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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Narração de contos ajuda na aprendizagem e aproxima pais e filhos


Sophia Rey, 4, até se esqueceu que tinha acabado de ralar o joelho. Sentada numa roda com outros 11 colegas da mesma idade, a menina só voltou a piscar quando a professora e contadora de histórias Suzana Moreira acabou de ler o conto.

Todos os dias, a turma de Sophia, no colégio São Domingos (zona oeste de São Paulo), participa de uma roda de histórias como essa.
A repetição da atividade tem um objetivo. De acordo com Vicentina de Carvalho, professora da PUC-Minas especializada em alfabetização, na idade de Sophia, ouvir histórias é fundamental.

Na fase que antecede a alfabetização, diz a especialista, a narração de histórias desenvolve a criatividade, o raciocínio, o vocabulário, o repertório cultural, ajuda a construir valores e ainda estimula o gosto pela leitura.

Ilan Brenman, escritor de livros infantis, contador de histórias e doutor em educação, concorda que todos esses efeitos sejam importantes, mas ressalta que eles devem ocorrer naturalmente.

"Procurar uma intenção pedagógica [no ato de contar história] faz com que a literatura perca sua força", diz.

Para Brenman, o que de mais valioso o ato de contar histórias traz é a aproximação entre as gerações.

"Em um mundo em que os pais trabalham 15 horas por dia, parar alguns instantes para contar história é uma demonstração de amor."

Se não é fácil para os pais encontrar um espaço na rotina para contar histórias, para os filhos não é diferente.

"Disputamos a atenção deles com a televisão e com o computador, que são mais sedutores", diz Vicentina de Carvalho, da PUC-Minas.

Para criar um universo à parte e capturar a atenção das crianças, os contadores usam algumas táticas.

Na turma de Sophia, por exemplo, Suzana e os alunos cantam uma música introdutória que eles associam como "a hora de prestar atenção".

Em casa, é preciso desligar a televisão e colocar as crianças em um lugar confortável, diz Elaine Gomes, responsável pelo curso de contadores de história no Senac-SP.

Para o aprendizado das crianças, uma história tanto pode ser contada ou lida. As duas formas, afirma Carvalho, desempenham um papel importante na alfabetização.

"A história contada é a que mais desperta o imaginário. Ela exige do contador um tom de voz diferente", diz.

Já a história lida ajuda as crianças a fazerem uma associação entre o som que ouvem e o desenho da letra.

Mas os contos não são usados só com crianças. Segundo Gomes, seu curso de contação de história para professores recebe envolvidos em todas as etapas do ensino.

Em sala, ela leciona história da arte para adultos de um curso tecnológico e usa a técnica. "O conto motiva todas as idades."

PATRÍCIA GOMES
Folha.com.br

Mineiro aprendeu a ler aos 16 anos e hoje mantém programa de alfabetização


A Rodoviária do Plano Piloto foi a casa de Elias Silva. Durante uma semana, ele morou com a mãe, Maria, e seis irmãos no local que serve apenas como passagem para milhares de pessoas. Eram homens, mulheres e crianças, em um ir e vir sem fim. Assim como outras, a família de Elias não ia embora.

Mesmo com fome, mendigar não se fazia uma opção. Era 1971, ano de seca cruel em Januária, Minas Gerais, de onde vieram os Silvas. Havia apenas uma esperança de sobrevivência. Ela se chamava Brasília. Hoje, aos 44 anos, quase 40 anos depois, Elias — que se alfabetizou aos 16 — é o criador do projeto Casa de Paulo Freire, em São Sebastião.

Ensina idosos e adultos a ler e a escrever, sem cobrar nada. Mais de 2 mil pessoas saíram da escuridão da falta de conhecimento. Aprenderam a decifrar a vida por meio da escrita e da leitura com os ensinamentos de Elias.

A história do educador, porém, começou distante daqui. Em 22 de maio de 1966, à meia-noite, Elias nasceu. Veio ao mundo como filho de um marceneiro, João, com a lavradora Maria. O casal era semialfabetizado. “Sem o consentimento da minha mãe, meu pai adotou uma política: a filha mais velha cuidava dos irmãos mais novos enquanto esses não completassem a idade de trabalhar na roça, 5 anos. Nada de escola: a enxada era nosso lápis e o chão, nosso caderno”, lembrou Elias.

A vida piorou ainda mais quando o pai abandonou a família. “A seca castigou a cidade. Não tinha mais vegetação. Um dia acordei e vi minha mãe chorando. Meu pai não estava mais lá. Ficamos nós e os sacos de arroz, milho e farinha da safra passada. Minha mãe não aguentava ver os vizinhos passando fome e dividia o pouco que tínhamos com eles. Tivemos que vender nossa casa. Mas o dinheiro só deu para pagar as dívidas. O novo dono nos deu 30 dias para sair de lá”, relatou Elias, com os olhos cheios d´água.

Retirante
Maria queria tirar os filhos do pesadelo. Veio sozinha a Brasília para conseguir trabalho, mesmo sem ter onde morar. “Eu vou, mas volto logo para buscar vocês. Conforme o alimento for acabando, façam o revezamento”, ordenou a mãe. O revezamento era assim: dividiam-se os alimentos pelos dias do mês. Se a quantidade de comida durasse 20 dias, os outros 10 seriam de fome.

Para isso não acontecer, as alternativas eram: comer dia sim, dia não. Os mais velhos deviam abrir mão do alimento para os mais novos comerem. “Foram oito dias de fome. No primeiro dia, você sente uma dor terrível no estômago. Depois, essa dor triplica. Você sente calafrios, a boca seca, a vista escurece. No quarto dia, a dor vai passando lentamente. Você perde os reflexos. Começa a ver miragens. Não sente mais a língua na boca. É a morte chegando.”

A mãe só conseguiu voltar um mês depois. Encontrou os filhos quase mortos. Elias precisou ser internado. Depois, seguiram para Brasília. “Eu nunca tinha andado de ônibus, nem meus irmãos. Nunca tinha ido à cidade, nem visto um carro. Meu coração batia muito forte”, lembrou. No momento da partida rumo à capital, Elias começava a reescrever o próprio destino.

Viveu uma via-crúcis particular. “Chegamos em 23 de dezembro, à noite. A cidade iluminada pelas luzes de Natal nunca saiu de minha memória. Confesso que a claridade mais forte que eu conhecia era de lamparina. Quando vi aquela quantidade de luz, antecipei a frase de Renato Russo: ‘Meu Deus, mas que cidade linda’. Os letreiros do Conjunto Nacional me deixaram fascinado”.

Desabrigados
Mas a alegria durou pouco. “Meu irmão de 14 anos conseguiu emprego em uma fazenda. Nós poderíamos morar lá. Só por isso minha mãe buscou os filhos. Mas quando chegamos, o dono da fazenda mudou de ideia. Disse que era criança demais. Assim, fomos para a Rodoviária.” Lá, a mãe de Elias, Maria, conheceu um grupo de retirantes na mesma situação.

“Minha mãe chorava muito, eu ficava inconformado. Um dia, escondido, eu saí para pedir comida com o pessoal. Uma senhora de olhos azuis me atendeu. Fiquei nervoso, com fome, desmaiei. A mulher era médica. Me deu roupa e sapatos do filho dela para calçar. Me levou para casa. Deu emprego para minha mãe. Dona Marília mudou nossas vidas.”

Elias, aos 8 anos, começou a tomar conta do jardim da casa de dona Marília. “Um dia ela perguntou o que gostaria de ganhar como presente de Natal. Eu nem sabia o que era Natal, respondi que queria um carrinho de mão, ela achou estranho. Mas eu queria trabalhar.” Com o carrinho, Elias fazia frete na feira, melhorava o jardim e catava estrume no cerrado para fazer adubo. “Mas eu via crianças indo à escola e pensava: alguma coisa boa tem lá.”

