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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Monteiro Lobato e Clarice Lispector são homenageados na Bienal do Livro


Principais temas desta Bienal, os escritores Monteiro Lobato e Clarice Lispector nortearão toda a programação do evento.

Amanhã, no espaço do Palco Literário, acadêmicos da Academia Paulista de Letras realizam uma mesa para debater vida e obra de Lobato. Entres os convidados estão Lygia Fagundes Telles e Ruth Rocha.

O criador da boneca Emília volta à cena na terça, dia 17, com a mesa "Reinações de Monteiro Lobato", que trará especialistas na produção infantil do autor.

Além de uma exposição com objetos pessoais e sua obra completa, as receitas citadas nos livros de Lobato serão assunto no dia 20 no "Cozinhando com Palavras", setor da Bienal dedicado à gastronomia.

Já Clarice será o tema da mesa que une, no sábado 14, o americano Benjamim Moser, autor de biografia sobre a escritora, e a atriz Beth Goulart, que representou Clarice no teatro. No domingo, autores comentam seus trechos prediletos da autora de "Perto do Coração Selvagem".
Segundo o conselho curatorial da feira, instituído neste ano, a escolha de ambos reforça o caráter cultural do evento.

"Nos últimos anos, a Bienal tinha perdido um pouco da consistência. A proposta da curadoria foi conciliar a ideia de encontro do mercado editorial, que é o foco do evento, com uma bagagem culturalmente relevante", diz Manuel da Costa Pinto, colunista da Folha e curador do Salão das Ideias.

MARCO RODRIGO ALMEIDA
Folha.com.br

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Livro publicado pelo Sebrae ensina como viabilizar a carreira de uma banda


Já não é de hoje que viver de música é muito mais do que uma questão de talento para compor, cantar ou tocar um instrumento. Atualmente, tão importante quanto produzir música é viabilizar uma carreira por conta própria, sem esperar que algum figurão da indústria do entretenimento o descubra e aponte o caminho do sucesso. Mas essa história da autogestão também é antiga. Por que será, então, que incontáveis músicos, bandas e cantores ainda dão murro em ponta de faca, insistindo em não se profissionalizar o mínimo necessário?

“Existe por parte dos músicos um preconceito com a atividade empresarial. É quase um mito para eles, como se arte e negócios não pudessem caminhar juntos”, avalia o jornalista pernambucano Leonardo Salazar, autor do livro Música Ltda — O negócio da música para empreendedores. O título, publicado pela editora do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), é o resultado do trabalho de conclusão de curso de Leonardo em gestão de negócios. Como ele explicou em entrevista ao Correio, o jornalismo é sua formação, mas há quase uma década ele trabalha com produção cultural. “Comecei como assessor de imprensa no festival Abril pro Rock, em 2002. Mas não fiz só isso, trabalhei também como assistente de produção. No ano seguinte, eu já estava só na produção. Até 2008, aprendi muito na prática e, claro, observando os produtores mais experientes.”

Para o livro, Leonardo direcionou o que aprendeu no curso para o ramo da música. “Fiz uma pesquisa e descobri que não temos no Brasil nada publicado quanto à ação empresarial nessa área”, observa. O diferencial de Música Ltda é justamente a apresentação dos tópicos, “traduzidos” da linguagem empresarial, específica, para uma de fácil entendimento, mais prática. “Se um músico pegar um livro de marketing ou de formação empresarial, ele provavelmente vai entender pouca coisa. Eu ensino as mesmas lições, mas de outra forma, aplicada à realidade deles”. Entre os tópicos abordados pelo livro estão desde a organização de um show até como lidar com finanças e marketing. Resumindo, como transformar um trabalho musical em uma empresa. Há, ainda, um modelo de plano de negócios para uma banda. Outras informações podem ser encontradas no recém-inaugurado blog http://www.musicaltda.com.br/.

Leonardo Salazar esclarece que existem diferentes maneiras de lidar com a questão empresarial dentro de uma banda. Algumas optam por assumirem elas mesmas a função. Outras delegam a amigos ou se associam a produtores ou empresas da área. Em Brasília é possível encontrar ambos os casos.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido deles seja o da banda Móveis Coloniais de Acaju. Os 10 integrantes conseguiram reverter o que poderia ser o maior problema do grupo, a quantidade de músicos, em sua maior qualidade. Assim, sempre trabalharam com a divisão de tarefas. E dessa forma viabilizaram incontáveis shows dentro e fora de Brasília, organizaram festivais e a produção de seus discos.

“A única coisa que a gente não fazia era emitir nota fiscal, mas em 2008 montamos o nosso escritório”, conta o baixista Fábio Pedroza. Um anos depois, eles contrataram uma consultoria para fazer um planejamento para a banda. “Aprendemos a ser 10 empresários. Hoje temos noções sobre elaboração de projetos, plano financeiro, marketing…”, continua o músico. No caso do Móveis, o produtor Fabrício Ofuji é considerado um integrante da banda. “Tem gente que toca guitarra, bateria ou baixo. O Ofuji toca a banda. O Móveis só teria chegado aonde chegou dessa forma”, afirma o baixista.

