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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Crianças que têm hábito de ler se saem melhor nos primeiros anos de estudo


Isso ocorre porque, estimulando o interesse pelo significado das palavras, os pais colaboram para o desenvolvimento.

A relação da pequena Maria Beatriz Aureliano Bento, 3 anos e meio de idade, com os livros começou antes mesmo de a menina saber que eles existiam. Enquanto ainda estava na barriga da mãe, a pedagoga e professora Elem Carine da Silva Aureliano, 30 anos, ela já era acalentada por cantigas infantis e pelas histórias que o pai contava, mudando as vozes de acordo com o personagem. Depois de nascer, o vínculo se estreitou. Ela ganhou um livro feito de espuma, chamado Os sons do bebê, que reproduz barulhos familiares aos recém-nascidos. O livrinho ajudou-a a explorar os sentidos, até aprender a interpretar, a seu modo, as historinhas que ele contém. Hoje, muitas histórias depois, a menina é exemplo dos benefícios da leitura para crianças que nem sequer deixaram as fraldas.

Na hora de reconhecer a capacidade intelectual da filha, Elem Aureliano não poupa boas referências. “Ela se comunica com adultos e crianças, o vocabulário está além do normal para a faixa etária e, na escola, os professores dizem que a Maria Beatriz está à frente dos coleguinhas”, contou. E o orgulho materno não é infundado: antes de completar quatro anos, a menina já reconhece todas as letras, sabe identificar os nomes dos pais e tem noções de quantidade. Também consegue associar as letras a palavras que fazem parte do seu cotidiano. Entusiasmada com o universo que se descortina nos livros, ela aproveita os momentos de leitura da família para carregar seus livrinhos para perto dos pais. Aconchegada a eles, a pequena passa os dedinhos sobre as linhas da história, como se já estivesse lendo perfeitamente.

O bom desempenho escolar e a aceleração no aprendizado não são as únicas vantagens de quem se apega, desde cedo, ao hábito de ler. Segundo o psicólogo e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, a leitura é uma das formas mais eficazes de dar às crianças um vocabulário mais rico e o contato com uma sintaxe mais complexa. O Alfa e Beto é uma organização não governamental focada em políticas de educação. “Ainda é um processo agradável, que reforça a afetividade com a família. Além disso, vocabulário é conceito, e quanto mais se tem, mais ideias variadas se pode expressar. A sintaxe da escrita é diferente da oral e permite uma forma de pensar mais complexa e rica”, considerou.

Aprendizado
Engana-se quem pensa que textos escritos não são proveitosos para crianças ainda não alfabetizadas. Antes mesmo de dar significado à sopa de letrinhas que visualiza nas páginas, a meninada aprende a segurar um livro, entende a direção da leitura, ganha familiaridade com as sequências que compõem uma história e ainda tem contato com uma explosão de palavras e frases. “Quando está na barriga da mãe, o bebê já ouve sons, reconhece a cadência e a sonoridade das falas e até identifica o sotaque dos pais”, ressaltou Oliveira. Nessa fase, a linguagem é uma forma de transmitir calma e serenidade ao feto.

Entre quatro e cinco meses de vida, o bebê já leva os objetos à boca, até mesmo os livros, e foca a atenção em figuras nítidas. Nessa fase, ele acompanha o olhar dos pais e começa a emitir os primeiros sons que capta. Por causa do hábito de levar os objetos à boca, os livros devem ser adequados para serem folheados na água e precisam ter as pontas arredondadas, para evitar machucados. Apesar de não apreender o conteúdo, o bebê já consegue entender que existe uma linguagem. Por volta de oito meses de idade, ele começa a se interessar por fotos, formas, figuras e cores. “O mais importante nesse momento não é ensiná-lo, mas entretê-lo”, reforça o especialista.

