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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Deficientes visuais descobrem pelo tato como são os animais expostos

As crianças, em meio a animais empalhados do Museu de Taxidermia, puderam tocá-los: sensações nunca antes experimentadas ajudam a formar uma imagem visual Passear pelo Zoológico de Brasília nunca foi tão divertido para um grupo de crianças deficientes visuais. Ontem pela manhã, 16 meninos e meninas entre quatro e 11 anos do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais enfrentaram mais uma prova de coragem. Mesmo com as limitações visuais, eles arriscaram passar a mão em animais como girafas, tartarugas e até em serpentes vivas. Tudo foi feito com a supervisão de monitores experientes do zoo. O Museu de Taxidermia, onde 420 animais estão empalhados, foi o último espaço por onde as crianças passaram e experimentaram emoções nunca antes vividas. No local, os pequenos tocaram uma onça, um jacaré, um lobo-guará e um papagaio, entre outros espécies.

Wesley Lima Dias, 7 anos, era um dos mais animados. Um dia antes da visita, ele demonstrou empolgação, mas na hora de tocar nos bichos ficou receoso. O medo, entretanto, durou poucos minutos: Wesley resolveu se soltar e segurar firmemente um jacaré empalhado. Depois de perceber que ele não podia lhe fazer mal nenhum, o menino não hesitou em passar os dedos entre os dentes afiados do réptil. Wesley perdeu a visão aos cinco anos, por causa de um tumor maligno originário de células da retina chamado retinoblastoma. Morador de Águas Lindas de Goiás, ontem foi a primeira vez que Wesley esteve em um zoológico. Para sua mãe, a dona de casa Ivaneide Batista Dias, 33, a experiência não poderia ser melhor. “Ele estava muito ansioso para pegar na onça, mas quando chegou aqui (no zoológico), ficou com muito medo. Mesmo assim, pegou nela”, contou Ivaneide.

Para o monitor Matheus Reino, 22 anos, o toque nos animais permite a formação de imagens no cérebro das crianças. “Muitos sabem o que é um gato ou um cachorro porque estão sempre convivendo com eles em casa, mas a girafa só dá para saber que é grande. Não dá para tocar”, comparou. “O deficiente visual, quando toca algo, passa do abstrato para o concreto. Passa a ter uma imagem real em sua cabeça”, explicou a professora de atividades do colégio, Cláudia Maria Rodrigues de Souza.

Outra criança que estava sorridente era a pequena Sara de Oliveira Ferreira, 6 anos. Ela contou as patas do lobo-guará. “Um, dois, três, quatro”, enumerou, enquanto tocava cada membro do animal. Adriel de Azevedo, 5 anos, e Gustavo Cotrim de Assis, 4, não desperdiçaram nenhum momento ao lado da onça. Posaram para fotos e acariciaram o felino empalhado da cabeça aos pés. “Ele é peludo”, resumiu Adriel, timidamente. “Queria levar um desses para mim”, disparou outro coleguinha que acariciava um papagaio. Segundo a coordenadora de educação infantil do centro de ensino especial, o passeio teve cunho pedagógico e social. “Para eles é muito importante tocar no animal para poder formar uma imagem visual. Até então, tudo era abstrato. Foi um aprendizado muito grande, com certeza”, destacou.

Projeto ToqueA visitação de adultos e crianças portadores de necessidades especiais ao Zoológico de Brasília ocorre todos os meses. São grupos de 50 a 100 pessoas que circulam livremente pelo espaço onde podem ser vistos animais de várias espécies. O Museu de Taxidermia surgiu há seis anos com o Projeto Toque, elaborado pela direção do zoológico para atender o público deficiente visual. “A gente leva a pessoa para áreas onde o visitante comum não tem acesso. O museu permite transmitir algumas informações sobre animais silvestres a quem tem alguma dificuldade visual”, explicou o diretor do zoológico, Raul Gonzales.

