mundo. “Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual só a elite tinha acesso; na idade média só os monges. A difusão da leitura faz com que o acesso se dê em outras plataformas. Não acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: ‘não, o livro é o único objeto para praticar a leitura’. A internet vem para somar, não competir”, defende.
Glênia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cenógrafa se tornou adepta à leitura digital há dois anos, porém, não largou o hábito de comprar livros no formato tradicional. “Não abro mão de livros na minha estante. Adoro tê-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espaço físico não é problema”, diz. “Para mim, uma coisa não anula a outra. As duas têm seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que é melhor para nós”, analisa.

Sociedade cibernética
Para a presidente da CBL, o mundo digital está sendo universalizado. “É impossível hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia”, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produção literária devem estar dentro desse contexto. Afinal, são instrumentos importantes de educação e cultura. “Acreditamos que o livro impresso tem atração física, é bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuará existindo. No futuro, o que acontecerá é a convivência harmoniosa de mídias”, prevê.

Puntoni acha que daqui há um século, o livro será comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. “Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudança cultural, imagine em 100 anos”, indaga. Puntoni acredita que no próximo século os nossos descendentes vão olhar para trás e dizer : ‘aquele povo derrubava árvore para produzir livro, que loucos’! Ele afirma, porém, que as pessoas vão continuar admirando os livros físicos por conta do significado que eles têm como instrumento fundamental para a construção da cultura ocidental.

Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabará. O ator é avesso à leitura digital. “Já tentei, não funciona. Sou um leitor à moda antiga”, afirma. Para ele, o ato de ler está relacionado com o lazer .“Para mim, é importante ter o livro físico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas até escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que também é lazer”, ressalta.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Casa do Saber democratiza a leitura


Todos os dias, a moradora da Estrutural Jennifer Oliveira, 6 anos, espera ansiosa pela hora de ir à Escola Classe do Setor Residencial Indústria e Abastecimento (SRIA). Lá, a garota começa a se familiarizar com o alfabeto para aprender a ler. Durante o intervalo, pula corda com as amigas. Quando chega a hora das atividades interdisciplinares, a aluna do 1º ano do ensino fundamental mergulha em páginas com desenhos e figuras coloridas. As ilustrações que ajudam o processo de alfabetização da menina ficam nos livros da biblioteca da instituição, montada pelo projeto Casa do Saber, patrocinado pela Rede Gasol.

O programa leva conhecimento a comunidades carentes e a detentos do Distrito Federal. O Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda ganhou ontem uma unidade do projeto com 5 mil livros. O espaço atenderá os 1,5 mil internos e também os servidores do local. Das 73 bibliotecas, 10 atendem detentos. “Mudamos o comportamento no Presídio Feminino do Gama”, orgulha-se o gestor do projeto, Antônio Matias. A meta é inserir salas como essas em todo o sistema penitenciário do DF.

Segundo ele, a ideia da Casa do Saber surgiu a partir de uma campanha de arrecadação de livros promovida por funcionários da Gasol. Depois de recolhido, o material era doado para a Secretaria de Educação. “Percebemos que o destino final não estava sendo cumprido e decidimos mudar”, relembra Matias. Foi assim que o projeto avançou, passando da doação de publicações para a construção de bibliotecas. “Mas não é só montar uma sala. Precisamos de técnicas para fazer a iniciativa dar certo”, explica.

Com o apoio da Associação dos Bibliotecários do DF e de outras entidades, a iniciativa completa três anos em agosto. A primeira Casa do Saber foi inaugurada em uma escola pública do Lago Oeste. O acervo da biblioteca chega hoje a 16 mil livros. “Na semana passada, fui até lá e vi 25 alunos usufruindo do espaço. Também notei que vários livros estavam emprestados”, relata. Segundo Matias, hoje, aproximadamente 160 mil pessoas são atendidas pelo programa.

