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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Projeto leva crianças de escolas públicas para conhecer a obra de Chopin

Era teatro. Teatro infantil. Mas nunca foi tão real. Pela intensidade, pela reação de quem assistia. Real pela emoção genuína. Centenas de crianças ali pela primeira vez. Olhos vidrados, completamente abertos. Tudo novo. Comoventemente mágico, apesar de muito real. No palco, atores e a música que sai de um piano contarão a história de um certo Frédéric Chopin, que nasceu muito longe do lugar de onde aqueles meninos e aquelas meninas vieram.

E a peça vai começar. Um dos atores narra, para explicar o início do espetáculo: “E o menino Chopin conheceu o piano...”. Todas as poltronas do teatro estão lotadas. No palco, o menino se encanta pelo fascínio que seu coração experimenta quando os dedos magricelas tocam nas teclas do piano. Na plateia, silêncio. O ator, na verdade um cantor de ópera que representa, fala: “O menino Chopin aprendeu que o piano fala”. Risos entre os ilustres convidados. Eles pensaram: “Como pode um piano falar?”.

O ator continua: “O piano fala, pode nos dizer coisas alegres ou tristes”. Sabrina Rodrigues, 8 anos, extasiou-se com a descoberta de que um piano “pode falar” e, sem tirar os olhos do espetáculo, disse: “Eu acho linda a música”. Repórter chato. Hora mais inconveniente para se perguntar o que quer que seja. Vanessa Rocha, também 8, limita-se a dizer: “Parece mágica”.

A peça segue. O ator conta: “O menino Chopin, que não era mais tão menino assim, estudou música, fez grandes amigos, grandes músicas e teve também grandes perdas. Emília, sua irmã, morre. E o menino Chopin aprendeu que tudo na vida deve passar. Até a tristeza. É isso, a tristeza um dia também deve passar”.

No palco, atores representam e uma pianista toca as canções compostas pelo então rapaz Chopin. O cantor diz: “E o menino Chopin, que já não era tão menino assim, se fez gente grande e se mudou da Polônia, sua terra natal, para a capital dos pianos e da música. Foi morar em Paris, na França”. Um lugar tão longe que chega a ser improvável para aquelas crianças que assistiam ao espetáculo e saíam, pela primeira vez, do Itapoã.


Para sempre

Em Paris, Chopin tornou-se elegante, deu aula de piano, estudou e compôs como nunca. Inclusive suas famosas valsas. E se apaixonou. Keven William, 8 anos, ajeita os óculos, para enxergar melhor. “Nunca vim num teatro. Nunca tinha ouvido música clássica. Minha mãe nem vai acreditar...”. A professora Carla Azevedo, 40, emociona-se: “É a realização pra eles”.

Mas o espetáculo precisa ir em frente. Como a vida. Chopin adoece. Luta contra a tuberculose, o grande mal daquele século 19. Sucumbe em Paris, a terra que amava. O cantor diz: “E Chopin um dia partiu, mas deixou entre nós a música”. O piano silencia. Mas nunca morre. E já que não morre, música, mais música. Cinquenta minutos de peça.

A vida de Chopin passa como mágica, num palco cheio de luz e de cor, com música, a melhor, teatro e dança contemporânea. Tudo junto. Tudo ao mesmo tempo. Aquelas crianças do Itapoã, a 30km de Brasília, um lugar que transita entre a extrema pobreza, a violência e a falta de oportunidades, jamais se esquecerão da tarde lúdica de ontem.

Emoção
E foi nessa tarde que o Correio acompanhou, com exclusividade, a estreia do Projeto Chopin para Crianças, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O silêncio protagonizado pelos mais de 300 alunos da Escola Classe 1 do Itapoã só foi quebrado quando o repórter inconveniente, agachado, fazia perguntas, baixinho, sempre àquelas sentadas nas pontas.

Numa delas, na cena mais verdadeira de todo o espetáculo, uma menininha de 9 anos se acomodava como se estivesse em casa. A sandália repousava sobre o carpete do teatro. Os pés, descalços, se encontravam nas pernas dobradas. Teatro de verdade deveria ser assim, sem afetações, sem mentiras, sem falsas posturas. Os olhos dela pareciam que iam saltar, de tão concentrada no espetáculo. “Nossa, como é lindo... Lindo demais”, extasiava-se ela.

Bruno Saraiva, 9 anos, filho de uma doméstica e de um eletricista de elevador, definiu Chopin como poucos. E talvez a definição mais original: “Ele foi um grande tocador de piano”. E não se conteve: “Ele também fez todo mundo gostar do piano”. Pergunto ao menininho do Itapoã o que ele sente ao ouvir as músicas que saem daquele piano no palco. Ele responde, sem olhar para o interlocutor: “Sinto uma emoção muito grande. Uma coisa boa”.

Isso, sim, é emoção. E o teatro, com sua magia que vibra e faz rir e chorar, é capaz disso. Capaz de deixar emocionado o menino de um lugar onde falta quase tudo. Capaz de fazer com que ele esqueça, mesmo por 50 minutos, o mundo real, sem magia, sem música, sem Chopin, onde vive. Isso, sim, é teatro. E o melhor: não havia nenhum mocinho ou mocinha da novela das 9. Era Chopin, “o tocador de piano”, para as crianças da Escola Classe 1 do Itapoã. Era teatro. Mas nunca foi tão real.

A miudinha Ana Beatriz, 9 anos, era só emoção. “Achei tudo lindo. É divertido ver como os atores representam. A música? Lá em casa, nunca ouvi. No Itapoã não toca, não.” Tá bom, é hora de prestar atenção no espetáculo...