Vitória
Somente em 1982, aos 16 anos, Elias pisou em uma escola pela primeira vez. Alfabetizou-se em um colégio público do Guará. Depois de aprender a ler e a escrever e começar um supletivo, Elias decidiu ensinar aos idosos na própria casa. “Eu queria que as pessoas experimentassem o mesmo que eu.” Um amigo soube da iniciativa e presenteou Elias com um livro de Paulo Freire, chamado Pedagogia do oprimido. “Toda a minha história estava ali. O livro mudou a minha vida. Falava algo assim: ‘O oprimido hospeda em si o opressor. A única forma de expelir isso de você é o conhecimento’”.Desde então, Elias e a esposa, Herlis, dedicam-se a levar conhecimento para idosos e adultos, em São Sebastião. As aulas ocorrem na garagem de casa, das 19h às 21h. O método é o construtivismo. “Aluno e professor devem construir alguma coisa nova. A bagagem cultural de quem estuda é levada em consideração. Ler e escrever é um detalhe, o mais importante é a mudança de consciência”, avalia. Em março, Elias concluiu o curso superior de pedagogia, graças a uma bolsa de estudos. Agora, segue rumo à pós-graduação. Ele não para, o conhecimento também não. Em breve, uma unidade da Casa de Paulo Freire será inaugurada em Ceilândia

Leilane Menezes
Correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Projeto leva crianças de escolas públicas para conhecer a obra de Chopin

Era teatro. Teatro infantil. Mas nunca foi tão real. Pela intensidade, pela reação de quem assistia. Real pela emoção genuína. Centenas de crianças ali pela primeira vez. Olhos vidrados, completamente abertos. Tudo novo. Comoventemente mágico, apesar de muito real. No palco, atores e a música que sai de um piano contarão a história de um certo Frédéric Chopin, que nasceu muito longe do lugar de onde aqueles meninos e aquelas meninas vieram.

E a peça vai começar. Um dos atores narra, para explicar o início do espetáculo: “E o menino Chopin conheceu o piano...”. Todas as poltronas do teatro estão lotadas. No palco, o menino se encanta pelo fascínio que seu coração experimenta quando os dedos magricelas tocam nas teclas do piano. Na plateia, silêncio. O ator, na verdade um cantor de ópera que representa, fala: “O menino Chopin aprendeu que o piano fala”. Risos entre os ilustres convidados. Eles pensaram: “Como pode um piano falar?”.

O ator continua: “O piano fala, pode nos dizer coisas alegres ou tristes”. Sabrina Rodrigues, 8 anos, extasiou-se com a descoberta de que um piano “pode falar” e, sem tirar os olhos do espetáculo, disse: “Eu acho linda a música”. Repórter chato. Hora mais inconveniente para se perguntar o que quer que seja. Vanessa Rocha, também 8, limita-se a dizer: “Parece mágica”.

A peça segue. O ator conta: “O menino Chopin, que não era mais tão menino assim, estudou música, fez grandes amigos, grandes músicas e teve também grandes perdas. Emília, sua irmã, morre. E o menino Chopin aprendeu que tudo na vida deve passar. Até a tristeza. É isso, a tristeza um dia também deve passar”.

No palco, atores representam e uma pianista toca as canções compostas pelo então rapaz Chopin. O cantor diz: “E o menino Chopin, que já não era tão menino assim, se fez gente grande e se mudou da Polônia, sua terra natal, para a capital dos pianos e da música. Foi morar em Paris, na França”. Um lugar tão longe que chega a ser improvável para aquelas crianças que assistiam ao espetáculo e saíam, pela primeira vez, do Itapoã.


Para sempre

Em Paris, Chopin tornou-se elegante, deu aula de piano, estudou e compôs como nunca. Inclusive suas famosas valsas. E se apaixonou. Keven William, 8 anos, ajeita os óculos, para enxergar melhor. “Nunca vim num teatro. Nunca tinha ouvido música clássica. Minha mãe nem vai acreditar...”. A professora Carla Azevedo, 40, emociona-se: “É a realização pra eles”.

Mas o espetáculo precisa ir em frente. Como a vida. Chopin adoece. Luta contra a tuberculose, o grande mal daquele século 19. Sucumbe em Paris, a terra que amava. O cantor diz: “E Chopin um dia partiu, mas deixou entre nós a música”. O piano silencia. Mas nunca morre. E já que não morre, música, mais música. Cinquenta minutos de peça.

A vida de Chopin passa como mágica, num palco cheio de luz e de cor, com música, a melhor, teatro e dança contemporânea. Tudo junto. Tudo ao mesmo tempo. Aquelas crianças do Itapoã, a 30km de Brasília, um lugar que transita entre a extrema pobreza, a violência e a falta de oportunidades, jamais se esquecerão da tarde lúdica de ontem.

Emoção
E foi nessa tarde que o Correio acompanhou, com exclusividade, a estreia do Projeto Chopin para Crianças, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O silêncio protagonizado pelos mais de 300 alunos da Escola Classe 1 do Itapoã só foi quebrado quando o repórter inconveniente, agachado, fazia perguntas, baixinho, sempre àquelas sentadas nas pontas.

Numa delas, na cena mais verdadeira de todo o espetáculo, uma menininha de 9 anos se acomodava como se estivesse em casa. A sandália repousava sobre o carpete do teatro. Os pés, descalços, se encontravam nas pernas dobradas. Teatro de verdade deveria ser assim, sem afetações, sem mentiras, sem falsas posturas. Os olhos dela pareciam que iam saltar, de tão concentrada no espetáculo. “Nossa, como é lindo... Lindo demais”, extasiava-se ela.

Bruno Saraiva, 9 anos, filho de uma doméstica e de um eletricista de elevador, definiu Chopin como poucos. E talvez a definição mais original: “Ele foi um grande tocador de piano”. E não se conteve: “Ele também fez todo mundo gostar do piano”. Pergunto ao menininho do Itapoã o que ele sente ao ouvir as músicas que saem daquele piano no palco. Ele responde, sem olhar para o interlocutor: “Sinto uma emoção muito grande. Uma coisa boa”.

Isso, sim, é emoção. E o teatro, com sua magia que vibra e faz rir e chorar, é capaz disso. Capaz de deixar emocionado o menino de um lugar onde falta quase tudo. Capaz de fazer com que ele esqueça, mesmo por 50 minutos, o mundo real, sem magia, sem música, sem Chopin, onde vive. Isso, sim, é teatro. E o melhor: não havia nenhum mocinho ou mocinha da novela das 9. Era Chopin, “o tocador de piano”, para as crianças da Escola Classe 1 do Itapoã. Era teatro. Mas nunca foi tão real.

A miudinha Ana Beatriz, 9 anos, era só emoção. “Achei tudo lindo. É divertido ver como os atores representam. A música? Lá em casa, nunca ouvi. No Itapoã não toca, não.” Tá bom, é hora de prestar atenção no espetáculo...

Preparação
A professora de percepção musical da Escola de Música de Brasília e produtora Naná Maris, 48 anos, conta que, a 10 dias da estreia de Chopin para Crianças, ela e sua equipe estiveram nas 12 escolas públicas escolhidas para fazer parte do projeto. Levaram um kit Chopin — CD e livro, este doado pela Embaixada da Polônia, sobre a vida e a obra do compositor polaco, numa homenagem aos 200 anos do seu nascimento. “Trabalhamos com os professores, que, por sua vez, trabalharam com suas crianças em sala de aula. Fizeram trabalhos e ouviram músicas do artista”, ela diz.

Com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e do CCBB, o projeto pôde, finalmente, contemplar crianças carentes. “O meu sonho era esse”, conta, emocionada. Por causa disso, neste fim de semana, as portas do CCBB se abrirão gratuitamente para o público. “Faremos nos dois dias dois espetáculos, às 16h e às 18h. Para todas as idades ”, convida Naná.

Fim do espetáculo. Cinquenta minutos de uma vida muito longe do Itapoã. Os atores são aplaudidos de pé. As crianças vibram. Estão emocionadas. Querem mais música. “Oxe, cadê o Chopin, que não vem aqui pra dizer ‘beleza’...” pergunta Marcos Antônio, 9 anos, filho de um pedreiro e uma doméstica.

E Chopin desce do palco. Édi Oliveira, 35 anos, o ator que interpreta o compositor, vai até a plateia. É abraçado pelas crianças. Otílio Bispo, 9, que pela primeira vez saiu do Itapoã, garante: “Eu queria vir pro teatro todo dia, escutar essas músicas, mas lá onde moro não tem nada”. A professora Cristina Rocha, 38, deixa o teatro do CCBB levitando: “A realidade deles (dos alunos) é tão dura, que isso acalma. Além de ser um diversão, um lazer, é uma terapia também”. A professora fala com conhecimento de causa.

Em filas, sem algazarra, como se estivessem anestesiadas, as crianças entram nos ônibus que as levarão de volta ao Itapoã. Chopin, aquele “tocador de piano”, ficará para trás. A peça chegou ao fim. Mas a música ficará no ouvido. A magia do teatro, na memória. O lugar onde vivem não tem magia, mas tem, a partir de hoje, aquelas crianças, que hoje já não serão mais como eram antes. Marcos Antônio falará para o pai, pedreiro, que ouviu Chopin. O pai certamente irá lhe perguntar quem era esse tal de Chopin.