Educação
A diretora da Escola Classe do SRIA, Consuelo Cintra, acredita que a biblioteca do local, batizada de Casa dos Sonhos pelos próprios estudantes, trouxe melhorias para o ensino dos 165 alunos da instituição. “Os professores ganharam um lugar para contar histórias e realizar outras atividades”, explica. Consuelo conta que, antes da inauguração da Casa do Saber, a sala de leitura do colégio funcionava de forma precária. “Não havia nem mesas e tínhamos poucos livros. Agora, conseguimos enriquecer o nosso acervo”, justifica.

Há, no espaço, livros didáticos e de literatura infantil. A presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, a coordenadora técnica do projeto, Iza Antunes, conta que antes de idealizar uma nova unidade, a equipe analisa o perfil dos futuros usuários e define as obras mais indicadas àquele público. A instituição beneficiada precisa somente ter o espaço livre e disponiblizar um funcionário para administrar o local. De acordo com ela, a Gasol promove cursos de capacitação para os interessados em atuar na área, com aulas ministradas por profissionais da associação.

“Nunca compramos um livro. O acervo é todo formado por doações”, conta Matias. O coordenador operacional do projeto, Rivelino Braga, calcula que aproximadamente 20 mil livros sejam arrecadados por mês somente no DF. As cidades de Cascavel (CE) e Impertariz (MA) também já ganharam unidade do projeto. Além disso, a Casa do Saber enviou 20 mil publicações para Angola. “Pretendemos integrar o material todo em uma mesma rede”, adianta Rivelino.

O projeto em números
73 - número de bibliotecas
10 - bibliotecas em presídios do DF
1,6 milhão - Quantidade total de livros
160 mil - Pessoas atendidas por mês

FAÇA SUA PARTE
A Casa do Saber precisa atualmente de livros infantis, mas publicações de outros assuntos também são bem-vindas. As doações podem ser feitas nos postos de combustíveis da Rede Gasol.

A equipe do projeto também busca o material no local determinado pelo doador mediante agendamento pelo telefone: 0800 61 4553.

Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Poesia para quem precisa


Fazer com que a poesia chegue a uma população que tradicionalmente tem menos acesso a esse tipo de manifestação cultural é muito legal. Deve-se ressaltar que nessa iniciativa os responsáveis por isso são pessoas da própria comunidade!

De São Sebastião a Ceilândia, de Taguatinga a Samambaia - os saraus cada vez mais ganham adeptos.

A poesia não tem credo, sexo, idade, cor e, muito menos, lugar para acontecer. Se, nos séculos passados, ela se restringia a uma burguesia intelectual que promovia encontros em palácios e afins, hoje, ela se faz presente em casas, botecos, ruas e praças de todos os cantos. Por aqui, ela pulsa como nunca nas satélites do Distrito Federal. Taguatinga, São Sebastião, Guará, Samambaia, Ceilândia e tantas outras realizam saraus regularmente e conquistam cada vez mais um público cativo.

“Têm saraus em todas as regiões do DF. Mas as pessoas só ficam sabendo dos que acontecem no Plano Piloto. É uma questão de divulgação e de voltar os olhos também para lugares como Taguatinga, São Sebastião, Ceilândia. São cidades extremamente criativas e a maioria das pessoas desconhece isso. Temos muitos talentos por aqui”, destaca Cláudia Bullo, uma das integrantes do Coletivo Radicais Livres Sociedade Anônima, de São Sebastião, que há quase 7 anos dissemina a arte nas periferias da capital do país, promovendo um sarau democrático e gratuito numa cidade associada, quase que unicamente à violência.

Os saraus realizados DF afora não se diferem muito dos tradicionais e, além da finalidade literária, oferecem música, dança, teatro, artes plásticas, vídeos e debates, mas sobretudo, têm uma preocupação em levar arte para quem não costuma ter muito acesso. “Ainda estamos em processo de formação de público. A intenção é focar na população de São Sebastião. Mas isso não impede de ter outros poetas, artistas de outras vertentes, outros coletivos. A gente costuma reunir, 200, 300 até 400 pessoas em cada evento. Mas ainda estamos longe do ideal. A população daqui é de 100 mil habitantes, o caminho é longo”, acredita um dos componentes do Radicais Livres Thiago Alexander.