Segundo ele, várias experiências positivas foram verificadas ao longo do projeto. “Eu já fui testemunha de um deficiente visual que pediu para desenhar um tamanduá-bandeira sem tocar no animal. O desenho saiu sem sentido algum. Depois de tocar o tamanduá, ele pediu para desenhar de novo e a imagem saiu completamente diferente da primeira”, contou Gonzales.
Para melhorar ainda mais as condições de visitação, até o fim deste mês, o zoológico ganhará dois grandes mapas em Braille para ajudar a orientar os deficientes visuais. Cada um, ao custo de R$ 1 mil, foi feito de resina por uma empresa especializada de Brasília. Por meio do tato, os deficientes visuais poderão saber onde estão todos os bichos. Um desses mapas ficará logo na entrada e outro, no meio do parque.

Mara Puljiz
Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma Copa do Mundo pela paz



Quatro da tarde, terça-feira, 29 de junho. Um público numeroso já chega ao Parque Jean-Marie Vincent, próximo ao bairro La Saline. No campo, crianças de 11 e 12 anos vestidas com camisas amarelas de golas verdes e com shorts azuis - como a seleção brasileira de futebol.

Do outro lado, já estão posicionadas outras crianças, com camisas vermelhas e shorts azuis, cores da seleção chilena. Todos fazem os últimos movimentos de aquecimento, só aguardando o apito inicial. Duas equipes que estão prontas para a batalha no campo: trata-se da qualificação para as quartas-de-final da competição.

Nestas oitavas-de-final se enfrentaram o Brasil, vindo da região de Pont-Rouge, e o Chile, de La Saline. A partida faz parte do campeonato "Petit Mondial” (Pequeno Mundial), uma espécie da reprodução da Copa do Mundo da Fifa, na África do Sul. O torneio reuniu 32 equipes de localidades pobres da região do Grande Bel Air e das redondezas, que representam as 32 seleções que disputaram o mundial de futebol.

No mesmo Parque Jean-Marie Vincent, a mini-seleção da Itália, vinda da região de Saint-Martin, encara o Japão de Bel Air. Em outro campo, a Eslováquia de Delmas 2 pega a seleção de Camarões, da rua de Césars, outro sub-bairro de Bel Air. Assim como na Copa do Mundo, algumas equipes vão sendo eliminadas ao longo do torneio. Mas aquelas que continuam vivas na África do Sul são, em sua maioria, diferentes das que participam da mini-Copa.

Cada time tem 15 jogadores entre 11 e 13 anos, formando um total de 480 atletas. O Viva Rio disponibilizou um médico da organização para fazer uma avaliação da saúde das crianças e o acompanhamento médico dos jogadores, que recebem ainda um lanche antes das partidas e, após o jogo, um prato de comida.

Além disso, utilizando a verba recebida pelas equipes de futebol, cada localidade decorou suas ruas e casas com as cores do país que está representando na mini-Copa. Após a competição, o lugar com a ornamentação mais bonita – e que tenha mantido a rua limpa durante o período da competição – será premiado com a quantia de US$ 500 e receberá uma grande festa com atrações culturais e musicais.

Para Daniel Delva, responsável pela área de Relações Comunitárias do Viva Rio, os jogos atraem multidões. "Em torno dos quatro campos de futebol onde acontecem as partidas, o que predomina é o entusiasmo e alegria do povo", garante.

Como se defendessem de fato o país de seu uniforme, as equipes dão duro e mostram seu comprometimento. Os técnicos das minisseleções do Chile, François Dominique, e do Brasil, Reginald Auguste, são exemplo disso: eles estão a todo momento gritando e orientando seus pupilos para que marquem, ataquem e defendam.

Mas toda esta motivação está relacionada também às recompensas que aguardam as três equipes mais bem colocadas no campeonato. Além dos troféus e medalhas, os 45 jogadores que formam estas três seleções ganham, cada um, uma bolsa de estudo no valor de US$ 130. Os jogadores que demonstrarem verdadeiro talento para o esporte serão apoiados pelo Viva Rio e integrarão o programa "Em busca de talentos esportivos", que já treina 45 outros atletas de destaque em sua escolinha de futebol.