Parceria
Em associação com produtoras da cidade, a banda Trampa vem colhendo vários frutos. “Temos uma relação de parceria. Acabamos de fechar a turnê do DVD Trampa sinfônica em quatro cidades”, adianta o vocalista André Noblat. O projeto que deu origem à gravação (registro de apresentação feita em 2008, na Sala Villa-Lobos, com participação de orquestra e regência do maestro Silvio Barbato) foi orçado em R$ 180 mil, captados via Lei Rouanet.

O músico e produtor cultural André Morale começou a fazer os próprios eventos para viabilizar os shows das bandas nas quais tocou desde a adolescência. Com a experiência, passou a produzir os shows dos amigos. Anos depois, promoveu festivais. Como integrante do extinto quarteto High High Suicides, organizou uma turnê pela Argentina e Uruguai. “Um conselho que dou para as bandas é: se você acha que consegue, então ‘meta as caras’, não tenha medo. Pode parecer difícil no começo, mas não é impossível. Mas, claro, é preciso ter uma visão administrativa”. Leonardo Salazar faz coro ao brasiliense: “Além de aprender a tocar um instrumento, o músico agora tem que aprender a tocar um negócio”.

Pedro Brandt
Correiobraziliense.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Baixar livros na internet é uma das principais formas de acesso à cultura e a publicações pela juventude brasileira

Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo começou a passar por mudanças comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos hábitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e responsável por uma espécie de nova ordem mundial. A comunicação, é claro, está entre as áreas mais atingidas por essas modificações, e se processa a cada dia mais rápida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos hábitos e, agora, está fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.

Mas isso não significa que eles irão sumir das estantes e da biblioteca — pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura”, disse Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso à leitura, em que o livro digital seja pensado também na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. “O contingente de pessoas com acesso à internet e à tecnologia é grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas é irreversível”, sentencia.

A cultura digital e suas tecnologias têm permitido a digitalização de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da criação humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos últimos cinco anos, muito em função do barateamento da tecnologia, que permite a difusão da informação. Além disso, projetos estruturantes de digitalização de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade é a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de São Paulo (USP).

Lá estão disponíveis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edição de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alemão Hans Staden, que esteve duas vezes na recém-descoberta colônia portuguesa, publicado no século 16, na Alemanha e Cultura e opulência no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano João Antônio Andreoni. Ele foi um dos três jesuítas que acompanharam o padre Antônio Vieira à Bahia, em 1685. O livro é considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial — só existem três exemplares no país. “É importante frisar que a tecnologia é ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem não tem hábito pela leitura”, salienta Rosely.

Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, é uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como diário e lá coloca seus pensamentos. “As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atrás de quem os escreveu. Faço a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro”, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, três livros por semana. “Os que não dá, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro tá lá na minha mão (sic). É mais prático, não saio de casa e não contribuo para o desmatamento”, conclui.

Educação
Mesmo com a curiosidade aguçada pela interatividade promovida na internet, a educação ainda é a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de história da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da instituição, o professor executa um papel fundamental em termos de estímulo. “É na sala de aula que o aluno adquire o hábito de ler, com o professor provocando discussões, sugerindo leituras para gerar o debate”, analisa.

Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou à leitura digital. Mesmo adepto da internet há 12 anos, foi na sala de aula que o publicitário adquiriu o hábito da leitura digital. “O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler”, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo hábito. “Nas bibliotecas digitais há milhões de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente”, comemora Rodrigues.

1 - Preciosidades
A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do espólio do empresário José Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros são do século 19, todos de literatura brasileira. Lá estão quase todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis. Há ainda as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: O guarani, de José de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo dá um salto: o visitante pode conhecer um robô que lê 2,4 mil páginas por hora.

Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento também indicou que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. “Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, não tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje lê mais pelo computador”, constata Puntoni.

O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informação, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros é um fato muito recente na história do mundo. “Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual só a elite tinha acesso; na idade média só os monges. A difusão da leitura faz com que o acesso se dê em outras plataformas. Não acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: ‘não, o livro é o único objeto para praticar a leitura’. A internet vem para somar, não competir”, defende.
Glênia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cenógrafa se tornou adepta à leitura digital há dois anos, porém, não largou o hábito de comprar livros no formato tradicional. “Não abro mão de livros na minha estante. Adoro tê-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espaço físico não é problema”, diz. “Para mim, uma coisa não anula a outra. As duas têm seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que é melhor para nós”, analisa.