Preparação
A professora de percepção musical da Escola de Música de Brasília e produtora Naná Maris, 48 anos, conta que, a 10 dias da estreia de Chopin para Crianças, ela e sua equipe estiveram nas 12 escolas públicas escolhidas para fazer parte do projeto. Levaram um kit Chopin — CD e livro, este doado pela Embaixada da Polônia, sobre a vida e a obra do compositor polaco, numa homenagem aos 200 anos do seu nascimento. “Trabalhamos com os professores, que, por sua vez, trabalharam com suas crianças em sala de aula. Fizeram trabalhos e ouviram músicas do artista”, ela diz.

Com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e do CCBB, o projeto pôde, finalmente, contemplar crianças carentes. “O meu sonho era esse”, conta, emocionada. Por causa disso, neste fim de semana, as portas do CCBB se abrirão gratuitamente para o público. “Faremos nos dois dias dois espetáculos, às 16h e às 18h. Para todas as idades ”, convida Naná.

Fim do espetáculo. Cinquenta minutos de uma vida muito longe do Itapoã. Os atores são aplaudidos de pé. As crianças vibram. Estão emocionadas. Querem mais música. “Oxe, cadê o Chopin, que não vem aqui pra dizer ‘beleza’...” pergunta Marcos Antônio, 9 anos, filho de um pedreiro e uma doméstica.

E Chopin desce do palco. Édi Oliveira, 35 anos, o ator que interpreta o compositor, vai até a plateia. É abraçado pelas crianças. Otílio Bispo, 9, que pela primeira vez saiu do Itapoã, garante: “Eu queria vir pro teatro todo dia, escutar essas músicas, mas lá onde moro não tem nada”. A professora Cristina Rocha, 38, deixa o teatro do CCBB levitando: “A realidade deles (dos alunos) é tão dura, que isso acalma. Além de ser um diversão, um lazer, é uma terapia também”. A professora fala com conhecimento de causa.

Em filas, sem algazarra, como se estivessem anestesiadas, as crianças entram nos ônibus que as levarão de volta ao Itapoã. Chopin, aquele “tocador de piano”, ficará para trás. A peça chegou ao fim. Mas a música ficará no ouvido. A magia do teatro, na memória. O lugar onde vivem não tem magia, mas tem, a partir de hoje, aquelas crianças, que hoje já não serão mais como eram antes. Marcos Antônio falará para o pai, pedreiro, que ouviu Chopin. O pai certamente irá lhe perguntar quem era esse tal de Chopin.

Marcos Antônio lhe contará quem ele era. E falará da música que saía do seu piano, do teatro que comove e faz pensar. Era pra ser apenas teatro. Foi mais real do que se imaginava. Aqueles atores vestidos com roupas de época e a pianista Francisca Aquino nem imaginam a revolução que fizeram na cabecinha daquelas crianças do Itapoã.

O teatro serve, também, para mudar vidas. Quando isso acontece, sem a mocinha ou o galã da novela da moda, ele de verdade cumpriu sua missão. As crianças do Itapoã, hoje, sabem disso.

Marcelo Abreu
Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Luciana Oliveira apresenta repertório de seu primeiro disco

Cantora faz show de graça na beira da piscina do hotel Royal TulipAs atrações do projeto Encantadoras desta semana são duas cantoras e compositoras brasilienses que atualmente moram em São Paulo e vêm ganhando o mundo com seus discos de estreia. Luciana Oliveira, que, nesta quinta-feira, faz show de graça na beira da piscina do Royal Tulip Brasília Alvorada Hotel, lançou o CD O verde do mar em 2008 e já o levou a países como Portugal, França, Argentina, Uruguai e Japão. Ligiana, que no último ano vem apresentando seu De amor e mar em palcos distantes — de São Paulo a Senegal, de Garanhuns a Bulgária — traz o show do disco pela primeira vez à cidade, na sexta-feira, no Teatro Oi Brasília. “Estou na maior expectativa de cantar pros meus, pro meu cerrado, pra minha cidade. Fico feliz, me sinto acolhida e agradecida”, diz Ligiana.

As duas têm o samba como base de seus trabalhos. Hoje, em seu “luau” à beira da piscina, Luciana receberá Ligiana e o violonista João Ferreira. Na sexta, Ligiana retribuirá o convite, chamando Luciana para dividir uma canção com ela, e o gaitista Pablo Fagundes para tocar Onda. “A terceira participação é surpresíssima”, brinca.

Para Luciana Oliveira, são vitais o cheiro, o barulho da correnteza e a força da água. Como uma Oxum (orixá dos rios e das cachoeiras), ela ocupa a beira do Paranoá para interpretar temas de disco solo, que flertam com samba, afoxé, funk e soul. Será uma noite especial para a intérprete brasiliense radicada em São Paulo. Cheia de saudades da terra, ela canta para espantar o banzo, mas está feliz em conquistar, com propriedade, o lugar que lhe cabe na Pauliceia disputada centímetro a centímetro.
— Às vezes, está calor em São Paulo e sinto uma vontade imensa de fazer uma trilha e depois mergulhar nas piscinas da Água Mineral. Sinto saudades da minha família e dos amigos e tenho um cuidado de não perder a minha ligação com a cidade, afinal acho importante preservar as origens. Por isso, sempre que posso venho a Brasília renovar as energias, conta.
Luciana Oliveira está excitada com a ideia de o show ser de graça, na piscina e com o lago à vista. Ela estará acompanhada de banda formada pelo violonista e guitarrista alagoano Rafa Moraes, pelos paulistanos Jairon Black (baixo) e Nenê (bateria) e pelo pernambucano Maurício Alves (percussão).

— Essa mistura de povos se reflete na minha própria formação, pontua.

Há um ano e meio em São Paulo, onde conquista gradativamente espaço e público, Luciana Oliveira já tocou em alguns lugares bem conceituados, como a Casa das Caldeiras e a Sala Crisantempo. No repertório do disco, canções originais e sucessos que dialogam com seu repertório fincado em raízes negras. É bom aproveitar porque a cantora já está aconchegada em Sampa.