Mas não basta estimular a inteligência, é preciso escolher as ferramentas corretas. Na fase em que crianças ainda não são íntimas do alfabeto, a literatura escolhida pelos pais deve conter cantigas, rimas, sonoridade variada e aliterações, que prendem a atenção ao ritmo. Depois de seis meses de idade, o interesse se expande para figuras de animais, imagens de outros bebês e objetos familiares. A partir dessa etapa, a criançada se fixa nos hábitos e nas atitudes que ajudam a criar uma rotina.

Desempenho superior
Segundo o presidente do instituto, estudos internacionais apontam que crianças com forte relação com os livros aos três anos de idade apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao de alunos que não receberam o mesmo estímulo. Outro levantamento aponta uma grande diferença de habilidade na fala entre as diferentes classes sociais. Há ainda um indicador que destaca que a quantidade de palavras que uma criança consegue entender aos seis anos de idade está intimamente relacionada com as notas que irá tirar na escola. Quanto mais palavras, mais motivos de se orgulhar do boletim.

Para difundir essa política da leitura no Brasil, o IAB está organizando um ciclo de debates, batizado de leitura desde o berço: políticas sociais integradas para a primeira infância em cinco capitais do país: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salvador (BA), Maceió (AL) e Recife (PE). Em Brasília, a data prevista é o dia 17 próximo. Todos os eventos serão realizados até o dia 22 e contarão com a presença de dois especialistas norte-americanos. Doutor em educação pela Universidade de Harvard e especialista em alfabetização, David Dickinson apresentará estudos científicos que relacionam a leitura precoce e o desenvolvimento da linguagem. Já a pediatra, pesquisadora, jornalista e escritora Perri Klass abordará os métodos de leitura para crianças de forma a oferecer os estímulos mais adequados a cada idade. Ela também trata do desenvolvimento de programas específicos para esse fim.

Em São Paulo, a ONG ainda fará o lançamento da Biblioteca do Bebê, dentro da Bienal Internacional do Livro, de que se realiza até o dia 22 deste mês. Nesse espaço, os pais poderão ver demonstrações de técnicas eficientes de leitura para crianças de até quatro anos. No mesmo evento, serão distribuídas cartilhas que ensinam diferentes modos de ler para crianças e uma coleção de livros será lançada. Outra novidade que promete animar os pais é o lançamento do catálogo Guia IAB de leitura para a primeira infância: os 600 livros que toda criança deveria ler antes de entrar na escola. “Queremos rever esse guia a cada dois ou três anos, separar por idade e ajudar os pais a escolherem variedade e tipo de livro, procurando contemplar livros não literários”, assegurou João Batista Oliveira.

Repetição
Aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes em um verso ou em uma frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesias, mas também pode ser empregada em prosa, especialmente em frases curtas. Um exemplo famoso é a frase: “O rato roeu a roupa do rei de Roma”.

A importância de ler para os pequenos
» O hábito ajuda a desenvolver atenção, concentração, vocabulário e memória.
» Cria um tempo de diálogo com os pais, mesmo que a criança ainda não fale.
» Ensina a identificar e a brincar com os sons das palavras.
» Desenvolve a curiosidade, a imaginação, a criatividade e a complexidade dos sonhos.
» Ajuda a perceber os próprios sentimentos, os de outras pessoas e a lidar com emoções e estresse.
» Amplia o conhecimento sobre o mundo, as pessoas, as formas, as cores e as quantidades.
» Faz conhecer históriasreais e imaginárias.
» Usa a linguagem mais próxima da linguagem dos livros e da escola.
» Ajuda a falar de livros, pessoas,coisas e situações que não se encontram aqui e agora.
» Faz perceber que os livros oferecem momentos de aprendizagem e diversão.
» Adquirire o hábito de ouvirhistórias e de ler.
» Faz pensar e desenvolver o raciocínio.
» Ajuda a adquirir conhecimentos que contribuirão para seu sucesso escolar futuro.