Marcos Antônio lhe contará quem ele era. E falará da música que saía do seu piano, do teatro que comove e faz pensar. Era pra ser apenas teatro. Foi mais real do que se imaginava. Aqueles atores vestidos com roupas de época e a pianista Francisca Aquino nem imaginam a revolução que fizeram na cabecinha daquelas crianças do Itapoã.

O teatro serve, também, para mudar vidas. Quando isso acontece, sem a mocinha ou o galã da novela da moda, ele de verdade cumpriu sua missão. As crianças do Itapoã, hoje, sabem disso.

Marcelo Abreu
Correiobraziliense.com.br

Estudantes se integram à Semana da Árvore e passam dia plantando mudas

No mês em que se comemora a Semana da Árvore, mãos miúdas sujaram-se de terra para ajudar no reflorestamento das margens do Rio Descoberto, em Brazlândia. Parecia brincadeira de criança, mas todos os pequenos estavam envolvidos com uma tarefa séria: a de preservar a vida. Na última terça-feira, diante de uma paisagem deslumbrante, com vista para os mais de 17 quilômetros quadrados de extensão do Lago do Descoberto, 67 meninos e meninas que moram e estudam na cidade plantaram aproximadamente 50 mudas de espécies nativas do cerrado. Foi apenas o começo. O Jardim Botânico de Brasília também preparou programação para celebrar a natureza.

Em Brazlândia, a intenção é completar 150 mil novas árvores em terrenos próximos à água, até o fim da época de chuva. O reflorestamento ocorre em uma área de 1.317,98 hectares, em uma faixa de proteção de 125 metros afastados das margens do rio. Entre as espécies escolhidas, há embaúbas, barus, ipês, aroeira e mudas de mandioca.

O projeto Descoberto Coberto, como foi batizada a ação, é uma parceria entre 73 produtores rurais, escolas públicas e particulares e Governo do Distrito Federal (GDF). A iniciativa surgiu em 2009, quando o Ministério Público determinou a criação de um grupo de trabalho para evitar o assoreamento (1) do Descoberto. “É do Descoberto que saem 65% da água que abastece o DF. Por isso estamos aqui hoje para ajudar na sobrevivência”, explicou o estudante Gabriel Lemes, 9 anos, mostrando que fixou bem o conteúdo aprendido em sala de aula.

Educação
Professores dos colégios de Brazlândia, região do DF que acolhe a maior parte do rio, trabalham desde o início do ano para conscientizar os alunos sobre a importância de preservar a natureza. “Antes de vir até aqui, as crianças plantaram flores na escola. Aprenderam a fazer reciclagem e compostagem — usar restos como adubo agrícola. Falamos muito sobre queimadas também. Hoje, eles mesmos brigam com os pais se esses jogam cigarro em mato, por exemplo”, afirmou Michele Michetti, professora do 2º ano da Escola Classe do Incra 6.

Ao redor das árvores, os alunos plantaram diversas outras sementes. Cada uma cresce em um ritmo, em um sistema de cooperação e não de competição. “A proteção da natureza é muito importante, porque a gente precisa dela para viver. As árvores são a casa dos animais e ajudam a conservar a água também”, definiu Kelson Mikhail Barbosa, 7 anos. “Com mais árvores, vai chover mais. Se não plantarmos, não vamos ter oxigênio limpo”, alertou Lívia Elias Fidelis, 9.

Vários órgãos do DF participam do projeto coordenado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa). O diretor da Adasa, João Carlos Teixeira, ressaltou que a agência criou um plano especial para minimizar os impactos ambientais ocasionados pela rotina de seus trabalhos cotidianos, por meio da Agenda Ambiental-Adasa. Entre os participantes estão Caesb, Emater, Ibram e Terracap. Além do plantio de árvores, está em curso um programa integrado de educação ambiental. Agentes desses setores percorrem as escolas e as propriedades rurais para ensinar a adultos e crianças como manter no dia a dia ações que revertam o desmatamento, o processo erosivo e a sedimentação do rio.

1 - Perigo constante
O assoreamento é o acúmulo de sedimentos pelo depósito de terra, areia, argila e detritos, por exemplo, na calha de um rio. Com isso, a água pode secar e causar graves transtornos a quem precisa dela para viver.

Leilane Menezes
Correiobraziliense.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Estudantes soltam a imaginação durante encontro com poetas na escola


O encontro durou pouco mais de meia hora. O vento amenizava o calor corriqueiro na capital federal na tarde de ontem. Com olhares atentos e sentados no pátio de cimento, 24 alunos da 4ª série da Escola Classe Granja do Torto observaram três poetas de Brasília declamar. Estavam lá Nicolas Behr, Luis Turiba e Amneres Santiago, integrantes do grupo OIPoema, patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC). “Para ser poeta é preciso três coisas. Alguém sabe o quê?”, Nicolas perguntou, logo de cara, para as crianças. “De imaginação”, respondeu uma moça da última fileira. “De rima”, emendou o coleguinha ao lado. “Todas as opções estão corretas, mas faltou o papel”, disse o poeta. “E do lápis”, apressou-se a dizer um outro aluno sentado no canto esquerdo do pátio. Então, para ser poeta, é preciso, na verdade, quatro coisas: imaginação, rima, papel e o lápis. A brincadeira rolou solta.

Durante a visita, as crianças deram gargalhadas, ouviram, tiraram dúvidas e recitaram poemas criados por elas mesmas. A maioria resolveu criar textos em cima do tema mosquito da dengue, doença que tem afetado muitas famílias da região. Maria, 9 anos, levantou-se e deu o recado: “Se deixar água parada, vai se meter em uma cilada”. Júlia Vitória, 10 anos, também estava inspirada, mas deixou o Aedes Aegypti de lado. Romântica, a menina preferiu recitar para os colegas um breve trecho que escreveu há dois meses, enquanto estava em casa: “Gosto da lua, gosto do luar, gosto de você em primeiro lugar”.

O motivo da visita foi a vontade dos poetas de disseminar o gosto pela leitura. O grupo OIPoema tem passado por várias escolas públicas do Distrito Federal e aumentado o acervo das bibliotecas com livros que muitas vezes ficam engavetados na Secretaria de Cultura. Também fazem parte do projeto Angélica Torres Lima, Cristiane Sobral e Bic Prado, além do designer Luis Eduardo Resende. Todos eles adotaram uma escola das regiões administrativas de Planaltina, Núcleo Bandeirante, Paranoá, Itapoã, Park Way e Varjão. Em 31 de agosto, Luis Turiba adotou a Escola Classe da Vila Buritis, em Planaltina, onde conheceu a sala de leitura das crianças. Ele levou livros próprios e de outros autores para enriquecer a biblioteca do colégio.

Autoestima
Para o poeta, historiador e escritor Nicolas Behr, a poesia significa uma semente plantada no coração dos pequenos. “Talvez um dia algum deles vire um escritor. A poesia melhora a autoestima e a arte educa. Formar leitores é fundamental para a educação no nosso país”, defendeu o autor de inúmeros livros que revelam Brasília como musa inspiradora para a criação de seus poemas. Para Amneres Santiago, o incentivo à leitura significa ainda proporcionar o exercício da cidadania. “As crianças têm sede de contato com a arte, mas ainda faltam experiências que ajudem a complementar a educação básica”, acredita.

A Escola Classe Granja do Torto foi o quarto estabelecimento de ensino visitado pelos poetas. Segundo a diretora Danielle Vieira Salles, a presença dos poetas desperta nos alunos um interesse maior pelos livros. “É muito importante quando eles têm oportunidade de viver experiências desse tipo. As crianças costumam ler obras de vários escritores, mas dificilmente têm contato com eles. Quando elas souberam que os poetas viriam para a escola, ficaram muito ansiosas”, ressaltou. E a curiosidade das crianças fez o tempo passar despercebido. Os 30 minutos de poesia trouxeram sorrisos e a vontade de um dia se tornar um escritor famoso para colocar no papel todas as coisas que trazem inspiração. A despedida foi com a música O voo da juriti(1), de Aldo Justo e Paulo Tovar. No pátio, as crianças ficaram de pé e cantaram com o coração e com as mãos erguidas, de braços abertos para dar asas à imaginação. Que surjam daí os escritores do futuro.

Mara Puljiz
Correiobraziliense.com.br

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Crianças que têm hábito de ler se saem melhor nos primeiros anos de estudo


Isso ocorre porque, estimulando o interesse pelo significado das palavras, os pais colaboram para o desenvolvimento.