Atrações
Uma das maneiras de “popularizar” o sarau é oferecendo atrações mais próximas da população, como o hip-hop e o rap. É o que defende outro “radical”, Renato Hally: “Poesia ainda tem essa visão de ser algo elitizado, apesar de estar mudando. Acredito que esse grau de catequização cultural tem sido mais fácil, principalmente, por intermédio de manifestações culturais com uma abordagem mais social, menos elitizada. Isso tem envolvido mais a população.”

Um dos focos do sarau é justamente a juventude da cidade, até para revelar a eles um tipo de arte que não estão muito acostumados. Vinícius Borba, também integrante do Radicais Livres, destaca a realização das oficinas de iniciação que, esporadicamente, são ministradas pelo Coletivo, o que faz com que desperte um interesse maior do público jovem. “A gente estimula a produção, não só nas oficinas, mas no próprio sarau. Por isso, fazemos questão de trazer atrações diversificadas. E tudo feito com muito suor e amor pela arte”, lembra ele, que iniciou uma campanha de doações para a manutenção da sede do Radicais recém-inaugurada. Para ajudar basta entrar em contato pelos telefones 8169-8150 e 8551-1075 ou pelo e-mail radicaislivressa@gmail.com.

A cidade de Samambaia também aderiu ao lirismo. No próximo 28 de maio realiza a 12ª edição do Sarau Complexo que visa, sobretudo, a implantação do complexo cultural da cidade, considerado pela comunidade artística da região de suma importância para o desenvolvimento artístico, cultural e turístico do Distrito Federal e Entorno. “O principal objetivo do nosso sarau é conscientizar e mobilizar sociedade e governo pela implantação do Complexo Cultural Samambaia, com teatro, cinema, galeria de arte, biblioteca, oficinas, anfiteatro, escola de artes. Ao mesmo tempo em que mostra o potencial artístico e cultural da cidade e região, seja de artistas, seja de público, o que justifica esse investimento”, defende o organizador do Sarau, Élton Skartazini.

Segundo ele, para se ter uma ideia, num raio de 20 quilômetros em torno do centro urbano de Samambaia, moram aproximadamente 1 milhão de pessoas praticamente sem nenhum equipamento público de qualidade destinado à arte, à cultura e ao turismo. Por isso, a luta pelo espaço. “Além do mais, o nosso sarau tem uma boa frequência de público e nossa programação se baseia na diversidade de linguagens e estilos artísticos, para todos os gostos”, afirma.

Taguatinga é referência
Por ser uma das principais cidades do Distrito Federal, é natural que Taguatinga reúna grupos e coletivos poéticos bem atuantes. Um dos mais conhecidos e antigos é o Tribo das Artes, que completa uma década em 2010 e acaba de se tornar um ponto de cultura.

Outro sarau que aos poucos começa a ganhar espaço na cena taguatinguense é o realizado pelo Coletivo Poeme-se, que acontece todas as segundas e quartas-feiras do mês no Blues Pub, em Taguatinga, um reduto já conhecido de poetas e escritores. Focando principalmente em uma poesia mais cotidiana, e abordando temas sociais, eles vêm desenvolvendo projetos também em escolas e faculdades. “A poesia é o mote, mas tem outras manifestações artísticas. E isso ajuda a agregar pessoas variadas que é o nosso maior objetivo. O público tem sido bem variado e ampliado a cada sarau, mas, infelizmente, poesia não tem ainda essa massificação. Mas muita gente se interessa, se emociona. E isso que acaba sendo o nosso salário”, comenta um dos fundadores do Poeme-se, Alisson de Andrade Lacerda.