Como familiarizá-los com os livros:
» Leia conversando. A leitura deve ser envolvente, interativa.
» Deixe a criança pensar, falar e perguntar.
» Estimule a observação das imagens e, aos poucos, das palavras.
» Deixe a criança manusear o livro e virar as páginas do jeito dela.
» Faça perguntas e ouça as respostas da criança. Estimule, bata palmas, sorria, elogie as reações dela.
» Repita o que ela diz e acrescente uma informação nova. Se a criança diz “bola”, diga, por exemplo: “bola bonita” ou “bola vermelha”.
» Responda fazendo novas perguntas: “A menina foi embora. Para onde será que ela foi?”.
» Dê um tempo para a criança observar e pensar, antes de responder.
» Leia exatamente o que está escrito. Esteja preparado para ler e reler os mesmos livros. As crianças levam tempo para aprender e adoram repetições.
» Leia com atenção, entusiasmo e entonação adequada ao texto.
» Imite sons, faça barulhos variados.
» Leia segurando a criança no colo, no sofá, no chão, onde for mais adequado.
» Converse antes e depois de ler. Como será o livro? O que será que vai acontecer nessa história? De que você mais gostou nesse livro?
» Explore os sentimentos e as emoções. Diga o que você sente e estimule a criança a dizer o que ela está sentindo.
» Fique atento às reações. Mesmo sem falar, elas dão sinais sobreo que gosta de ver e ouvir.
» Guarde os livros ao alcance da criança.
» Ensine-a a escolher, pegar, buscar, guardar e cuidar dos livros.
» Leia sempre que a criança pedir. Se não puder naquela hora, combine outro horário.
» Estabeleça pelo menos um ou dois horários em que você vai ler para ela todos os dias. É dessa maneira que se forma o hábito.
» Leia seus poemas favoritos, cante cantigas, converse com o bebê.
» Há livros de pano e de plásticoque podem fazer parte das brincadeiras na banheira.
» Enquanto a criança come, conte histórias e mostre figuras.
» Antes de dormir, leia de forma pausada, tranquila, com ritmo mais lento.

Conheça maisPágina do instituto: http://www.alfaebeto.org.br/

Correiobraziliense.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Baixar livros na internet é uma das principais formas de acesso à cultura e a publicações pela juventude brasileira

Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo começou a passar por mudanças comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos hábitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e responsável por uma espécie de nova ordem mundial. A comunicação, é claro, está entre as áreas mais atingidas por essas modificações, e se processa a cada dia mais rápida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos hábitos e, agora, está fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.

Mas isso não significa que eles irão sumir das estantes e da biblioteca — pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura”, disse Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso à leitura, em que o livro digital seja pensado também na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. “O contingente de pessoas com acesso à internet e à tecnologia é grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas é irreversível”, sentencia.

A cultura digital e suas tecnologias têm permitido a digitalização de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da criação humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos últimos cinco anos, muito em função do barateamento da tecnologia, que permite a difusão da informação. Além disso, projetos estruturantes de digitalização de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade é a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de São Paulo (USP).

Lá estão disponíveis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edição de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alemão Hans Staden, que esteve duas vezes na recém-descoberta colônia portuguesa, publicado no século 16, na Alemanha e Cultura e opulência no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano João Antônio Andreoni. Ele foi um dos três jesuítas que acompanharam o padre Antônio Vieira à Bahia, em 1685. O livro é considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial — só existem três exemplares no país. “É importante frisar que a tecnologia é ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem não tem hábito pela leitura”, salienta Rosely.

Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, é uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como diário e lá coloca seus pensamentos. “As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atrás de quem os escreveu. Faço a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro”, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, três livros por semana. “Os que não dá, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro tá lá na minha mão (sic). É mais prático, não saio de casa e não contribuo para o desmatamento”, conclui.

Educação
Mesmo com a curiosidade aguçada pela interatividade promovida na internet, a educação ainda é a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de história da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da instituição, o professor executa um papel fundamental em termos de estímulo. “É na sala de aula que o aluno adquire o hábito de ler, com o professor provocando discussões, sugerindo leituras para gerar o debate”, analisa.

Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou à leitura digital. Mesmo adepto da internet há 12 anos, foi na sala de aula que o publicitário adquiriu o hábito da leitura digital. “O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler”, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo hábito. “Nas bibliotecas digitais há milhões de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente”, comemora Rodrigues.

1 - Preciosidades
A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do espólio do empresário José Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros são do século 19, todos de literatura brasileira. Lá estão quase todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis. Há ainda as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: O guarani, de José de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo dá um salto: o visitante pode conhecer um robô que lê 2,4 mil páginas por hora.

Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento também indicou que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. “Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, não tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje lê mais pelo computador”, constata Puntoni.

O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informação, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros é um fato muito recente na história do mundo. “Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual só a elite tinha acesso; na idade média só os monges. A difusão da leitura faz com que o acesso se dê em outras plataformas. Não acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: ‘não, o livro é o único objeto para praticar a leitura’. A internet vem para somar, não competir”, defende.
Glênia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cenógrafa se tornou adepta à leitura digital há dois anos, porém, não largou o hábito de comprar livros no formato tradicional. “Não abro mão de livros na minha estante. Adoro tê-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espaço físico não é problema”, diz. “Para mim, uma coisa não anula a outra. As duas têm seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que é melhor para nós”, analisa.

Sociedade cibernética
Para a presidente da CBL, o mundo digital está sendo universalizado. “É impossível hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia”, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produção literária devem estar dentro desse contexto. Afinal, são instrumentos importantes de educação e cultura. “Acreditamos que o livro impresso tem atração física, é bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuará existindo. No futuro, o que acontecerá é a convivência harmoniosa de mídias”, prevê.

Puntoni acha que daqui há um século, o livro será comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. “Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudança cultural, imagine em 100 anos”, indaga. Puntoni acredita que no próximo século os nossos descendentes vão olhar para trás e dizer : ‘aquele povo derrubava árvore para produzir livro, que loucos’! Ele afirma, porém, que as pessoas vão continuar admirando os livros físicos por conta do significado que eles têm como instrumento fundamental para a construção da cultura ocidental.

Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabará. O ator é avesso à leitura digital. “Já tentei, não funciona. Sou um leitor à moda antiga”, afirma. Para ele, o ato de ler está relacionado com o lazer .“Para mim, é importante ter o livro físico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas até escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que também é lazer”, ressalta.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

HQ sobre Aids, gravidez e homossexualidade será distribuído em escolas públicas

Uso de camisinha, preconceito contra homossexuais, uso de álcool e drogas e prevenção da gravidez são temas de uma série de HQs ilustradas por desenhistas da Marvel que serão distribuídas em escolas públicas que fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE).

O lançamento ocorreu na terça-feira (15/06), com a presença do ministro da Saúde José Gomes Temporão e o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny.

Desenhistas renomados como o brasileiro Eddy Barrows, atual desenhista do Superman (DC Comics), ilustraram as revistinhas. Eddy já emprestou os traços para Lanterna Verde e Spawn. Ilustrações de Júlia Bax, Edh Muller e Yure Garfunkel também podem ser vistas nas HQs.

Um guia para utilização em sala de aula pelo professor e um CD-ROM complementar – com jogos, perfil dos ilustradores, wallpapers e idéias de aplicação do material em sala de aula – vão auxiliar nos debates.

Veja trechos e imagens das revistas aqui.

Criado em 2003, o SPE é uma iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação, com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O programa tem como objetivo desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens por meio de atividades de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da infecção pelo HIV. O programa envolve a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais de alunos e gestores municipais e estaduais de saúde e educação.

Atualmente, o SPE tem grupos de trabalho integrados entre saúde e educação em aproximadamente 600 municípios.