A relação da pequena Maria Beatriz Aureliano Bento, 3 anos e meio de idade, com os livros começou antes mesmo de a menina saber que eles existiam. Enquanto ainda estava na barriga da mãe, a pedagoga e professora Elem Carine da Silva Aureliano, 30 anos, ela já era acalentada por cantigas infantis e pelas histórias que o pai contava, mudando as vozes de acordo com o personagem. Depois de nascer, o vínculo se estreitou. Ela ganhou um livro feito de espuma, chamado Os sons do bebê, que reproduz barulhos familiares aos recém-nascidos. O livrinho ajudou-a a explorar os sentidos, até aprender a interpretar, a seu modo, as historinhas que ele contém. Hoje, muitas histórias depois, a menina é exemplo dos benefícios da leitura para crianças que nem sequer deixaram as fraldas.

Na hora de reconhecer a capacidade intelectual da filha, Elem Aureliano não poupa boas referências. “Ela se comunica com adultos e crianças, o vocabulário está além do normal para a faixa etária e, na escola, os professores dizem que a Maria Beatriz está à frente dos coleguinhas”, contou. E o orgulho materno não é infundado: antes de completar quatro anos, a menina já reconhece todas as letras, sabe identificar os nomes dos pais e tem noções de quantidade. Também consegue associar as letras a palavras que fazem parte do seu cotidiano. Entusiasmada com o universo que se descortina nos livros, ela aproveita os momentos de leitura da família para carregar seus livrinhos para perto dos pais. Aconchegada a eles, a pequena passa os dedinhos sobre as linhas da história, como se já estivesse lendo perfeitamente.

O bom desempenho escolar e a aceleração no aprendizado não são as únicas vantagens de quem se apega, desde cedo, ao hábito de ler. Segundo o psicólogo e presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, a leitura é uma das formas mais eficazes de dar às crianças um vocabulário mais rico e o contato com uma sintaxe mais complexa. O Alfa e Beto é uma organização não governamental focada em políticas de educação. “Ainda é um processo agradável, que reforça a afetividade com a família. Além disso, vocabulário é conceito, e quanto mais se tem, mais ideias variadas se pode expressar. A sintaxe da escrita é diferente da oral e permite uma forma de pensar mais complexa e rica”, considerou.

Aprendizado
Engana-se quem pensa que textos escritos não são proveitosos para crianças ainda não alfabetizadas. Antes mesmo de dar significado à sopa de letrinhas que visualiza nas páginas, a meninada aprende a segurar um livro, entende a direção da leitura, ganha familiaridade com as sequências que compõem uma história e ainda tem contato com uma explosão de palavras e frases. “Quando está na barriga da mãe, o bebê já ouve sons, reconhece a cadência e a sonoridade das falas e até identifica o sotaque dos pais”, ressaltou Oliveira. Nessa fase, a linguagem é uma forma de transmitir calma e serenidade ao feto.

Entre quatro e cinco meses de vida, o bebê já leva os objetos à boca, até mesmo os livros, e foca a atenção em figuras nítidas. Nessa fase, ele acompanha o olhar dos pais e começa a emitir os primeiros sons que capta. Por causa do hábito de levar os objetos à boca, os livros devem ser adequados para serem folheados na água e precisam ter as pontas arredondadas, para evitar machucados. Apesar de não apreender o conteúdo, o bebê já consegue entender que existe uma linguagem. Por volta de oito meses de idade, ele começa a se interessar por fotos, formas, figuras e cores. “O mais importante nesse momento não é ensiná-lo, mas entretê-lo”, reforça o especialista.

Mas não basta estimular a inteligência, é preciso escolher as ferramentas corretas. Na fase em que crianças ainda não são íntimas do alfabeto, a literatura escolhida pelos pais deve conter cantigas, rimas, sonoridade variada e aliterações, que prendem a atenção ao ritmo. Depois de seis meses de idade, o interesse se expande para figuras de animais, imagens de outros bebês e objetos familiares. A partir dessa etapa, a criançada se fixa nos hábitos e nas atitudes que ajudam a criar uma rotina.

Desempenho superior
Segundo o presidente do instituto, estudos internacionais apontam que crianças com forte relação com os livros aos três anos de idade apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao de alunos que não receberam o mesmo estímulo. Outro levantamento aponta uma grande diferença de habilidade na fala entre as diferentes classes sociais. Há ainda um indicador que destaca que a quantidade de palavras que uma criança consegue entender aos seis anos de idade está intimamente relacionada com as notas que irá tirar na escola. Quanto mais palavras, mais motivos de se orgulhar do boletim.

Para difundir essa política da leitura no Brasil, o IAB está organizando um ciclo de debates, batizado de leitura desde o berço: políticas sociais integradas para a primeira infância em cinco capitais do país: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salvador (BA), Maceió (AL) e Recife (PE). Em Brasília, a data prevista é o dia 17 próximo. Todos os eventos serão realizados até o dia 22 e contarão com a presença de dois especialistas norte-americanos. Doutor em educação pela Universidade de Harvard e especialista em alfabetização, David Dickinson apresentará estudos científicos que relacionam a leitura precoce e o desenvolvimento da linguagem. Já a pediatra, pesquisadora, jornalista e escritora Perri Klass abordará os métodos de leitura para crianças de forma a oferecer os estímulos mais adequados a cada idade. Ela também trata do desenvolvimento de programas específicos para esse fim.

Em São Paulo, a ONG ainda fará o lançamento da Biblioteca do Bebê, dentro da Bienal Internacional do Livro, de que se realiza até o dia 22 deste mês. Nesse espaço, os pais poderão ver demonstrações de técnicas eficientes de leitura para crianças de até quatro anos. No mesmo evento, serão distribuídas cartilhas que ensinam diferentes modos de ler para crianças e uma coleção de livros será lançada. Outra novidade que promete animar os pais é o lançamento do catálogo Guia IAB de leitura para a primeira infância: os 600 livros que toda criança deveria ler antes de entrar na escola. “Queremos rever esse guia a cada dois ou três anos, separar por idade e ajudar os pais a escolherem variedade e tipo de livro, procurando contemplar livros não literários”, assegurou João Batista Oliveira.

Repetição
Aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes em um verso ou em uma frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesias, mas também pode ser empregada em prosa, especialmente em frases curtas. Um exemplo famoso é a frase: “O rato roeu a roupa do rei de Roma”.

A importância de ler para os pequenos
» O hábito ajuda a desenvolver atenção, concentração, vocabulário e memória.
» Cria um tempo de diálogo com os pais, mesmo que a criança ainda não fale.
» Ensina a identificar e a brincar com os sons das palavras.
» Desenvolve a curiosidade, a imaginação, a criatividade e a complexidade dos sonhos.
» Ajuda a perceber os próprios sentimentos, os de outras pessoas e a lidar com emoções e estresse.
» Amplia o conhecimento sobre o mundo, as pessoas, as formas, as cores e as quantidades.
» Faz conhecer históriasreais e imaginárias.
» Usa a linguagem mais próxima da linguagem dos livros e da escola.
» Ajuda a falar de livros, pessoas,coisas e situações que não se encontram aqui e agora.
» Faz perceber que os livros oferecem momentos de aprendizagem e diversão.
» Adquirire o hábito de ouvirhistórias e de ler.
» Faz pensar e desenvolver o raciocínio.
» Ajuda a adquirir conhecimentos que contribuirão para seu sucesso escolar futuro.

Como familiarizá-los com os livros:
» Leia conversando. A leitura deve ser envolvente, interativa.
» Deixe a criança pensar, falar e perguntar.
» Estimule a observação das imagens e, aos poucos, das palavras.
» Deixe a criança manusear o livro e virar as páginas do jeito dela.
» Faça perguntas e ouça as respostas da criança. Estimule, bata palmas, sorria, elogie as reações dela.
» Repita o que ela diz e acrescente uma informação nova. Se a criança diz “bola”, diga, por exemplo: “bola bonita” ou “bola vermelha”.
» Responda fazendo novas perguntas: “A menina foi embora. Para onde será que ela foi?”.
» Dê um tempo para a criança observar e pensar, antes de responder.
» Leia exatamente o que está escrito. Esteja preparado para ler e reler os mesmos livros. As crianças levam tempo para aprender e adoram repetições.
» Leia com atenção, entusiasmo e entonação adequada ao texto.
» Imite sons, faça barulhos variados.
» Leia segurando a criança no colo, no sofá, no chão, onde for mais adequado.
» Converse antes e depois de ler. Como será o livro? O que será que vai acontecer nessa história? De que você mais gostou nesse livro?
» Explore os sentimentos e as emoções. Diga o que você sente e estimule a criança a dizer o que ela está sentindo.
» Fique atento às reações. Mesmo sem falar, elas dão sinais sobreo que gosta de ver e ouvir.
» Guarde os livros ao alcance da criança.
» Ensine-a a escolher, pegar, buscar, guardar e cuidar dos livros.
» Leia sempre que a criança pedir. Se não puder naquela hora, combine outro horário.
» Estabeleça pelo menos um ou dois horários em que você vai ler para ela todos os dias. É dessa maneira que se forma o hábito.
» Leia seus poemas favoritos, cante cantigas, converse com o bebê.
» Há livros de pano e de plásticoque podem fazer parte das brincadeiras na banheira.
» Enquanto a criança come, conte histórias e mostre figuras.
» Antes de dormir, leia de forma pausada, tranquila, com ritmo mais lento.