— Estou com a minha vida estruturada em São Paulo e gosto da praticidade da cidade, de não depender de carro, por exemplo. Por incrível que pareça, faço muito mais coisas a pé agora. São Paulo me deu uma nova dimensão de como pensar minha carreira e é a cada dia um mundo que se revela aos meus olhos, sintetiza.

Sérgio Maggio
Correioweb.com.br

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Festival Sampa Jazz reúne brasileiros com holandeses e marroquinos

De sexta-feira (17) a domingo (19), ocorre a terceira edição do festival Sampa Jazz no Auditório Ibirapuera. O evento reúne artistas da Holanda, Marrocos e Brasil, no mesmo palco.

Na sexta, a banda de jazz holandesa The Ploctones, liderada pelo guitarrista Anton Goudsmit, se apresenta ao lado do convidado especial Rappin' Hood.

No sábado (18), é a vez da Jan Akkerman Band mostrar o novo trabalho do célebre guitarrista holandês (ex-integrante do grupo Focus) que dá nome ao grupo. Os marroquinos do Imourane Quartet se encontram com o Grupo Benjamim Taubkin, formado por Lula Alencar (acordeão e piano), Ari Colares (percussão e voz), Benjamim Taubkin (piano) e João Taubkin (baixo) no domingo (19).

Folha.com.br

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Arte de superar os limites virou a melhor obra das vidas de dois artistas

Uma pintora com paralisia cerebral e um músico que não enxerga abrem hoje, no Senado Federal, uma exposição comovente.

Uma moça que nunca andou, fala com dificuldade extrema e tem comprometimento de todo o aparelho locomotor. Um homem cuja última lembrança na vida foi a de ter visto o jaleco branco do médico que o operou. Ele contava 8 anos. Está com 53. A professora de artes que um dia conheceu esse homem, depois essa moça. Uma mãe que, ao saber que a filha tinha paralisia cerebral, demorou três dias para ter coragem e perguntar à médica o que aquilo queria dizer para o resto da vida. E uma produtora cultural que viu toda essa história e escreveu um projeto. E o projeto virou arte. Juntou pintura e música. A melhor de todas.

História danada de boa essa. A moça que não anda e vive cheia de limitações é uma pintora. Das melhores. O homem que não enxerga é compositor, arranjador e instrumentista. No violão, ninguém o detém. A professora de artes que um dia conheceu ambos virou curadora. A mãe que não sabia o que fazer com aquela sentença nunca mais perguntou por que aquilo havia acontecido com sua filha. A produtora cultural é autora de um projeto de sucesso, há um ano e meio correndo estrada.

E hoje, às 15h, no Salão Branco do Senado Federal, a pintora de sorriso encantador e o tímido músico mineiro estarão juntos, inaugurando a exposição Arte superando barreiras. Kátia Santana mostrará 11 pinturas abstratas, em acrílico sobre tela. Evaldo Leoni cantará músicas de própria autoria e de compositores consagrados da Música Popular Brasileira. Enquanto Evaldo estiver cantando, Kátia pintará mais uma obra.

Ivana Andrés, 59 anos, a professora de artes, que há sete anos acreditou que essa moça poderia pintar de verdade, vai estar ao lado da aluna. Simone Senra, 41, a produtora cultural, verá seu projeto, mais uma vez, ganhando espaço e elogios rasgados do público. E Izabel Nedina, 48, cabeleireira, a mãe, certamente chorará em algum canto daquele salão do Senado Federal. E toda lágrima que derramar não terá sido em vão.

Na tarde de ontem, o Correio foi ao encontro de Kátia e Evaldo, que haviam acabado de desembarcar de Belo Horizonte (MG), onde moram. Ela, aos 29 anos, é pura alegria. A primeira vez em Brasília. Ele, aos 53, é mineirinho de tudo: fala baixo e tem no violão o melhor confidente. Ela, de cabelos pintados de loiro, com uma borboleta tatuada no ombro esquerdo e piercing discreto no nariz, diz, num esforço sobre-humano: “É com a arte que expresso a minha alegria e minha tristeza”. Ele, sentadinho, com o violão no colo, declara, com sinceridade comovente: “A música é toda minha vida”.

Izabel olha para a filha, para os quadros da artista que começavam a ser colocados na exposição e reconhece: “Ela é o meu maior orgulho. Meu maior aprendizado”. Ivana, também pintora consagrada, filha da mestra Maria Helena Andrés, admite: “Para pintar, é preciso ter coragem. E Kátia não tem medo de perder um quadro e refazê-lo, transformá-lo”. Sobre a dificuldade motora da aluna em pegar o pincel, a professora é categórica: “O olho é mais importante que a mão”. Evaldo, que não enxerga, usa as mãos ágeis para fazer mágica com as cordas do seu violão. A pintora com paralisia cerebral e o músico que nada vê se completam. E se entendem nas suas diferenças.

Renascimento
E esse encontro é tão comovente quanto a própria arte que brota das mãos de ambos. “Esse é um projeto de oportunidades. A inclusão é nossa. O preconceito é nosso. Esse foi um encontro de todos nós”, diz Simone, a produtora. O projeto Arte superando barreiras foi patrocinado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet). Teve também o apoio do jornal O Estado de Minas, pertencente aos Diários Associados, e de algumas empresas mineiras.

Durante um ano e meio, Kátia e Evaldo expuseram em Belo Horizonte, em Nova Lima (MG), em São Paulo, e agora chegaram a Brasília, para o encerramento do projeto que mudou a vida de ambos. “Ela ficou mais confiante, mais feliz”, percebe a mãe. Kátia escreveu, em seu computador adaptado: “Comecei a pintar há cerca de oito anos porque estava com depressão. Logo comecei a me sentir cada vez melhor e mais livre.... Penso que quando alguém desiste de sonhar desiste da vida”.