Sociedade cibernética
Para a presidente da CBL, o mundo digital está sendo universalizado. “É impossível hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia”, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produção literária devem estar dentro desse contexto. Afinal, são instrumentos importantes de educação e cultura. “Acreditamos que o livro impresso tem atração física, é bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuará existindo. No futuro, o que acontecerá é a convivência harmoniosa de mídias”, prevê.

Puntoni acha que daqui há um século, o livro será comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. “Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudança cultural, imagine em 100 anos”, indaga. Puntoni acredita que no próximo século os nossos descendentes vão olhar para trás e dizer : ‘aquele povo derrubava árvore para produzir livro, que loucos’! Ele afirma, porém, que as pessoas vão continuar admirando os livros físicos por conta do significado que eles têm como instrumento fundamental para a construção da cultura ocidental.

Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabará. O ator é avesso à leitura digital. “Já tentei, não funciona. Sou um leitor à moda antiga”, afirma. Para ele, o ato de ler está relacionado com o lazer .“Para mim, é importante ter o livro físico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas até escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que também é lazer”, ressalta.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Projeto implantado na zona rural da Bahia e de Sergipe usa incentivo à leitura para estimular continuidade dos estudos de 25 mil crianças


Incentivo à leitura, ao fortalecimento da identidade, a atividades culturais, à educação ambiental, à melhoria da qualidade de vida e ao aumento pelo prazer de estudar: tudo isso é muito legal!

Um projeto na zona rural da Bahia e de Sergipe encontrou um modo diferente de combater a evasão escolar, o trabalho infantil e o analfabetismo: a distribuição de 50 mil livros, que circulam em baús de sisal por escolas de 151 municípios. A ideia é, a partir do estímulo à leitura, da discussão de temas ligados às histórias e do treinamento de professores, incentivar as crianças a permanecer na nos bancos escolares.

A iniciativa, que atende 25 mil estudantes de 1.100 classes em mais de 300 escolas municipais, chama-se Baú de Leitura e foi idealizada pelo Movimento de Organização Comunitária, de Feira de Santana (BA). O projeto foi um dos 20 ganhadores do Prêmio ODM Brasil 2009, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou as práticas de organizações sociais e prefeituras que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O projeto venceu pelos Objetivos 2 (educação básica para todos), 7 (qualidade de vida e respeito ao meio ambiente) e 8 (todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento).

A coordenadora do Baú de Leitura, Vera Carneiro, explica que os baús são caixas de sisal que contêm 45 livros de histórias infanto-juvenis para jovens de 6 a 16 anos. As 1.100 caixas são itinerantes dentro dos 111 municípios da Bahia e dos 40 em Sergipe, de modo que os estudantes possam ler uma maior diversidade de obras.

As histórias lidas pelos estudantes servem de mote para professores e crianças debaterem identidade, meio ambiente e cidadania. “Para o trabalho acontecer nas salas de aula, os professores participam de um processo de formação e sensibilização. O projeto constrói leitores, tanto crianças e adolescentes quanto educadores, através das histórias lidas, contadas e discutidas”, afirma Vera. “Após a leitura, trabalham-se as diversas dimensões artísticas e criativas, proporcionando o desenvolvemos das pessoas, o fortalecimento de sua identidade, o exercício da cidadania e a busca por melhor qualidade de vida. Através do mundo imaginário das histórias infantis, as crianças criam novas possibilidades para suas vidas.”

As escolas rurais foram o foco escolhido pois nessas instituições o acesso a livros e bibliotecas é mais difícil. De qualquer modo, para a escola participar do projeto, diz Vera, é preciso que o professor responsável goste de ler e queira desenvolver o gosto pela leitura nas crianças e adolescentes.

Com apoio das prefeituras, os docentes das escolas rurais são treinados para usar o material e integrar as atividades de leitura, realizadas no horário de aula uma vez por semana, e a comunidade. “A metodologia do Baú de Leitura é participativa, envolve a família e a comunidade. As crianças leem histórias para suas famílias, apresentam as histórias e o que elas produziram a partir das histórias. Ao ler ‘O Homem que Espalhou o Deserto’, por exemplo, elas refletem sobre como está o meio ambiente da comunidade, se há queimadas e desmatamento no preparo da terra”, conta Vera.

Para incentivar as crianças a permanecerem na escola, a estratégia é mostrar-lhes uma melhor perspectiva de vida através da educação. “O projeto contribui para que as crianças não voltem ao trabalho precoce, fazendo com que a escola seja um ambiente mais prazeroso. Através do Baú de Leitura, elas encontram novas formas de viver, formando grupos de teatro, poesia, dança e outras expressões artísticas”, diz a coordenadora. “Buscamos envolver as crianças nesse espírito para que elas percebam que os estudos são mais importantes que a bolsa paga pelo governo ou o pouco rendimento [financeiro] do trabalho precoce.”

BRUNA BUZZO
da PrimaPagina
Feira de Santana, 28/04/2010