Além do pessoal de Taguatinga, o grupo conta com Rêgo Júnior e Margô Oliveira, dois remanescentes do Quartas intenções, coletivo de poesia de Ceilândia. No entanto, por falta de um espaço para a realização dos saraus, as reuniões foram suspensas e, então, decidiram participar do Poeme-se. “A gente tem poucos locais de tradição voltados para os saraus. Por isso, tem que improvisar na casa dos poetas, em bares e pubs”, lamenta Rêgo Junior. Outro fundador do coletivo, o poeta Haroldo Porto ressalta, que apesar da ausência de points de poesia na cidade, Brasília deve focar na sua vocação para as artes e se unir. “ A capital tem que acabar com essa ideia de panelinha da poesia e virar um grande caldeirão poético, fazer um mexido de todas as manifestações. Seja do Plano, das satélites. Isso é a cara de Brasília e é assim que tem que ser”, resume.

Correioweb.com.br
Ana Clara Brant
Publicação: 20/05/2010 07:00

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Grupo Voca People se apresenta na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional


Imitar o som de vários instrumentos utilizando apenas a voz é muito diferente. Deve ser uma apresentação muito legal de se ver!

Em comum, terráqueos e habitantes do planeta Voca têm a paixão pela música. Sorte, então, que a nave desses simpáticos seres brancos aterrissou por aqui. Reabastecidos com energia musical, eles poderão voltar para casa. Antes disso, em retribuição a calorosa recepção em solo terrestre, os oito alienígenas farão o que sabem realizar melhor: cantar. De quarta a domingo, o Voca People se apresenta na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional.

No palco, não se vê, mas se ouvem instrumentos musicais. Todos os sons são produzidos pelas bocas dos cantores. O repertório, mesmo executado por extraterrestre, é familiar. Vai da música clássica ao pop, passando por vários sucessos, de diversos estilos musicais, das últimas décadas.

Nenhum dos cinco homens e três mulheres concede entrevista. Esse trabalho fica a cargo do gerente de turnê, Dror Kaspy.

Ele conta que o Voca People surgiu de uma ideia de Lior Kalfo, veterano produtor de tevê em Israel, que buscava criar um outro número à capela. Em abril de 2009, o primeiro vídeo do grupo foi colocado no site YouTube, alcançado até agora 5 milhões de acessos e ajudou a lançar a carreira internacional do grupo. “Não imaginávamos que faria tanto sucesso na internet. Foi uma surpresa positiva”, comenta Dror Kaspy.

Pedro Brandt
Correioweb.com.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Compositor de jazz recebe homenagem no C'est si bon


Para quem puder, ouvir um pouco de jazz ao vivo no início da semana será muito legal!

Na noite desta terça-feira, o brasiliense que quiser apreciar um bom jazz já tem para onde ir. Pelo projeto Terça da Boa Música, o duo Marabeau Jazz, formado pela cantora Marabeau e pelo pianista Serge Frasunkiewicz, presta tributo a Henry Mancini, consagrado compositor, pianista e arranjador norte-americano. A apresentação acontece no C’est si bon Crêperie & Bistrô (213 Norte), a partir das 20h30. Será cobrado couvert artístico de R$ 8.

Considerado um dos grandes compositores de trilhas sonoras para cinema e televisão, ganhador de inúmeros prêmios do Grammy, são dele canções como Moon River - tema do filme Bonequinha de Luxo - e trilhas de clássicos como A Pantera Cor-de-Rosa e Charada.

Nesta homenagem, as canções de Henry Mancini ganham interpretação especial na rara voz de Marabeau. Ela promete um repertório recheado de clássicos, com arranjos e interpretações inspirados nas grandes vozes do jazz, como Billie Holiday, Sarah Vaughn, Ella Fitzgerald.