Quem financiou com US$ 37.813 esta mini-Copa do Mundo haitiana foi a Seção de Redução da Violência Comunitária (RVC) da Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti. Para os organizadores deste torneio, trata-se de aproveitar o ambiente criado pela Copa do Mundo da Fifa para organizar atividades lúdicas e recreativas. E quem lucrou de verdade com o torneio foram os habitantes de Bel Air e de suas redondezas.

Estas atividades têm o objetivo de consolidar laços sociais e buscar o desenvolvimento de uma cultura de paz na comunidade da Grande Bel Air. É importante desenvolver o espírito de cooperação e de troca entre as pessoas de diferentes localidades da região, de incutir nos jovens o senso de ética esportiva, de estimulá-los a trabalhar duro para aprimorar seus talentos, em vez de recorrer à vida fácil e se envolver em maus caminhos.

A implantação do projeto é assegurada pelo Viva Rio - presente no Haiti desde 2007 e que concentra suas atividades na zona de Bel Air e vizinhanças e trabalha com crianças em situação de risco social - e tem o apoio da organização haitiana Renaissance Film. Outro parceiro que também contribuiu para a realização do torneio foi o Fórum Comunitário de Bel Air, que se comprometeu com o planejamento das atividades e com a seleção dos jovens participantes.
Por Faustin Caille
Comunidadesegura.org.br

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Guia mostra lado social dos jogos da Copa

A primeira Copa do Mundo realizada na África traz um número recorde de seleções do continente: além das cinco vagas destinadas às nações da região desde 1998, há a reservada para a sede, África do Sul. Por isso, aumentam as expectativas de que esses países, em maior número e jogando em casa ou perto de casa, obtenham o melhor resultado do continente na história dos Mundiais. Dos 18 campeonatos anteriores, os africanos estiveram presentes em 11, e chagaram no máximo até as quartas de final (Camarões, em 1990, e Senegal, em 2002).

É nesse desafio que estarão de olho torcedores de várias partes do mundo a partir desta sexta-feira, em especial os africanos, sobretudo os das seleções que participam da Copa (Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Nigéria, além da África do Sul).

O continente, no entanto, enfrenta outros desafios, ainda mais difíceis e ainda mais importantes. É sobre esses que se debruça um guia alternativo para a Copa, chamado Scoring for Africa (“marcando gols para a África”, em tradução livre), lançado nesta semana por Kofi Annan, presidente do Painel para o Progresso da África e ex-secretário-geral da ONU, e por Didier Drogba, atacante da Costa do Marfim e embaixador da Boa Vontade do PNUD.

O guia analisa as estatísticas sociais e econômicas — e também de futebol — dos países envolvidos nos 12 jogos da primeira fase em que há alguma seleção africana. Assim, ao lado da posição dos países no ranking da Fifa, há a colocação em outras listas, como a do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), da percepção de corrupção, do desempenho ambiental e da competitividade. As tabelas dos jogos também trazem números do PIB (Produto Interno Bruto), da emissão de gás carbônico e da expectativa de vida, entre outros. Além disso, é feita uma avaliação dos pontos positivos (os “chutes a gol”) e negativos (“chutes para fora”) na relação entre as duas nações envolvidas em cada jogo, e uma lista de “faltas” cometidas pelos dois lados. O guia traz ainda um “plano de jogo”, com sugestões do que pode ser feito para que a parceria entre os países possa aprimorar o desenvolvimento.

Brasil contra Costa do Marfim

Na única partida entre o Brasil e um país africano na primeira fase (contra Costa do Marfim, em 20 de junho), a tabela mostra que os brasileiros ficam em primeiro lugar no ranking da Fifa, mas em 75º no IDH. O país africano é o 27º no futebol e o 163º no índice criado pelo PNUD. Entre os “chutes a gol” estão a ajuda humanitária brasileira a nações do continente (incluindo Costa do Marfim), a expansão do comércio exterior entre o Brasil e a África e a participação de militares brasileiros da Missão das Nações Unidas para a Costa do Marfim.