Evaldo, com o projeto, passou a apresentar semanalmente o programa A arte de superar barreiras, numa rádio comunitária de Belo Horizonte. No espaço, histórias de superação de pessoas com qualquer tipo de deficiência são abordadas. Ele canta e recita poesias — de vários autores e também dos convidados entrevistados. E nunca tocou tanto quanto agora no Voz e Poesia, grupo musical do qual faz parte.

A pintura de Kátia tem muita cor e luz. Tem magia. É alegre e convida, pelo abstrato, para uma viagem. A artista sabe exatamente quais os caminhos aonde pretende chegar. “Ela tem uma experiência autodidata. Às vezes, começa o quadro pelo meio. E, mesmo com toda limitação, é rápida. Pintou três telas grandes em menos de três horas”, exulta a professora de artes, embasbacada com sua primeira aluna tão especial.

A música de Evaldo tem cheiro das Minas Gerais. É suave, baixa e tem um quê de Clube da Esquina. O compositor é fã de carteirinha de Milton Nascimento e de toda aquela turma que se formou naquela época. Gosta do verso, da poesia dita com honestidade. E foi essa música, estudada à exaustão, que fez o menino que perdeu a visão aos 8 anos, em decorrência de um glaucoma avassalador, acreditar a que a escuridão não seria o fim. “Aconteceram tantas coisas boas na minha vida que não penso mais na cegueira”, diz o homem que se casou pela terceira vez e tem dois filhos, um deles também músico.

Acessibilidade
Sessão de fotos para a matéria. Kátia, sorrindo riso de felicidade, pergunta ao fotógrafo: “O Evaldo aparece também?”. Ela enxerga pra ele. Ele caminha pra ela. “Ela é linda, espetacular”, diz o músico. Ela ouve e ri. Ele não vê, mas sente. Ela fala, de novo fazendo um esforço danado para ser entendida: “Quando pinto, sinto que tô livre, fora da cadeira de rodas”.

E é no Senado Federal, lugar onde o país se reconhece, se espanta e de quando em vez ainda se enche de esperança, que a exposição terá seu desfecho. Mônica de Araújo Freitas, presidenta do Programa de Acessibilidade do Senado Inclusivo, elogia o trabalho da dupla.

Ela conta que a Casa, há seis anos, passou a tratar como prioridade o direito de ir e vir dos que têm limitações. “Fizemos reformas e adaptações estruturais, compramos equipamentos, temos intérprete de Libras e realizamos um censo para saber quantos funcionários são portadores de necessidades especiais. Todo ano, em dezembro, realizamos a Semana do Senado Inclusivo. Virou um sucesso, nosso compromisso.”

Kátia olha os quadros sendo colocados nos painéis. Dá palpite. Quer ver sua obra mais bonita. Sentadinho, Evaldo afina as cordas do seu instrumento. É hoje, daqui a pouco, a abertura da exposição da pintora e do músico. Pergunto a ela como está a emoção. Ela responde: “Tô muito feliz, o coração tá batendo cada vez mais forte”. Ele só quer fazer o que mais gosta: tocar, tocar e tocar. Em seu computador, Kátia escreve páginas do livro que vai lançar, Um sonho de vida: “Sou assim, livre. presa, triste, alegre, segura do que faço e firme nas decisões. Desejo aprender sempre mais e acreditar que tenho forças para continuar. Sinto a luz de Deus dentro de mim”. Não há mais o que perguntar. Deixa a música de Evaldo seguir.

Essa história é boa demais. Boa pra contar. Melhor ainda pra ver e ouvir. E sentir.

Marcelo Abreu
Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Longa refaz história da MPB a partir da grande final do festival de 1967


É impossível esquecer aquela noite. Ao mesmo tempo, como é difícil recordá-la.

A final do 3º Festival da Música Popular Brasileira, exibida pela Record em 21 de outubro de 1967, ficou congelada na memória do público como um momento único.

Para seus protagonistas, porém, se foi alegria, foi também perturbação. É isso que revela, quatro décadas mais tarde, "Uma Noite em 67", documentário de Renato Terra e Ricardo Calil, crítico de cinema da Folha.

Por meio dos arquivos da TV Record e de depoimentos de quem estava lá, o filme revê um momento que iria se provar fundamental para a forma que assumiria, a partir dali, a música brasileira.

Há Chico Buarque ("Roda Viva"), Caetano Veloso ("Alegria, Alegria"), Gilberto Gil ("Domingo no Parque") e Roberto Carlos ("Maria, Carnaval e Cinzas") a defender suas canções. E há todos eles a rememorar aquela noite.

"Eu era um fantasma no palco", diz Gil, que caiu de cama, em pânico, horas antes da apresentação.

INTIMIDADE
É desses reencontros profundos com o passado que se constitui o filme. Fica claro que os diretores sabiam que muitos, como Caetano e Gil, tiveram suas falas sobre aquela noite banalizadas, tamanha a quantidade de entrevistas dadas a respeito.

Tinham também em mente que outros, como Chico e Roberto, dificilmente baixariam a guarda. "Era fundamental criar uma cumplicidade. Nós nos preparamos muitos e tentamos ser delicados, respeitosos", diz Calil.

Com isso, arrancaram de cada um momentos de graça, emoção e intimidade, como raras vezes se veem na tela.

"Ao ver o filme, assustei-me mais com suas revelações do que em me ver naquela agonia de não poder mostrar uma música", diz Sergio Ricardo que, impedido pelo público de cantar "Beto Bom de Bola", atirou a viola à plateia. O filme traz à luz a cena inteira, e não apenas a explosão. "Me sinto de alma lavada."

Há também um quê de acerto de contas no que sente Marília Medalha, que cantou, com Edu Lobo, "Ponteio", a grande vencedora da disputa de jovens gigantes.