Conheça maisPágina do instituto: http://www.alfaebeto.org.br/

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Programa ajuda a descobrir e a trabalhar talentos de crianças e adolescentes superdotados

Eles nem sempre encontram chance de desenvolver suas capacidades em um esquema tradicional de ensino. O resultado de uma dessas turmas poderá ser visto em exposição na Asa Sul.
Em vez do habitual quadro-negro, a parede é ocupada por pinturas de animais, naturezas-mortas e paisagens bucólicas com casinhas envoltas em muito verde. A sala de aula mais parece um ateliê, com pilhas de telas ainda brancas, pincéis e bisnagas cheias de tinta. “Quando cheguei, só fiquei assim, olhando”, recorda Danilo Cabral, de 10 anos, arregalando os olhos. Ele é o calouro de uma classe especial, formada por crianças e adolescentes, entre sete e 18 anos, donos de um talento incomum em artes plásticas.

Os jovens participam do Atendimento Educacional Especializado ao Estudante com Altas Habilidades/ Superdotação, programa da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF). A turma de Danilo, que se reúne na Escola Classe 57, em Ceilândia, está preparando uma exposição de seus trabalhos a ser inaugurada no próximo dia 18, no Espaço Cultural Ary Barroso (Sesc Estação 504 Sul). “Haverá obras com técnicas e temas variados, por causa da diversidade de habilidades que os alunos possuem”, revela a professora Sandra Machado.

Entre os garotos e garotas, há quem se dê melhor com grafite, lápis aquarelado ou tinta a óleo; desenhos de moda, paisagens ou retratos. O novato Danilo ainda está se habituando. Para ver o que ele sabe, a professora deixa que o menino rabisque o que lhe vier à cabeça. “Ele nos foi indicado por uma professora que viu que ele desenhava muito bem”, diz Sandra. Após traçar um jardim bravio com rosas espinhentas e um singelo Pato Donald, Danilo apanhava mais uma folha de papel. “Acho que vou aprender mais sobre arte. Quero ficar bastante tempo, até conseguir fazer parecido com essas aí”, aponta as pinturas na parede. “Soube que vai ter competições e quero vencer pelo menos uma delas”, ambiciona.

Exemplo
Danilo pode se espelhar em Wllyson Santos, 16 anos. Aluno de Sandra desde 2007, ele ganhou o concurso Brincado com arte do ano passado, promovido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Entre os prêmios que já recebeu, estão materiais de pintura, como cavaletes, e bolsas de cursos de desenho. De vez em quando, vende um quadro ou outro por R$ 50 ou R$ 100. “Eu quero ser estilista. A professora me disse que tenho muita chance de chegar lá”, afirma.

Antes de se matricular na turma especial, Wllyson saía desenhando. A inspiração? “Qualquer coisa, o que me desse na telha.” Conseguiu dar ordem a seus impulsos criativos e ficou mais confiante. “Perdi a vergonha de pintar. Antes escondia meus desenhos, com receio de dizerem que estava malfeito”, conta. O ex-caladão celebra a turma de que faz parte. “Se não existisse esse grupo, ia ficar cada um no seu lado. A gente tem que expressar o que sente e divulgar nosso trabalho”, defende.

Ciente da própria vocação, Wllyson recebe o apoio dos pais. “Eles dizem para eu nunca desistir, se é mesmo o que quero”, conta. Edilson José Ferreira, 17 anos, seguiu em frente mesmo após deixar a turma de superdotados, quando concluiu o ensino médio. Ele vai concorrer a uma vaga no curso de artes plásticas da Universidade de Brasília (UnB). Após passar na prova de habilidade específica, aguarda a próxima etapa do vestibular. “Estou estudando, vamos ver o que é que vai dar.”

Se não tivesse feito parte da classe de Sandra, Edilson diz que, provavelmente, não teria escolhido trabalhar com arte. “Turmas como aquela motivam as pessoas. Tem muita gente que desenha bem, mas fica no anonimato”, acredita. Quando se formar, ele planeja ser professor de escola pública. “Acho que, onde eu lecionar, vou mudar bastante coisa; quero fazer as pessoas gostarem de artes plásticas”, prevê. Ele vai tomar a antiga professora como exemplo. “Sandra é diferente das outras. Ela corre atrás, procura concurso para a gente participar, organiza exposição. Isso demonstra dedicação”, elogia. A professora fala dos alunos com carinho, mesmo dos que saíram antes do tempo. “Alguns começam a trabalhar cedo e precisam ir embora. Teve um que foi uma pena: foi ser empregado de um supermercado, tinha uns 15 anos. Ele era ótimo, chegou a ser premiado”, lembra. A classe que ela orienta, composta por cerca de 40 estudantes, é apenas uma das incluídas no programa de atendimento a alunos superdotados.

Ajuda sempre é bem-vinda
O projeto foi criado em 1976 pela SEDF e ganhou novo alento em 2005, quando o Ministério da Educação criou os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades. Atualmente, o DF conta com cerca de 2 mil estudantes inscritos. “Uma das nossas metas é tornar visível a necessidade de educação especial para esses alunos”, afirma a coordenadora de Altas Habilidades do DF, Olzeni Ribeiro.

O programa é dividido em duas áreas: a de Talentos, que inclui artes plásticas, artes cênicas, produção de vídeo e fotografia; e a Acadêmica, que compreende as disciplinas de matemática, química, física, mecânica, mecatrônica, robótica e até gastronomia. As escolas participantes do programa possuem salas de recursos, como a da Escola Classe 57 de Ceilândia, onde ficam os materiais utilizados pelos alunos. As turmas costumam reunir estudantes de diferentes escolas e, às vezes, até de cidades distintas. Vinte por cento das vagas são reservadas para jovens matriculados na rede particular. “Às vezes eles avançam tanto que a escola não dá mais conta. Por isso, precisamos criar parcerias com laboratórios, universidades, empresas”, destaca Olzeni.

“Os professores são orientados sobre como identificar esses alunos especiais, que são muito criativos e inovadores”, explica a coordenadora, que reclama da carência de recursos. Segundo ela, o orçamento destinado à rede pública de ensino do DF não prevê verba alguma para o programa. “Os diretores mais sensíveis acabam pegando parte do material que ia para o ensino regular em suas escolas e dão para as turmas especiais. Porém, há tipos de material muito específicos, difíceis de se obter”, lamenta.

Também falta ajuda de custo para o transporte, o que desestimula alunos de outras escolas. “Eu já perdi alunos que moravam longe, os pais não tinham como trazer”, observa a professora Sandra. Ela diz que o trabalho depende de doações. “Temos muitos parceiros, como o Sesc e a Codevasf. Os doadores particulares são poucos”, comenta. Após serem utilizadas, algumas telas são pintadas de branco para novo uso. Mesmo assim, às vezes os artistas mirins precisam recorrer a velhos discos de vinil. “Em nossas exposições, botamos os quadros à venda. Metade do dinheiro vai para o aluno, a outra parte fica para a compra de material”, revela Sandra, que complementa: “Ele são acostumados com essa coisa improvisada, não se incomodam, o que querem é pintar”.

EXPOSIÇÃO:
SUPERDOTADOS. COM TRABALHOS FEITOS POR ALUNOS DA ESCOLA CLASSE 57, DE CEILÂNDIA.
A partir do dia 18, com visitação até o dia 29, sempre das 9h às 21h. No Espaço Cultural Ary Barroso (Sesc Estação 504 Sul – W3 Sul, 504/505, Bloco A). Informações: 3217-9101

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Menino que atirava pedras em carros vira esperança no lançamento de dardo


Antônio Carlos Maciel atirava pedras nos carros que passavam na rodovia Ayrton Senna. Até o dia em que acertou o carro da funcionária da escola em que estudava em Mogi das Cruzes e foi incentivado a trocar a perigosa brincadeira por esporte.