No palco, ao seu lado, o pianista Serge Frasunkiewicz. Especializado em jazz, o músico toca com Marabeau há mais de três anos e já trabalhou em importantes companhias nacionais e internacionais de dança, como o Grupo Corto, Hubbard Street Dance de Chicago, o Churchill Jazz Band. Em 2006, viajou para a Europa e se apresentou em famosos clubes de jazz de Paris, como Bilboquet, Le Sept Lizards Jazz Club, La Fontaine e Tennesse.
Correioweb.com.br – Divirta-se

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ex-meninos em situação de rua formam talentos na Bahia


Histórias como estas mostram como é real e possível reverter quadros de extrema exclusão e vulnerabilidade. Muito bom!!

No bairro de Saramandaia, periferia de Salvador (BA), cinco ex-meninos de rua resolveram agarrar a oportunidade oferecida por um projeto social e mudar de vida. Hoje, três deles administram o Grupo Cultural Arte Consciente, que ganhou o Prêmio ODM Brasil por sua contribuição aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 1 (erradicar a extrema pobreza e a fome) e 2 (atingir o ensino básico universal). Mas foi preciso muito esforço até o reconhecimento.

Na adolescência, Antônio Marcos Gomes dos Santos, Fábio Santos de Jesus e Alex Sandro Pereira Lima passavam o dia na rodoviária da capital baiana vendendo jornais. Uma pequena parte do dinheiro arrecadado ficava com eles, e era utilizada para ajudar a família dos meninos, enquanto o restante servia para pagar um senhor que fornecia os diários. No entanto, como a venda da publicação no local era proibida, era comum os três serem levados por seguranças até o Juizado de Menores.

"Aí nós precisávamos carregar bagagens e engraxar sapatos para arranjar o dinheiro para pagar o homem que vendia os jornais", conta Marcos. Cansados dessa situação, os meninos agarraram uma oportunidade e começaram a participar de oficinas oferecidas pelo Projeto Axé. Lá, conheceram Josevaldo Cardoso de Jesus, o Tito, e Julivaldo Santiago.

A iniciativa deu a chance de os cinco conhecerem áreas que seguiriam no futuro: Marcos se interessou pelas artes circenses; Fábio, por boxe; Alex, pela percussão; Josevaldo, pelo grafite; e Julivaldo, pela dança. Inspirados no Projeto Axé, os ex-menores decidiram, então, fundar o Grupo Cultural Arte Consciente, para atender às crianças e adolescentes do bairro de Saramandaia e afastá-los do crime e das drogas.

Na época, o principal problema enfrentado pela comunidade eram as brigas de grupos rivais que moravam em ruas vizinhas. "Uma criança de um lado não podia descer pelo outro, e o nível de violência era muito alto", conta Marcos. Para mudar isso, o grupo promoveu várias caminhadas pela paz e, ao atender meninos de áreas distintas, ajudou a reduzir os conflitos.

Atividades
No início, os cinco ofereciam aulas de circo, boxe, percussão, grafite e dança nas ruas de Saramandaia. Porém, a falta de incentivos acabou fazendo com que Tito e Julivaldo deixassem o grupo. Os outros três deram continuidade ao projeto, que atualmente tem capacidade para atender 150 crianças – 50 na oficina de artes circenses, 50 nas atividades de boxe e outras 50 na de percussão.

Para participar das atividades, os menores precisam estar matriculados em escola, frequentar as aulas e ter boas notas. "Nós fazemos o acompanhamento duas vezes por semana. Qualquer queixa, chamamos a criança, que pode ser afastada caso tenha mau comportamento", explica Marcos. Mas isso quase não acontece, já que aprender uma arte nova dá a oportunidade de os meninos e meninas ganharem seu próprio dinheiro com apresentações por Salvador.

E não são só crianças e adolescentes que a iniciativa atrai. "Tem um senhor de 75 anos, o Felipe, que faz boxe, e um ex-detento de 29 anos que canta", acrescenta. Há um caso de sucesso que Marcos faz questão de contar: o de Juarez dos Reis Sousa, ex-viciado em crack e que seguiu carreira profissional no boxe.