Nos “chutes para fora”, o guia afirma que “o Brasil pode fazer mais para compartilhar sua experiência única de desenvolvimento com países como a Costa do Marfim, particularmente nas áreas de transferência de renda, segurança alimentar, educação rural e industrialização”. A publicação aponta ainda que a nação africana está longe de alcançar a maioria dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e que o Brasil, embora tenha avançado muito, pode não cumprir algumas metas.

Entre as “faltas”, o guia aponta que o governo provisório marfinense postergou várias vezes a realização de eleições, que nos dois países o combate ao comércio ilegal de joias é fraco e que ambos “não têm sido capazes de deter as altas taxas de desmatamento”.

Jogo injusto

Na apresentação, Kofi Annan e Didier Drogba fazem uma cobrança enfática aos países ricos. “O fato é que muitos países africanos e em desenvolvimento ainda estão em grande desvantagem. Eles não têm permissão de competir internacionalmente em um campo nivelado, com um árbitro imparcial e uma série de regras e normas claras e aceitas. Longe disso; de fato, eles têm sido pesadamente penalizados. O que seria um escândalo no mundo do futebol é ainda algo comum na sociedade das nações”, escrevem os dois.

Eles criticam, por exemplo, que os países pobres não têm responsabilidade nas mudanças climáticas, mas são os que mais sofrem com elas. Reclamam também das regras em áreas como mercado exterior, tecnologia, recursos financeiros, migração e direito autoral, que “tornam ainda mais difícil” a tarefa de promover o desenvolvimento.

“Jogadores e torcedores, sejam de Midrand, Manila, Manchester ou Montevidéu,entendem a importância do jogo justo e de um árbitro imparcial. Nós acreditamos intensamente que esse entendimento não deveria se limitar ao modo como os países jogam, correm e marcam gols uns contra os outros, mas também ao modo como eles fazem negócios e política uns com os outros; que o espírito da Copa do Mundo deveria ser estendido às relações econômicas e políticas entre os países; que a celebração de nossa humanidade comum não deveria se limitar a um mês a cada quatro anos”, afirmam Annan e Drogba.

Acesse o guia (em inglês):
http://www.africaprogresspanel.org/worldcup/APP_World_Cup_2010_Guide_June_7_Final_OK.pdf

Da PrimaPagina

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Projeto busca tirar jovens da trilha da violência


Adolescentes participantes do Protejo, programa do Ministério da Justiça, aprendem no picadeiro que a vida pode ser bem diferente da realidade das cidades onde vivem, consideradas as mais violentas do DF.

Robson Gomes de Oliveira é um rapaz esguio e habilidoso. Tem 20 anos. A maior parte deles vividos na Estrutural. Tem 13 irmãos. No começo, quando não conhece com quem conversa, fala baixo e pouco. Depois de verificar o caráter do outro, conta com desembaraço os problemas que já teve ou que ele mesmo criou. Não demonstra autopiedade tampouco vanglória. Passa a impressão de que sabe o que é certo e errado e que, há pouco tempo, finalmente pôs os pés no chão. Robson esteve em maus lençois no passado. Usou drogas, abandonou a escola, farreou muito e nunca pensou que o futuro lhe reservasse grande coisa. Até o dia em que um carro de som passou por ele anunciando a abertura das inscrições, na Estrutural, para o Projeto de Proteção de Jovens em Território Vulnerável (Protejo), do Ministério da Justiça, executado pela ONG Saber. Uma descrição acurada da situação dele. Resolveu tentar a sorte e se cadastrou.