Deu certo. O garoto de 17 anos, primogênito da dona de casa Simone Soares, 35, mãe de mais cinco filhos --a última nasceu há uma semana-- com três pais, transformou-se em atleta do lançamento de dardo e tem marcas que impressionam pelo pouco tempo de treinamento.

Brasil tem poucos talentos no lançamento de dardo Ele está de segunda a sexta-feira no Ibirapuera sob a orientação de Fátima Germano, da ASA (Associação Sertanezina de Atletismo).

Rotina iniciada em fevereiro. Mas que lhe rendeu a marca de 60,25 m com o dardo de 700 g, utilizado na categoria menor (até 17 anos) e 100 g a menos do que o adulto. É o segundo do país nesta idade.

A força já tinha sido percebida em 2003, no dia em que acertou um Corsa na Ayrton Senna sem saber que era de alguém que o conhecia. Em vez de castigo, teve que ouvir um longo sermão das professoras sobre os perigos de atirar pedras nos carros.

Foi a professora Luciene Rocha, que trabalhava com crianças carentes da região no Projeto Fênix, em Mogi das Cruzes, quem indicou Antônio Carlos ao atletismo.

O teste de aptidão foi do jeito que ele gosta: arremessando bolas de tênis em um campo de futebol e correndo. Era basicamente o que ele fazia à margem da rodovia, jogar pedras nos veículos e fugir em disparada para não ser pego pela polícia. Era sua diversão dos 10 aos 13 anos. "Não sabia que era perigoso. Quando comecei a praticar esporte na escola, entendi que não era legal jogar pedras e eu também nem tinha energias para fazer isso depois dos treinos", contou.

Por três anos, Antônio Carlos permaneceu com a professora Luciene participando de festivais de atletismo.

Competir era uma brincadeira. Ele nem sequer tinha cadastro na FPA (Federação Paulista de Atletismo). Lançava dardos a módicos 43 m, participava de provas de 75 m, e ajudava Lucilene nos treinamentos com os alunos do projeto social Fênix.

Esporte passou na ser coisa séria quando ele passou no teste do Centro de Excelência da FPA em novembro e começou a treinar com Fátima três meses mais tarde.

Mudou de endereço. Deixou o barraco da mãe, à margem da Ayrton Senna, e foi para o alojamento no Complexo Constâncio Vaz Guimarães, na zona sul de São Paulo. Passou a ganhar R$ 150 de ajuda de custo da equipe a que se filiou, a ASA.

Após três semanas de treinos, participou da primeira competição --um torneio de lançamentos da FPA. Alcançou 50 m com facilidade.

Competiu em mais seis campeonatos. Um deles em Uberlândia, no Sul-Americano de atletismo, que dava uma vaga ao campeão nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Cingapura, neste mês.

Não deu para fazer frente ao argentino Braian Toledo, 17, que há cinco disputa provas no dardo. Recordista mundial da faixa etária, colocou 30 m de diferença ao lançamento de Antônio Carlos, que terminou em terceiro.

DANIEL BRITO
Folha.com.br

Franqueza, mas sem exageros


Especialistas orientam os pais a responder direta e naturalmente às perguntas sobre sexo disparadas frequentemente por crianças, por mais delicadas que pareçam. Essencial é não mentir, mas também evitar o excesso de detalhes.

A professora Ana Paula Lustosa, 36 anos, assistia à televisão quando sua filha Anna Gabriela, 7, virou-se e perguntou: “Mamãe, você faz sexo?” Ana Paula ficou catatônica. A professora respirou fundo, olhou para a filha — que a encarava fixamente, com os olhos brilhando — e respondeu: “Sim, minha filha, a mamãe faz sexo”. Em seguida, a menina perguntou: “Como, mamãe?” Além do susto e da reação envergonhada, o que mais passou pela cabeça de Ana Paula foi a perplexidade relativa a como uma menina naquela idade se mostrava tão curiosa sobre sexo. Curiosidades como a da pequena Anna Gabriela deixam qualquer adulto, por mais moderno que seja, constrangido. Agora, imagine para os pais, que precisam lidar diretamente com a situação. A maioria não sabe como responder, como se comportar, ou, ainda, se devem responder sobre algo tão “delicado”. Os especialistas, porém, são categóricos: os pais não devem deixar de responder.

Devem, contudo, agir da forma mais natural e verdadeira possível, sem ir além da curiosidade da criança. “Falar sempre a verdade, com naturalidade e objetividade, é o caminho correto. O que não pode é falar de menos — nem demais”, esclarece a psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Ângela Branco.

Ana Paula, Anna Gabriela (no meio), 7 anos, e Ana Luíza, 11: depois do susto das primeiras perguntas diretas, a professora decidiu que responderia com a maior naturalidade possível Segundo os especialistas, é a partir dos 2 e 3 anos que costumam surgir as primeiras perguntas sobre sexualidade. No entanto, um dos primeiro interesses demonstrados pelas crianças é sobre a diferença entre os gêneros. De acordo com Branco, a criança vai aprendendo a chamar o menino de menino e a menina de menina e quer entender o porquê. “Os pais vão ter que ir respondendo na mesma proporção dessa curiosidade”, afirma.

O que a psicóloga quer dizer é que os pais não devem falar além do que a criança quer saber, como, por exemplo, dar uma aula sobre sexo. “Isso é totalmente inapropriado, até porque a criança não tem condições de entender com muita clareza o tema.” Ângela reforça que os pais têm que ajustar suas respostas, e as próprias conversas sobre o assunto, de acordo com o nível e, principalmente, com o tipo de curiosidade que a criança tem. “O que não pode é negar informação, seja por uma questão de tabu ou por achar que está muito cedo para falar sobre sexualidade”, garante.

Percepção
A psicóloga explica que, se os pais sonegam a informação, a criança percebe que há alguma coisa errada, e isso pode criar um problema sem necessidade. “Criança não é boba. Ela vai notar que os pais não tratam aquilo com naturalidade, vai continuar com a curiosidade e vai atrás dos colegas ou da internet”, diz Branco. “Além disso, pode gerar uma curiosidade excessiva”, completa.

Mesmo assustada, a mãe de Anna Gabriela respondeu com naturalidade à pergunta da filha. “Expliquei a ela que o sexo é uma forma de fazer bebês e que deveria ser feito com alguém que a gente ama e tem confiança. Depois disso, ela virou-se e continuou vendo televisão como se nada tivesse acontecido”, relata Ana Paula.

O mesmo tipo de comportamento claro e natural deve ser adotado quando os pais flagram os filhos tocando nas genitálias ou mesmo se masturbando. “Sem sustos, é completamente natural”, sustenta a psicopedagoga Márcia Gomes Fernandes. Isso porque desde bebês as pessoas se tocam, como uma forma de reconhecimento e de prazer. “Os bebês, por exemplo, têm prazer quando sugam o seio da mãe. O mesmo acontece quando as crianças se masturbam, seja se tocando ou se esfregando. É algo prazeroso e que não deve ser recriminado ou proibido.”

Os especialistas também afirmam que informar corretamente à criança sobre sexualidade é protegê-la de possíveis abusos. Segundo Márcia, quando a criança sabe o que é sexo, ela mesma se protege de abusos que possam ocorrer. “Sanando a curiosidade do filho em relação à sexualidade, os pais devem dizer que criança não faz sexo; criança brinca. Aproveitando para dizer também que o adulto não pode tocá-la”, defende.

Adolescência
Em geral, as questões sobre a sexualidade começam a ficar mais frequentes quando a criança se aproxima da puberdade. Nesse momento, as perguntas vão ficando mais específicas e as respostas dos pais também. “Aí sim, seja o pai ou a mãe — aquele que tiver mais tranquilidade para falar do assunto — deve ter um diálogo maior, colocando sempre juntos a sexualidade com a afetividade e cuidados para se ter um sexo saudável e sem risco de gravidez”, esclarece Ângela Branco.

De acordo com Ângela, é importante conversar com o adolescente sobre a relação entre sexualidade e afetividade. Ao mesmo tempo, os pais devem deixar claro que o sexo não é nenhuma obrigação só porque o filho virou adolescente e acha que precisa arrumar um parceiro sexual de imediato, para não ficar atrás dos colegas. “Esse diálogo leva à criança a ter a confiança em dizer sim ou não”, afirma Ângela.

A funcionária pública Ana Cláudia da Castro, 33 anos, tem uma ótima relação com o filho Caio , 9, mas não sabe como conversar com ele sobre questões da sexualidade. “O Caio nunca me perguntou nada sobre sexo. No entanto, me preocupa o fato de ele estar saindo com uma turma em que já rolam paqueras, namoros, e ele não conversa sobre isso comigo”, diz. Ana Cláudia sente que precisa estar mais presente nessas questões, mas não sabe como se comunicar com o filho. “Não quero invadir a vida dele, apenas orientá-lo de forma correta. Quero passar a ele que o respeito — a ele e ao outro — deve estar cima de tudo.”