Apesar das conquistas, as dificuldades são muitas. "Não temos funcionários, e estamos batalhando há sete anos para concluir a construção de nossa sede", diz Marcos. Para arrecadar dinheiro, os coordenadores do grupo fizeram um acordo com uma empresa que oferece a turistas estrangeiros a oportunidade de conhecer iniciativas em áreas pobres do Brasil, a exemplo do que acontece na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Segundo o trato, o grupo recebe um percentual do valor pago pelos turistas para conhecer o projeto. Além disso, contam com a solidariedade dos visitantes. "Eles deixam sempre R$ 100, R$ 200", explica Marcos. O dinheiro é investido nas obras para construir a sede, que já está em seu terceiro andar.

Fôlego
Nenhuma dificuldade desanima os ex-menores de rua. "Nós sabemos da importância de formar multiplicadores, que nem aconteceu conosco, então queremos passar isso à frente, porque dá resultado", afirma Marcos. Ganhar o prêmio ODM Brasil, concorrendo com mais de 1.400 projetos, ajudou a renovar o fôlego dos coordenadores do Grupo Cultural Arte Consciente.

"Ficamos sem palavras. Estou no maior chamego com o troféu", brinca Marcos, que ressalta que a vitória foi fruto de uma longa caminhada. "Agora, quando falamos que ganhamos o prêmio, sentimos que somos mais respeitados", opina o coordenador, que aproveita para deixar um recado: "Tudo é possível, basta se esforçar para mudar de vida. As oportunidades estão aí".

Além de concluir a sede, outra meta dos ex-meninos de rua no curto prazo é organizar um bloco para sair no Carnaval de Salvador, com as alas "circo", "boxe" e "percussão", para divulgar ainda mais o trabalho. "E queremos também voltar a oferecer aulas de dança e grafite", conclui.

DANIELLE BRANT
da PrimaPagina

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Grupo Tanghetto se apresenta no Teatro Oi Brasília


Experimente um dia ouvir um tango eletrônico, é uma junção de ritmos muito legal! Ótima oportunidade para ouvir uma música diferente.

O eletrotango, quem diria, não nasceu na Argentina. No fim da década de 1990, um grupo de argentinos que vivia em Colônia e Berlim reuniu-se e acabou criando o ritmo que anos mais tarde arrebanharia admiradores em vários cantos do planeta. Mesclando a batida eletrônica da noite alemã com o gênero mais genuíno de Buenos Aires, surgia, na Alemanha, a batida. Um dos pioneiros desse neotango, como também é conhecido, é Max Masri, que, assim que voltou ao país de origem, criou o Tanghetto — um dos principais grupos de tango eletrônico da atualidade. Nesta quinta e sexta, o quinteto formado por Max (sintetizadores e programações), Diego Velásquez, Federico Vázquez (bandoneón), Antonio Boyadjian (piano), Chao Xu (violoncelo e um instrumento chinês de cordas chamado erhu) e Daniel Corrado (bateria) apresenta-se, no Teatro Oi Brasília, no Complexo Alvorada Hotel, na turnê do mais recente trabalho, Mas alla del Sur.

É a segunda vez que o grupo vem a Brasília — no ano passado, eles participaram de um evento no CCBB voltado para o eletrotango. Max acredita que agora os brasilienses poderão conhecer um pouco mais do grupo, que já soma quatro discos, duas indicações ao Grammy e 13 turnês à Europa. “Viemos muito rapidamente em 2009 e agora vai dar até para conhecer um pouco mais de Brasília e sua bela arquitetura. Já passamos por várias cidades brasileiras e a recepção é sempre calorosa. Acredito que, por aqui, a história vai ser repetir”, diz Max.

O show conta com o repertório do novo disco, mesclado a músicas de trabalhos anteriores. Além de canções autorais, como Abril, La milonga e Biorritmo porteño, Mas alla del sur traz uma nova versão de Zita, original de Astor Piazzolla; Bahía blanca, de Di Sarli, e da bombada Fake plastic trees, do grupo britânico Radiohead.

Ana Clara Brant
Correio Braziliense
29/04/2010