“Pensei que eu não ia conseguir. Muita gente queria”, admite. Contrariando o prognóstico, seu nome constava da lista de aprovados. A proposta do Protejo é tirar os jovens da trilha da violência usando a educação, a cultura e o esporte. O programa está presente na Estrutural, no Itapoã e em Arapoanga — consideradas as cidades mais violentas do Distrito Federal — e tem oficinas dos mais variados temas, além de aulas de informática. “Quando entrei, tinha gente que morria de medo de mim”, revela. Fez algumas oficinas, mas se encantou pelas aulas de hip-hop. O Protejo auxilia os alunos com uma bolsa de R$ 100 por mês.

Foi curto o tempo que ele levou para mudar de atitude: “Eu estava perdido antes de entrar no curso. Depois, comecei a me afastar de pessoas que faziam coisas erradas, que não queriam nada com a vida”. A escolha foi sábia. Mais de um ano depois, seu desempenho foi tão satisfatório que Robson foi convidado a participar de uma oficina e se apresentar na Universidade Livre do Circo, a Unicirco, criada pelo ator e notório circense Marcos Frota e atualmente montada ao lado da Biblioteca Nacional. “As pessoas com quem eu andava naquela época morreram ou estão presas”, diz. Robson se salvou. Na quarta-feira, jogou capoeira pela primeira vez na Unicirco para uma plateia de 2.500 pessoas. “Tem sido uma experiência maravilhosa. Posso aprender cada vez mais.”

O Robson de antes são águas passadas. O circo vai embora na segunda-feira e, se ele pudesse, iria junto. Mas vai ficar e, pela primeira vez, ele tem planos para o futuro. Quer voltar a estudar — só chegou até a 8ª série — e ter uma profissão. “Quero fazer o curso de vigilante. Quero fazer tudo certo daqui pra frente.” Se um dia ele foi considerado má companhia, hoje ele tem convicção de que é um exemplo de superação.

Sui generis
O picadeiro no qual Robson executa piruetas e mortais é o mesmo em que Helber Rocha de Oliveira ginga bolas ou claves em malabarismos. “Eu sou essa peça rara aqui”, se autodenomina o jovem de 18 anos. Faceiro e sorridente, ele faz as manobras com os três elementos parecer muito fácil. Talvez porque para ele tenha sido. Dominou os malabares em uma semana. Gostou tanto que levou o equipamento para treinar em casa, em Arapoanga, um dos bairros de mais alta criminalidade em Planaltina.

Helber, assim como os 1.783 adolescentes atendidos pelo Protejo entre janeiro de 2009 e fevereiro deste ano, conhece de perto a violência. Aprendeu com as oficinas e com a Unicirco que as escolhas certas podem levá-lo a um lugar melhor. “O Protejo me ensinou a persistir, a ir até o fim. A acreditar que as coisas podem ser diferentes. Meu pensamento mudou, minhas amizades mudaram”, afirma. Helber voltou a estudar, quer terminar o 2º grau. Hoje, ele pode fazer malabarismos, mas agora sabe que não precisa passar o resto da vida se equilibrando em uma corda bamba. Quer crescer e jura que vai investir em um sonho antigo: ser professor de Educação Física.

Filho de Marcos Frota e diretor artístico do circo, Apoena Frota acredita no potencial transformador da arte. “A Unicirco tem um mote: um projeto artístico com atitude social. A gente tem a pedagogia da convivência, você está o tempo todo aprendendo. Por onde a Unicirco passa, a gente propõe essa filosofia. O Protejo e a Unicirco têm uma afinação de alma”, analisa. Segundo o coordenador artístico e pedagógico dos espetáculos, Richard Moreno, muitos jovens do Protejo chegam ao circo sem acreditar que vão conseguir fazer o que os profissionais fazem, mas, com o incentivo certo, chegam lá. “Ver esses meninos fazendo malabares com apenas duas semanas de prática, isso prova um ponto para nós e para eles. Mostra que eles são capazes”, diz.

Ariadne Sakkis
Correiobraziliense.com.br