Ana Paula Lustosa, mãe da pequena Anna Gabriela, a dona das perguntas “delicadas”, lida de forma diferente com a filha mais velha Ana Luíza, 11 anos. Com ela, Ana Paula sonda para saber até onde a filha sabe sobre sexo. “Puxo assunto sobre namoro, sobre as mudanças do corpo e me mostro aberta. Além disso, estou atenta ao seu comportamento, ao que ela escuta, lê e se comunica na internet”, diz a professora.

Silvia Pacheco
Correiobraziliense.com.br

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Faculdades oferecem disciplinas para estimular criatividade e lógica


Para passar no vestibular, o estudante deve buscar uma resposta certa para cada questão. Quando entra na faculdade, porém, ele aprende que não existe uma única solução para cada problema.

Pelo menos é o que ensinam as disciplinas que têm como objetivo desenvolver o pensamento crítico, o raciocínio lógico e a criatividade, oferecidas por faculdades logo no início da graduação.

Os nomes das matérias --tão criativos quanto o comportamento pregado-- variam, mas todas pretendem mudar o modo de pensar.

A Faap implantou há dois anos no seu curso de administração a "Metodologia do Pensamento Produtivo". A principal fonte de inspiração é o livro "Pense Melhor", de Tim Hurson (Editora DVS), que usa animais para descrever barreiras ao pensamento.

A "mente de macaco", por exemplo, é a imagem da ausência de concentração. O "cérebro reptiliano" é o nome dado à reação impulsiva.

As analogias fazem sucesso entre os alunos. Denis Feitosa, 22, diz que as aulas o ajudaram a lidar melhor com as pessoas e a ser mais criativo. "Antes, era mais tímido."

Ensinar o aluno a tomar decisões baseadas na lógica é outra preocupação comum. Na Fecap, a disciplina "Lógica" pretende "desenvolver a capacidade de pensar, ler e escrever de forma crítica e logicamente sustentável", diz Luiz Guilherme Brom, superintendente da faculdade.

A Aiec oferece a disciplina "Processo Decisório e Criatividade" no primeiro semestre de seu curso de administração a distância, que recebeu nota máxima do Ministério da Educação.

"[A matéria] tira os bloqueios que a escola põe", diz Vicente Nogueira Filho, presidente da Aiec.

A visão é compartilhada por Carolina da Costa, coordenadora do Núcleo de Estudos da Dinâmica do Ensino e Aprendizagem do Insper, que ensina "Lógica e Ética". "O aluno chega com pouca tolerância à ambiguidade."

Base cultural

Na Ibmec do Rio, a disciplina "Pensamento Critico, Lógica e Argumentação" faz parte de um programa de formação de lideranças. Além de quatro matérias, o programa inclui visitas a ateliês e projetos sociais, além de encontros com líderes.

"Esse alargamento cultural tem o objetivo de trazer novas visões de mundo", diz Flávia Cavazotte, coordenadora do programa.

Para Jaime Pinsky, professor da Unicamp e diretor da Editora Contexto, as referências culturais são, de fato, a melhor maneira de estimular a criatividade.

Isso porque de nada adianta dar conselhos que caem no senso comum e não usar as disciplinas já existentes para desenvolver competências, afirma Nilson José Machado, professor da USP e autor de "Jogo e Projeto" (Editora Summus).

FABIANA REWALD
Folha.com.br

segunda-feira, 21 de junho de 2010

HQ sobre Aids, gravidez e homossexualidade será distribuído em escolas públicas

Uso de camisinha, preconceito contra homossexuais, uso de álcool e drogas e prevenção da gravidez são temas de uma série de HQs ilustradas por desenhistas da Marvel que serão distribuídas em escolas públicas que fazem parte do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE).

O lançamento ocorreu na terça-feira (15/06), com a presença do ministro da Saúde José Gomes Temporão e o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny.

Desenhistas renomados como o brasileiro Eddy Barrows, atual desenhista do Superman (DC Comics), ilustraram as revistinhas. Eddy já emprestou os traços para Lanterna Verde e Spawn. Ilustrações de Júlia Bax, Edh Muller e Yure Garfunkel também podem ser vistas nas HQs.

Um guia para utilização em sala de aula pelo professor e um CD-ROM complementar – com jogos, perfil dos ilustradores, wallpapers e idéias de aplicação do material em sala de aula – vão auxiliar nos debates.

Veja trechos e imagens das revistas aqui.

Criado em 2003, o SPE é uma iniciativa dos ministérios da Saúde e da Educação, com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O programa tem como objetivo desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de adolescentes e jovens por meio de atividades de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e da infecção pelo HIV. O programa envolve a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24 anos), professores, diretores de escolas, pais de alunos e gestores municipais e estaduais de saúde e educação.

Atualmente, o SPE tem grupos de trabalho integrados entre saúde e educação em aproximadamente 600 municípios.

Redação UOL Ciências e Saúde

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pesquisa comprova eficiência das cotas na UnB


Uma pesquisa que analisou o sistema de cotas antes e depois de ser implantando, no segundo semestre de 2004 na Universidade de Brasília, mostrou que comparado a outras políticas de acesso do negro ao ensino superior — que levam em consideração a renda familiar ou o histórico escolar — é o mais eficiente para promover a diversificação de raças dentro da universidade. O acesso à universidade representou também um incentivo à identidade racial, fazendo com que os candidatos e alunos assumam a identidade étnica com mais naturalidade. O estudo revelou ainda que, em relação ao desempenho escolar, a diferença nas notas dos cotistas e não cotistas é menor do que a verificada entre mulheres e homens.

A pesquisa foi iniciada há três anos pelos professores Maria Eduarda Tannuri-Pianto, do Departamento de Economia da UnB, e Andrew Francis, da Emory University, dos Estados Unidos. Os dados divulgados referem-se à primeira parte do estudo, que entrevistou, entre 2002 e 2005, 3 mil alunos cotistas e não cotistas, um universo que corresponde a 40% dos estudantes da UnB nesse período. Os professores pretendem acompanhar os universitários até o ingresso deles no mercado de trabalho. Dados pessoais e familiares foram levantados, mas as questões raciais foram mascaradas dentro dos questionários para fazer um mapeamento dos alunos sem interferências de comportamento e de oportunistas.

De acordo com Maria Eduarda, muitos dos alunos cotistas, de diferentes áreas de graduação, passariam no vestibular convencional porque estão acima das notas de corte do sistema universal. O desempenho deles na universidade, entretanto, é um pouco menor do que a de alunos que ingressaram pelo meio tradicional, mas no decorrer no curso, essa diferença é mitigada.

Em uma escala de zero a cinco, os cotistas têm desempenho 0.14 ponto inferior aos nãocotistas. “A diferença da média geral acumulada é menor do que a comparação entre homens e mulheres”, destacou ela. Se comparar o desempenho de cotista e não-cotista com a mesma nota de entrada no vestibular, a diferença é ainda menor. A diferença cai para 0,08 ponto numa escala de zero a cinco. A pesquisa não mostrou evidências de que houve aumento no esforço para passar pelo sistema de cotas, mas nem trouxe dados que comprovem a redução. “Isso mostra que eles não fizeram corpo mole porque tinham chance reais de passar”, diz a pesquisadora

Igualdade
O professor do Instituto de Artes e coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UnB Nelson Inocêncio afirma que o resultado preliminar da pesquisa mostra que a política de implantar as cota está correta. “O discurso de uma possível queda de qualidade do desempenho dos alunos caiu por terra”, diz. Para o professor, quem criticou as cotas raciais fizeram uma presunção negativa que não se confirmou. “É preciso investir mais nas políticas de diversidade. Não adianta afirmar, de maneira enganosa, que as oportunidades são as mesmas.”

Os alunos da UnB encararam o resultado da pesquisa como um confirmação do que eles já sabiam. Johnatan Reis, 20 anos, entrou para o curso de serviço social no ano passado por meio do sistema de cotas. “Quando a gente entra, a matéria e as aulas que temos são as mesmas dos não cotistas. Tenho que fazer o mesmo esforço para passar. O quanto estudei no ensino médio ou a minha nota no vestibular não interessam”, analisa. Para ele, apesar dos resultados equivalentes, os cotistas ainda são estigmatizados. “Muitas pessoas ainda pensam que a nota inferior no vestibular vai se perpetuar ao longo da vida acadêmica do cotista, o que a própria pesquisa desmente”, diz.