Redação UOL Ciências e Saúde

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Casa do Saber democratiza a leitura


Todos os dias, a moradora da Estrutural Jennifer Oliveira, 6 anos, espera ansiosa pela hora de ir à Escola Classe do Setor Residencial Indústria e Abastecimento (SRIA). Lá, a garota começa a se familiarizar com o alfabeto para aprender a ler. Durante o intervalo, pula corda com as amigas. Quando chega a hora das atividades interdisciplinares, a aluna do 1º ano do ensino fundamental mergulha em páginas com desenhos e figuras coloridas. As ilustrações que ajudam o processo de alfabetização da menina ficam nos livros da biblioteca da instituição, montada pelo projeto Casa do Saber, patrocinado pela Rede Gasol.

O programa leva conhecimento a comunidades carentes e a detentos do Distrito Federal. O Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda ganhou ontem uma unidade do projeto com 5 mil livros. O espaço atenderá os 1,5 mil internos e também os servidores do local. Das 73 bibliotecas, 10 atendem detentos. “Mudamos o comportamento no Presídio Feminino do Gama”, orgulha-se o gestor do projeto, Antônio Matias. A meta é inserir salas como essas em todo o sistema penitenciário do DF.

Segundo ele, a ideia da Casa do Saber surgiu a partir de uma campanha de arrecadação de livros promovida por funcionários da Gasol. Depois de recolhido, o material era doado para a Secretaria de Educação. “Percebemos que o destino final não estava sendo cumprido e decidimos mudar”, relembra Matias. Foi assim que o projeto avançou, passando da doação de publicações para a construção de bibliotecas. “Mas não é só montar uma sala. Precisamos de técnicas para fazer a iniciativa dar certo”, explica.

Com o apoio da Associação dos Bibliotecários do DF e de outras entidades, a iniciativa completa três anos em agosto. A primeira Casa do Saber foi inaugurada em uma escola pública do Lago Oeste. O acervo da biblioteca chega hoje a 16 mil livros. “Na semana passada, fui até lá e vi 25 alunos usufruindo do espaço. Também notei que vários livros estavam emprestados”, relata. Segundo Matias, hoje, aproximadamente 160 mil pessoas são atendidas pelo programa.

Educação
A diretora da Escola Classe do SRIA, Consuelo Cintra, acredita que a biblioteca do local, batizada de Casa dos Sonhos pelos próprios estudantes, trouxe melhorias para o ensino dos 165 alunos da instituição. “Os professores ganharam um lugar para contar histórias e realizar outras atividades”, explica. Consuelo conta que, antes da inauguração da Casa do Saber, a sala de leitura do colégio funcionava de forma precária. “Não havia nem mesas e tínhamos poucos livros. Agora, conseguimos enriquecer o nosso acervo”, justifica.

Há, no espaço, livros didáticos e de literatura infantil. A presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, a coordenadora técnica do projeto, Iza Antunes, conta que antes de idealizar uma nova unidade, a equipe analisa o perfil dos futuros usuários e define as obras mais indicadas àquele público. A instituição beneficiada precisa somente ter o espaço livre e disponiblizar um funcionário para administrar o local. De acordo com ela, a Gasol promove cursos de capacitação para os interessados em atuar na área, com aulas ministradas por profissionais da associação.

“Nunca compramos um livro. O acervo é todo formado por doações”, conta Matias. O coordenador operacional do projeto, Rivelino Braga, calcula que aproximadamente 20 mil livros sejam arrecadados por mês somente no DF. As cidades de Cascavel (CE) e Impertariz (MA) também já ganharam unidade do projeto. Além disso, a Casa do Saber enviou 20 mil publicações para Angola. “Pretendemos integrar o material todo em uma mesma rede”, adianta Rivelino.

O projeto em números
73 - número de bibliotecas
10 - bibliotecas em presídios do DF
1,6 milhão - Quantidade total de livros
160 mil - Pessoas atendidas por mês

FAÇA SUA PARTE
A Casa do Saber precisa atualmente de livros infantis, mas publicações de outros assuntos também são bem-vindas. As doações podem ser feitas nos postos de combustíveis da Rede Gasol.