"Fui espoliada após o festival, não só por pessoas da música, mas também por artistas do universo teatral", diz. "Com o AI-5 [1968], o negócio piorou muito. Num show com Vinicius [de Moraes], fui proibida de cantar 'Ponteio'. Não descobri se era por causa da música ou por saberem que tinha vínculos com presos políticos", diz.

A entrevista com Medalha, como dezenas de outras --entre elas as de Ferreira Gullar, Chico Anysio, Arnaldo Batista, Martinho da Vila--, ficou fora do corte final do filme. Estarão todos no DVD.

A opção de concentrar-se nas cinco primeiras classificadas faz com que cada canção seja vista de ponta a ponta. Por meio dessas imagens, o espectador não só conhece os maiores artistas da MPB quando jovens, como também visita os primórdios da TV. Ali, o cigarro em cena era tão natural quanto o jovem Chico, com 23 anos, apresentar-se de smoking.

ANA PAULA SOUSA
MARCUS PRETO
Folha.com.br

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Livro publicado pelo Sebrae ensina como viabilizar a carreira de uma banda


Já não é de hoje que viver de música é muito mais do que uma questão de talento para compor, cantar ou tocar um instrumento. Atualmente, tão importante quanto produzir música é viabilizar uma carreira por conta própria, sem esperar que algum figurão da indústria do entretenimento o descubra e aponte o caminho do sucesso. Mas essa história da autogestão também é antiga. Por que será, então, que incontáveis músicos, bandas e cantores ainda dão murro em ponta de faca, insistindo em não se profissionalizar o mínimo necessário?

“Existe por parte dos músicos um preconceito com a atividade empresarial. É quase um mito para eles, como se arte e negócios não pudessem caminhar juntos”, avalia o jornalista pernambucano Leonardo Salazar, autor do livro Música Ltda — O negócio da música para empreendedores. O título, publicado pela editora do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), é o resultado do trabalho de conclusão de curso de Leonardo em gestão de negócios. Como ele explicou em entrevista ao Correio, o jornalismo é sua formação, mas há quase uma década ele trabalha com produção cultural. “Comecei como assessor de imprensa no festival Abril pro Rock, em 2002. Mas não fiz só isso, trabalhei também como assistente de produção. No ano seguinte, eu já estava só na produção. Até 2008, aprendi muito na prática e, claro, observando os produtores mais experientes.”

Para o livro, Leonardo direcionou o que aprendeu no curso para o ramo da música. “Fiz uma pesquisa e descobri que não temos no Brasil nada publicado quanto à ação empresarial nessa área”, observa. O diferencial de Música Ltda é justamente a apresentação dos tópicos, “traduzidos” da linguagem empresarial, específica, para uma de fácil entendimento, mais prática. “Se um músico pegar um livro de marketing ou de formação empresarial, ele provavelmente vai entender pouca coisa. Eu ensino as mesmas lições, mas de outra forma, aplicada à realidade deles”. Entre os tópicos abordados pelo livro estão desde a organização de um show até como lidar com finanças e marketing. Resumindo, como transformar um trabalho musical em uma empresa. Há, ainda, um modelo de plano de negócios para uma banda. Outras informações podem ser encontradas no recém-inaugurado blog http://www.musicaltda.com.br/.

Leonardo Salazar esclarece que existem diferentes maneiras de lidar com a questão empresarial dentro de uma banda. Algumas optam por assumirem elas mesmas a função. Outras delegam a amigos ou se associam a produtores ou empresas da área. Em Brasília é possível encontrar ambos os casos.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido deles seja o da banda Móveis Coloniais de Acaju. Os 10 integrantes conseguiram reverter o que poderia ser o maior problema do grupo, a quantidade de músicos, em sua maior qualidade. Assim, sempre trabalharam com a divisão de tarefas. E dessa forma viabilizaram incontáveis shows dentro e fora de Brasília, organizaram festivais e a produção de seus discos.

“A única coisa que a gente não fazia era emitir nota fiscal, mas em 2008 montamos o nosso escritório”, conta o baixista Fábio Pedroza. Um anos depois, eles contrataram uma consultoria para fazer um planejamento para a banda. “Aprendemos a ser 10 empresários. Hoje temos noções sobre elaboração de projetos, plano financeiro, marketing…”, continua o músico. No caso do Móveis, o produtor Fabrício Ofuji é considerado um integrante da banda. “Tem gente que toca guitarra, bateria ou baixo. O Ofuji toca a banda. O Móveis só teria chegado aonde chegou dessa forma”, afirma o baixista.

Parceria
Em associação com produtoras da cidade, a banda Trampa vem colhendo vários frutos. “Temos uma relação de parceria. Acabamos de fechar a turnê do DVD Trampa sinfônica em quatro cidades”, adianta o vocalista André Noblat. O projeto que deu origem à gravação (registro de apresentação feita em 2008, na Sala Villa-Lobos, com participação de orquestra e regência do maestro Silvio Barbato) foi orçado em R$ 180 mil, captados via Lei Rouanet.

O músico e produtor cultural André Morale começou a fazer os próprios eventos para viabilizar os shows das bandas nas quais tocou desde a adolescência. Com a experiência, passou a produzir os shows dos amigos. Anos depois, promoveu festivais. Como integrante do extinto quarteto High High Suicides, organizou uma turnê pela Argentina e Uruguai. “Um conselho que dou para as bandas é: se você acha que consegue, então ‘meta as caras’, não tenha medo. Pode parecer difícil no começo, mas não é impossível. Mas, claro, é preciso ter uma visão administrativa”. Leonardo Salazar faz coro ao brasiliense: “Além de aprender a tocar um instrumento, o músico agora tem que aprender a tocar um negócio”.

