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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Consumir folhas verdes reduz risco de diabetes, diz estudo


Consumir mais vegetais verdes, como espinafre e outros vegetais folhosos, pode reduzir o risco de se desenvolver diabetes tipo 2, revelou um estudo publicado esta sexta-feira no British Medical Journal (BMJ).

A pesquisa entra em um campo controverso e seus autores alertam que é preciso mais pesquisas para confirmar as descobertas.

Uma equipe de cientistas chefiada por Patrice Carter, da Universidade de Leicester (centro da Inglaterra), revisou seis estudos feitos com 200 mil pessoas que exploraram o vínculo entre o consumo de frutas e vegetais e o diabetes tipo 2, normalmente ativada na idade adulta.

Comer uma ou meia porção extra de vegetais verdes reduziria em 14% o risco de desenvolver diabetes, mas ingerir mais frutas e vegetais combinados demonstrou ter um impacto desprezível.

O diabetes tipo 2, a forma mais comum da doença, se espalha rápido entre os países de economias em desenvolvimento, à medida que suas populações adotam uma dieta rica em gorduras e açúcar, e seguem um estilo de vida sedentário.

Mais de 220 milhões de pessoas de todo o mundo são afetadas pela doença, que mata mais de um milhão de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). À medida que aumenta a taxa de obesidade, o número de mortes poderá dobrar entre 2005 e 2020, acrescentou a OMS.

A alimentação e a prática de exercícios são formas de prevenção conhecidas, mas quais alimentos funcionam melhor e porquê permanecem questões sem resposta, em face dos poucos estudos realizados sobre qualidade.

A equipe de Carter sugere que os vegetais de folhas verdes são úteis porque são ricos em antioxidantes e magnésio. No entanto, é preciso realizar mais estudos para sustentar esta afirmação.

Em um estudo separado, publicado na quarta-feira no British Journal of Pharmacology, cientista chineses informaram que um composto extraído de várias ervas chinesas ajudaram a reduzir o impacto do diabetes tipo 2 em camundongos.

O composto, conhecido como emodina, inibe a enzima chamada 11-Beta-HSD1, que desempenha um papel na resistência à insulina, hormônio que ajuda a remover o excesso de açúcar do sangue.
Segundo o artigo, a emodina pode ser extraída das ervas chinesas ruibarbo (Rheum palmatum) e fallopia japônica (Polygonum cuspidatum), entre outros.

"Os cientistas precisariam desenvolver elementos químicos que têm efeitos similares aos da emodina, e estudam quais deles poderiam ser usados como medicamento terapêutico", disse Ying Leng, do Instituto de Matéria Médica de Xangai.

O diabetes é controlado com injeções de insulina e a adoção de uma dieta de controle dos níveis de açúcar. Se não for controlada, a doença pode provocar problemas cardíacos, cegueira, amputações e falência renal.

Frace Presse
Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Celular e web ajudam a tratar crianças diabéticas à distância

Hora de almoçar, diz o celular. Hora de medir a glicemia, apita de novo. Em resposta, a criança diabética ou quem cuida dela envia o resultado da taxa de açúcar no sangue a uma central.

Se o número estiver muito alto, o médico é avisado e toma providências, como mudar recomendações sobre a alimentação da criança.

A tecnologia para tornar esse cuidado remoto uma realidade está sendo desenvolvida pela ONG Pró-Crianças e Jovens Diabéticos, que dá apoio a crianças pobres com diabetes tipo 1 em São Paulo e Minas Gerais.

O projeto, chamado Zelous, é patrocinado por uma empresa de telefonia celular e tem a colaboração de profissionais da área médica e de tecnologia da Unicamp.

O sistema de medicina à distância envolve também a criação de prontuários virtuais com todos os dados do paciente e de sua família, acessáveis gratuitamente pelos médicos na internet. O programa de computador que compila os dados é de domínio público.

Claudia Filatro, 45, presidente da ONG e mãe de um menino de 11 anos diabético desde os três, diz que a maioria dos doentes não tem a doença sob controle, ainda mais no caso das crianças atendidas pela entidade, cujas famílias não têm dinheiro para comprar os alimentos dietéticos.
"Com esse sistema, vamos aproximar a criança do médico", diz Filatro. Os primeiros testes devem começar no ano que vem, com crianças atendidas pela ONG.

De acordo com o endocrinologista Walter Minicucci, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, que assessora o programa como voluntário, o ideal seria que a rede pública adotasse o sistema. "Isso não é fácil, mas o desenho do projeto está caminhando bem", afirma.

Além dos cuidados remotos, a ONG está preparando aulas em vídeo para serem transmitidas pela internet para crianças e pais sobre como lidar com a doença, como com as injeções de insulina.

Nos Estados Unidos, um projeto semelhante, mas que engloba adultos diabéticos, está sendo testado em um hospital de Washington.

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE
Folha.com.br