A equipe do projeto também busca o material no local determinado pelo doador mediante agendamento pelo telefone: 0800 61 4553.

Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Projeto implantado na zona rural da Bahia e de Sergipe usa incentivo à leitura para estimular continuidade dos estudos de 25 mil crianças


Incentivo à leitura, ao fortalecimento da identidade, a atividades culturais, à educação ambiental, à melhoria da qualidade de vida e ao aumento pelo prazer de estudar: tudo isso é muito legal!

Um projeto na zona rural da Bahia e de Sergipe encontrou um modo diferente de combater a evasão escolar, o trabalho infantil e o analfabetismo: a distribuição de 50 mil livros, que circulam em baús de sisal por escolas de 151 municípios. A ideia é, a partir do estímulo à leitura, da discussão de temas ligados às histórias e do treinamento de professores, incentivar as crianças a permanecer na nos bancos escolares.

A iniciativa, que atende 25 mil estudantes de 1.100 classes em mais de 300 escolas municipais, chama-se Baú de Leitura e foi idealizada pelo Movimento de Organização Comunitária, de Feira de Santana (BA). O projeto foi um dos 20 ganhadores do Prêmio ODM Brasil 2009, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou as práticas de organizações sociais e prefeituras que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O projeto venceu pelos Objetivos 2 (educação básica para todos), 7 (qualidade de vida e respeito ao meio ambiente) e 8 (todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento).

A coordenadora do Baú de Leitura, Vera Carneiro, explica que os baús são caixas de sisal que contêm 45 livros de histórias infanto-juvenis para jovens de 6 a 16 anos. As 1.100 caixas são itinerantes dentro dos 111 municípios da Bahia e dos 40 em Sergipe, de modo que os estudantes possam ler uma maior diversidade de obras.

As histórias lidas pelos estudantes servem de mote para professores e crianças debaterem identidade, meio ambiente e cidadania. “Para o trabalho acontecer nas salas de aula, os professores participam de um processo de formação e sensibilização. O projeto constrói leitores, tanto crianças e adolescentes quanto educadores, através das histórias lidas, contadas e discutidas”, afirma Vera. “Após a leitura, trabalham-se as diversas dimensões artísticas e criativas, proporcionando o desenvolvemos das pessoas, o fortalecimento de sua identidade, o exercício da cidadania e a busca por melhor qualidade de vida. Através do mundo imaginário das histórias infantis, as crianças criam novas possibilidades para suas vidas.”

As escolas rurais foram o foco escolhido pois nessas instituições o acesso a livros e bibliotecas é mais difícil. De qualquer modo, para a escola participar do projeto, diz Vera, é preciso que o professor responsável goste de ler e queira desenvolver o gosto pela leitura nas crianças e adolescentes.

Com apoio das prefeituras, os docentes das escolas rurais são treinados para usar o material e integrar as atividades de leitura, realizadas no horário de aula uma vez por semana, e a comunidade. “A metodologia do Baú de Leitura é participativa, envolve a família e a comunidade. As crianças leem histórias para suas famílias, apresentam as histórias e o que elas produziram a partir das histórias. Ao ler ‘O Homem que Espalhou o Deserto’, por exemplo, elas refletem sobre como está o meio ambiente da comunidade, se há queimadas e desmatamento no preparo da terra”, conta Vera.

Para incentivar as crianças a permanecerem na escola, a estratégia é mostrar-lhes uma melhor perspectiva de vida através da educação. “O projeto contribui para que as crianças não voltem ao trabalho precoce, fazendo com que a escola seja um ambiente mais prazeroso. Através do Baú de Leitura, elas encontram novas formas de viver, formando grupos de teatro, poesia, dança e outras expressões artísticas”, diz a coordenadora. “Buscamos envolver as crianças nesse espírito para que elas percebam que os estudos são mais importantes que a bolsa paga pelo governo ou o pouco rendimento [financeiro] do trabalho precoce.”

BRUNA BUZZO
da PrimaPagina
Feira de Santana, 28/04/2010