Pedro Brandt
Correiobraziliense.com.br

terça-feira, 13 de julho de 2010

Mineiro passa horas dando forma a instrumentos de corda

Entre as paredes azuis de uma casa modesta no Recanto das Emas, na Quadra 404 da Avenida Ponte Alta, esconde-se um tesouro particular. Pelas grades do portão, é possível ver o amontoado de madeira. Difícil imaginar que daquele material bruto nascem os contornos delicados de violões, violas, violinos, banjos, baixos, guitarras, toda sorte de instrumentos musicais de corda. Mas há vários deles, em diferentes cores e tamanhos, espalhados por todos os lados, pendurados na sala e em um ateliê improvisado no quintal. As mãos rústicas do mineiro Joaquim Nunes da Silva, 70 anos, dão forma a cada instrumento.

Antes de descobrir esse talento, Joaquim dirigia equipamentos pesados, como tratores e carretas, há 45 anos. O luthier aprendeu sozinho a construir as peças, há quatro anos. É um apaixonado pelo som da viola caipira e do violão. “Eu me aposentei e não queria ficar parado. Tenho mãos e pés sadios e muita vontade de aprender, porque o mundo é vasto. Além disso, minha família tem carpinteiros por tradição. Aprendi esse ofício com meu pai. Nunca tinha visto ninguém fazendo violão, viola nem nada dessas coisas. Mas, fora isso, eu construía de tudo: cadeira, mesa…”, relatou.

A vontade de ver o próprio talento revivido conduziu o mineiro ao aprendizado. Ele foi a Taguatinga, onde observou de longe, durante 15 dias, como trabalhavam os luthiers. Depois disso, seguiu para casa, juntou toda a madeira que tinha e construiu ele mesmo uma máquina de serrar. Começou com um violão. Descobriu o prazer de ver nascer um instrumento musical e nunca mais parou.

Produz um a cada 10 dias, em média. O trabalho é artesanal ou “caipira”, como Joaquim gosta de dizer. “Eu faço com muito cuidado, que é para durar bastante tempo. Um violão daqueles que a pessoa compra na loja estraga rápido, tem até uns que vêm da China, são bonitinhos, mas descartáveis. Os meus, não. A vida deles é de 20 a 30 anos”, garantiu.

Qualidade
A estrutura dos aparelhos é reforçada. A madeira, garante, é da melhor: “Eu compro cedro, compensado de imbuia, mogno. Só coisa boa”. O acabamento é primoroso. Tem até violão rosa e azul, para crianças. Joaquim não descansa enquanto o violão, banjo ou viola não fica como ele desenhou em sua mente. Os mais baratos custam entre R$ 120 e R$ 150. “Um violão que custa R$ 300 na loja, eu tenho igualzinho ou melhor aqui, mas pela metade do preço.”

Algumas pessoas saem de longe à procura dos serviços de Joaquim. Mesmo com essa procura, ele vende pouco: “Tem mês em que não sai nada”. Não investe em propaganda, porque falta verba. Pelo menos duas vezes por mês, ele vai a feiras em diversas regiões. “As pessoas são curiosas, mas não têm dinheiro. Todo mundo pega, quer saber quem fez, mas comprar que é bom, nada”, conta, decepcionado. Ele recebe também alguns pedidos de conserto. “Chega cada violão novinho aqui e já todo quebrado.”

Autodidata
Joaquim estudou só até a quarta série primária. “Tenho trauma de escola. Quando vejo uma professora, chego a sentir agonia, porque a minha batia muito nas crianças, judiava demais da gente.” O luthier tem sotaque rural, capricha no “sô” e no “uai”. A fala combina com a aparência séria, simples, porém vaidosa de Joaquim. Ele anda pelas ruas do Recanto das Emas sempre arrumado, vestido em calças e camisa social, botinas e chapéu marrom. Usa também óculos de lentes grossas, para amenizar os efeitos de uma miopia. Mesmo com o problema de visão, garante que nunca se machucou com as serras e furadeiras essenciais para esse ofício, supercortantes e perigosas.

A voz dele lembra a de um violeiro. É grossa e afinada. “Mas eu só canto hino de louvor na igreja, música do mundo, não.” Ele é evangélico, há 40 anos. Nunca aprendeu, porém, a tocar um instrumento musical. “Dizem que papagaio velho não aprende a falar. Deve ser verdade. Eu tentei aprender viola e violão muitas vezes, mas não dá jeito. Só sei fazer mesmo”, lamentou.

Ele é do tipo de gente que gosta de fazer tudo sozinha, dispensa ajuda e não tem paciência para ensinar sua arte a outras pessoas. “Você precisa ver, às vezes eu me ofereço para lixar algum violão para ele e ele nunca deixa. É um homem muito inteligente, mas não me deixa ver ele trabalhar”, revelou a mulher de Joaquim, Maria, a antiga cuidadora dos pais dele, dois pioneiros da construção de Brasília, já falecidos.

Pioneirismo
Nascido em Januária (MG), Joaquim mora no Distrito Federal desde 1996. Antes disso, vivia em São Joaquim da Barra (SP), onde foi criado e teve sete filhos. Veio para a capital com a missão de cuidar da mãe, Luzia, que estava doente e morreu em agosto último, aos 90 anos. “Ela não enxergava, nunca me viu trabalhando.” As lembranças da família estão espalhadas por Brasília. A mãe e o pai dele, Zezimbro, vieram para o DF a convite do então presidente Juscelino Kubitschek. “Ele (JK) trouxe meus pais em um avião enorme para cá. Minha mãe era cozinheira no Catetinho e meu pai ajudou a construir muita coisa”, lembrou.

O luthier pensa em voltar para o Sudeste do país. “É onde estão meus netinhos, meus filhos. Gosto demais de Brasília, ajudei a construir muita rua dessa cidade. Mas não está dando para ficar porque ninguém compra violão.” Mesmo queixoso, Joaquim resiste a abandonar sua casa no Recanto das Emas, onde vive com Maria. Se ele for embora, muito de si mesmo fica para trás. Enquanto não se decide, Joaquim namora suas relíquias empoeiradas, à espera de quem queira dedilhá-las.

Conheça
Contatos com seu Joaquim, que aceita encomendas, podem ser feitos por meio dos telefones 3333-1920 e 9203-6102.

Leilane Menezes
Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Música ajuda idosos com Alzheimer a guardar novas memórias


Uma coisa tão simples como cantar pode ajudar a melhorar a memória. Isso não é uma coisa muito legal?

Cantar para idosos com problemas de memória ajuda os velhinhos a aprender novas coisas.

Já se sabia que a música ajuda a memória, especialmente quando a pessoa consegue ligar aquela melodia a algum acontecimento do seu passado. Pessoas com Alzheimer têm mais facilidade para recordar acontecimentos distantes se conseguirem lembrar da "trilha sonora" envolvida naquela situação. Estava menos claro, porém, se a música poderia ajudá-los a formar novas memórias.

Brandon Ally, da Universidade de Boston, se inspiraram com a notícia de um homem com Alzheimer que conseguia vencer a doença e lembrar, por exemplo, das notícias do dia se elas fossem cantadas pela sua filha usando o ritmo de canções conhecidas. Os pesquisadores decidiram explorar mais essa possibilidade.

Eles deram a 13 idosos com Alzheimer e a 14 idosos saudáveis as letras de 40 músicas infantis desconhecidas para ler. Os dois grupos foram divididos pela metade. Parte dos idosos pode ouvir as músicas sendo tocadas. A outra parte apenas ouviu as letras sendo declamadas, sem ritmo.
Depois da experiência, os idosos com Alzheimer que tinham escutado a música conseguiram recordar 40% das letras, enquanto os que tinham apenas lido e escutado as rimas sem a melodia lembrava apenas 28%.

Os saudáveis lembravam 80% das letras, independemente de terem ou não ouvido à canção.
Pouquíssimas coisas coisas conseguem melhorar o aprendizado em pessoas com doenças mentais, diz Ally. Ele sugere que usar música para dizer aos pacientes como tomar os remédios nos estados mais complicados de demência poderia ajudá-los a conseguir viver independemente por mais um tempo.

Ainda não se sabe porque cantar ajudar, mas Ally diz que a música faz com que certas áreas do cérebro fiquem ativas, como o tecido subcortical. Talvez elas ainda não estejam tão afetadas pela doença.

O trabalho foi publicado no periódico "Neuropsychologia".

Folha.com.br
da New Scientist

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Playing for Change


Esse projeto tem o objetivo de unir as pessoas, promover a paz, divulgar coisas boas por meio da música. Coisas legais e música têm tudo a ver!


Texto traduzido do site do projeto.

A Inspiração
“Playing for Change” é um movimento multimídia criado para inspirar, conectar e trazer paz ao mundo por meio da música. A ideia deste projeto surgiu a partir de uma crença comum de que a música tem o poder de quebrar fronteiras e superar as distâncias entre as pessoas. Não importa se as pessoas vêm de diferentes localidades, pensamentos políticos, econômicos, espirituais ou ideológicos, a música tem o poder universal de transcender e nos unir como uma raça humana. E com essa verdade firmemente fixada em nossas mentes, partimos para compartilhá-lo com o mundo.

Produção
Nós construímos um estúdio de gravação móvel, equipado com todo o equipamento utilizado nos melhores estúdios, e viajamos para onde a música nos levou. Como a tecnologia mudou, nossas demandas de energia foram reduzidas de baterias do carro de golfe para baterias de automóveis, e finalmente para laptops. Da mesma forma, a qualidade com que fomos capazes de filmar e documentar o projeto foi sendo atualizada a partir de uma variedade de formatos - cada um o melhor que poderíamos alcançar na época, finalmente, a full HD.

Uma coisa que nunca mudou ao longo do processo foi o nosso compromisso de criar um ambiente para os músicos em que eles poderiam criar livremente e que não colocou nenhuma barreira entre eles e aqueles que, eventualmente, experimentam sua música. Lidando com essa energia e a intenção em todos os lugares que viajamos, tivemos acesso a músicos e locais que geralmente são inacessíveis. A este respeito, a inspiração que inicialmente nos colocou neste caminho se tornou uma co-criadora do projeto junto com a gente!
O Efeito
No decorrer deste projeto, decidimos que não era suficiente para a nossa equipe apenas registrar e partilhar esta música com o mundo, nós quisemos criar uma maneira retribuir aos músicos e suas comunidades que tinham compartilhado tanto conosco. E assim, em 2007, criou-se a Fundação Playing for Change, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é fazer exatamente isso. No início de 2008, estabeleceu-se a Timeless Media, uma entidade sem fins lucrativos que financia e amplia o trabalho de Playing for Change. Mais tarde nesse ano, a Timeless Media entrou em uma joint venture com a Concord Music Group, através do apoio do co-proprietário da etiqueta e da lenda do entretenimento Norman Lear e o Concord Music Group vice-presidente executivo da A & R John Burk. Nosso objetivo é trazer a música da PFC, vídeos e mensagem para o maior público possível.

Agora, os músicos de todo o mundo estão reunidos para realizar shows beneficentes para construir escolas de música e arte em comunidades que precisam de inspiração e esperança. Além do benefício shows, o Playing for Change banda também realiza shows em todo o mundo. Quando o público vê e ouve músicos que viajaram milhares de quilômetros de suas casas, unidos em propósito e juntos em um palco, todo mundo é tocado por uma força unificadora da música.
E agora, todos podem participar nesta experiência transformadora se juntando ao Movimento Playing for Change. As pessoas estão divulgando, os músicos estão realizando concertos em benefício de todos os tamanhos, os fãs estão espalhando a mensagem do Playing for Change através dos nossos meios de comunicação, e este é apenas o começo. Juntos, vamos conectar o mundo através da música!

Vejam no site (link abaixo) essa preciosidade, além de outras músicas também muito bacanas.

Dica do Otimista Marcelo Augusto Gozzer Viegas

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Grupo Voca People se apresenta na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional


Imitar o som de vários instrumentos utilizando apenas a voz é muito diferente. Deve ser uma apresentação muito legal de se ver!

Em comum, terráqueos e habitantes do planeta Voca têm a paixão pela música. Sorte, então, que a nave desses simpáticos seres brancos aterrissou por aqui. Reabastecidos com energia musical, eles poderão voltar para casa. Antes disso, em retribuição a calorosa recepção em solo terrestre, os oito alienígenas farão o que sabem realizar melhor: cantar. De quarta a domingo, o Voca People se apresenta na Sala Villa-Lobos, do Teatro Nacional.

No palco, não se vê, mas se ouvem instrumentos musicais. Todos os sons são produzidos pelas bocas dos cantores. O repertório, mesmo executado por extraterrestre, é familiar. Vai da música clássica ao pop, passando por vários sucessos, de diversos estilos musicais, das últimas décadas.

Nenhum dos cinco homens e três mulheres concede entrevista. Esse trabalho fica a cargo do gerente de turnê, Dror Kaspy.

Ele conta que o Voca People surgiu de uma ideia de Lior Kalfo, veterano produtor de tevê em Israel, que buscava criar um outro número à capela. Em abril de 2009, o primeiro vídeo do grupo foi colocado no site YouTube, alcançado até agora 5 milhões de acessos e ajudou a lançar a carreira internacional do grupo. “Não imaginávamos que faria tanto sucesso na internet. Foi uma surpresa positiva”, comenta Dror Kaspy.

Pedro Brandt
Correioweb.com.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Compositor de jazz recebe homenagem no C'est si bon


Para quem puder, ouvir um pouco de jazz ao vivo no início da semana será muito legal!

Na noite desta terça-feira, o brasiliense que quiser apreciar um bom jazz já tem para onde ir. Pelo projeto Terça da Boa Música, o duo Marabeau Jazz, formado pela cantora Marabeau e pelo pianista Serge Frasunkiewicz, presta tributo a Henry Mancini, consagrado compositor, pianista e arranjador norte-americano. A apresentação acontece no C’est si bon Crêperie & Bistrô (213 Norte), a partir das 20h30. Será cobrado couvert artístico de R$ 8.

Considerado um dos grandes compositores de trilhas sonoras para cinema e televisão, ganhador de inúmeros prêmios do Grammy, são dele canções como Moon River - tema do filme Bonequinha de Luxo - e trilhas de clássicos como A Pantera Cor-de-Rosa e Charada.

Nesta homenagem, as canções de Henry Mancini ganham interpretação especial na rara voz de Marabeau. Ela promete um repertório recheado de clássicos, com arranjos e interpretações inspirados nas grandes vozes do jazz, como Billie Holiday, Sarah Vaughn, Ella Fitzgerald.

No palco, ao seu lado, o pianista Serge Frasunkiewicz. Especializado em jazz, o músico toca com Marabeau há mais de três anos e já trabalhou em importantes companhias nacionais e internacionais de dança, como o Grupo Corto, Hubbard Street Dance de Chicago, o Churchill Jazz Band. Em 2006, viajou para a Europa e se apresentou em famosos clubes de jazz de Paris, como Bilboquet, Le Sept Lizards Jazz Club, La Fontaine e Tennesse.
Correioweb.com.br – Divirta-se

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Grupo Tanghetto se apresenta no Teatro Oi Brasília


Experimente um dia ouvir um tango eletrônico, é uma junção de ritmos muito legal! Ótima oportunidade para ouvir uma música diferente.

O eletrotango, quem diria, não nasceu na Argentina. No fim da década de 1990, um grupo de argentinos que vivia em Colônia e Berlim reuniu-se e acabou criando o ritmo que anos mais tarde arrebanharia admiradores em vários cantos do planeta. Mesclando a batida eletrônica da noite alemã com o gênero mais genuíno de Buenos Aires, surgia, na Alemanha, a batida. Um dos pioneiros desse neotango, como também é conhecido, é Max Masri, que, assim que voltou ao país de origem, criou o Tanghetto — um dos principais grupos de tango eletrônico da atualidade. Nesta quinta e sexta, o quinteto formado por Max (sintetizadores e programações), Diego Velásquez, Federico Vázquez (bandoneón), Antonio Boyadjian (piano), Chao Xu (violoncelo e um instrumento chinês de cordas chamado erhu) e Daniel Corrado (bateria) apresenta-se, no Teatro Oi Brasília, no Complexo Alvorada Hotel, na turnê do mais recente trabalho, Mas alla del Sur.

É a segunda vez que o grupo vem a Brasília — no ano passado, eles participaram de um evento no CCBB voltado para o eletrotango. Max acredita que agora os brasilienses poderão conhecer um pouco mais do grupo, que já soma quatro discos, duas indicações ao Grammy e 13 turnês à Europa. “Viemos muito rapidamente em 2009 e agora vai dar até para conhecer um pouco mais de Brasília e sua bela arquitetura. Já passamos por várias cidades brasileiras e a recepção é sempre calorosa. Acredito que, por aqui, a história vai ser repetir”, diz Max.

O show conta com o repertório do novo disco, mesclado a músicas de trabalhos anteriores. Além de canções autorais, como Abril, La milonga e Biorritmo porteño, Mas alla del sur traz uma nova versão de Zita, original de Astor Piazzolla; Bahía blanca, de Di Sarli, e da bombada Fake plastic trees, do grupo britânico Radiohead.

Ana Clara Brant
Correio Braziliense
29/04/2010