Johnatan acredita que o sistema de cotas continua sendo necessário como um mecanismo de inclusão social e racial. “Acho que as cotas são um incentivo para que o negro entre na universidade e para que a sociedade tenha mais profissionais negros. O impulso foi dado e daí para a frente, não importa a cor da pele de um aluno ou a forma pela qual ele entrou.”

Linikker Araújo Conrado, colega de turma de Johnatan, é contrário ao sistema de cotas raciais. Para ele, essa alternativa “nasceu caduca”. Mesmo sendo negro, ele ingressou na UnB pelo sistema universal e defende as cotas sociais, por entender que é um modelo mais abrangente, que beneficiaria um número maior de pessoas que não tiveram oportunidades. “A pesquisa prova que cor não faz a menor diferença”, afirma Linikker.

Pedro Paulo Mendes, 22 anos, estudante de engenharia de redes, compartilha do mesmo entendimento de Johnatan. “Vai mais da pessoa do que da raça. É uma questão de inteligência e de dedicação”, afirma. “Esse estudo mostra que os dois têm capacidades iguais. Mas acho que as cotas são fundamentais para a inclusão social. E, no futuro, haverá igualdade e elas não serão mais necessárias”, projeta.

Ariadne Sakkis

Luísa Medeiros

Correiobraziliense.com.br

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ONG argentina leva internet às montanhas em lombo de mulas

Levar o acesso à internet a todas as escolas, independentemente de onde estejam, é algo muito legal e que deve ser incentivado!

Um grupo de 23 escolas em uma área remota do norte da Argentina está beneficiando-se da iniciativa de pedagogos, médicos e especialistas em tecnologia que leva conexões de internet e computadores em lombo de mulas para escolas da região montanhosa.

O grupo faz parte da Fundação Aprendiendo Bajo la Cruz del Sur (Aprendendo Abaixo da Cruz do Sul) e a província beneficiada é a de Jujuy.
As escolas estão na região chamada Quebrada de Humahuaca, marcada pelo frio e clima seco, no norte do país.

Duas delas, as escolas Loma Larga e Alonso Mayo, estão a mais de 3 mil metros acima do nível do mar. Os animais foram a alternativa de transporte para estas instituições de ensino mais altas.

A iniciativa gerou a combinação do passado, no transporte com os animais, e o presente e futuro, com a internet.

A caminhada durou 14 horas até a Loma Larga e outras dez horas até a escola mais alta da montanha, a Alonso Mayo, a 4 mil metros acima do nível do mar, como contou a BBCBrasil a presidente da Fundação, a pedagoga, com especialização em novas tecnologias da educação, Claudia Gomez Costa.


"Por ter limitações locomotoras e porque uso apoios para caminhar, estive na base da montanha, na parte de acompanhamento e supervisão. Mas um médico, um engenheiro de sistema e um técnico em informática chegaram até esta última escola, no alto da montanha", contou.

A caravana durou, no total, mais de uma semana e contou com cinco mulas e seis burros, além da ajuda de moradores.

Esta ONG surgiu em 2004, como informou Costa, e instalou antenas em 75 instituições de ensino e parques em todo o país. As antenas de internet são instaladas em cada escola ou grupo de escolas.

Marcia Carmo
De Buenos Aires para a BBC Brasil

domingo, 16 de maio de 2010

Começam dia 17/05 as inscrições para o concurso Leio e Escrevo meu Futuro


São legais iniciativas que estimulam crianças e adolescentes a refletirem sobre suas cidades.

O momento já é de cultivar as ideias e arriscar as primeiras palavras. Afinal, com o edital do concurso de produção textual do Leio e Escrevo meu Futuro (1) em mãos, a ordem para os alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental é não perder tempo e se preparar nos próximos quatro meses até a realização da prova. Assim, agora é hora de iniciar os treinos, aprofundando a leitura e afinando o texto.

As inscrições são gratuitas e estão abertas até 13 de agosto. O concurso, realizado pelo Instituto Quadrix, terá como tema Repensar Brasília: como será a cidade daqui a 50 anos?. Entre as novidades, está a variedade de gêneros textuais que poderão ser trabalhados, como a carta pessoal, a carta do leitor e o artigo de opinião, tipologia escolhida em consonância com as orientações curriculares da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

Haverá 13 categorias de vencedores — entre as novas, está a de melhor escola. Simulados do concurso, postagens no hotsite do projeto, seminários e oficinas que ocorrerem durante o ano também somarão pontos para a conquista de prêmios.

Nessa edição, mil alunos ganharão bolsas de estudos, netbooks, viagens e celulares. Cíntia Reis Lopes, 13 anos, aluna do 7º ano, já pensa em ganhar um deles e ser destaque na escola. “Eu gostaria de ganhar porque, além de todo mundo perguntar a sensação, eu sei que uma vitória dessas abre várias oportunidades para o futuro”, diz a estudante do Centro de Ensino Fundamental 11 de Ceilândia.

Adesão
A escola teve sete vencedores na seleção de 2009, e a diretora Rosinei Maria Baptista de Oliveira já “contabiliza” os próximos ganhadores. “No ano passado, eu inscrevi todo mundo porque tem aluno que, por timidez, fica de fora. Se não tivesse sido assim, não teríamos esses ganhadores”, explica.

Expectativas como a de Cíntia e de Rosinei em relação ao concurso deste ano refletem o sucesso do projeto nas escolas. No ano passado, 199 participaram; em 2010, esse número subiu para 209. “As outras escolas que não são o público do projeto pedem para participar também”, conta Luciano Barbosa Ferreira, gerente de ensino fundamental da Secretaria de Educação do Distrito Federal.

“Estamos felizes porque estamos fortalecendo o futuro desses jovens, transformando-os em consumidores críticos de informação e do mundo que os cercam”, complementa Karla Senna, superintendente de Circulação do Correio.

Fique atento
» Inscrições: de 17 de maio a 13 de agosto, pelo diretor ou responsável da unidade de ensino, nos sites www.leioeescrevomeufuturo.com.br e www.quadrix.org.br

» Realização do concurso: 16 de setembro
» Divulgação dos resultados: 8 de novembro
» Premiação dos classificados: 26 de novembro

Tabela de prêmios
Alunos
1º lugar: bolsa de idiomas de dois anos, Playstation III, Netbook 10”
2º lugar: bolsa de idiomas de dois anos com material didático, Nintendo Wii
3º lugar: bolsa de idiomas de um ano, Xbox 360
4º lugar: bolsa de idiomas de um ano com material didático, PSP PlayStation Portátil
5º lugar: bolsa de idiomas de um ano e celular desbloqueado
6º ao 20º lugares: MP6
21º ao 50º: TV 7”
51º ao 100º: iPod Shuffle
101º a 180º: DVD Player
181º ao 200º: Luneta
201º ao 225º: Binóculos

Professores
1º lugar: viagem internacional de sete dias
2º lugar: viagem nacional de sete dias
3º lugar: viagem nacional de quatro dias

Coordenador local ou supervisor pedagógico
1º lugar: voucher premium em tratamentos zen e spa
2º lugar: filmadora
3º ao 8º lugares: netbook 10”

Diretor
1º lugar: filmadora
2º lugar: blu-ray player
3º ao 6º lugar: home theater

Coordenador intermediário
1º lugar: viagem nacional de quatro dias
2º lugar: filmadora
3º lugar: netbook 10”

Diretor de regional
1º lugar: filmadora
2º lugar: home theater

Melhor escola
1º lugar: 10 bolsas de estudos em cursos anuais de matemática e 25 computadores de mesa

Correiobraziliense.com.br
Publicação:
16/05/2010 08:44

terça-feira, 11 de maio de 2010

Universidades federais abrem inscrições para formar 6.700 pessoas em gestão de políticas públicas em gênero e raça

Um curso de formação que contribuirá diretamente para que 6.700 pessoas sejam mais atentas às questões de gênero e raça em nosso país. Imaginem a contribuição indireta desta ação... Isso é excelente!!

Curso gratuito será ministrado em 18 universidades federais das cinco regiões do País e atenderá pessoas de nível médio e superior. Inscrições já estão abertas na universidade do Pará.

Formar 6.700 gestores e gestoras para a condução das políticas públicas de gênero e raça. Esse é um dos objetivos do curso gratuito de formação em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça que será desenvolvido por 18 universidades federais das cinco regiões do País (lista completa abaixo), para pessoas de nível médio e superior. A iniciativa é resultado da parceria entre Ministério da Educação, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher - UNIFEM Brasil e Cone Sul, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA e Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – CLAM/UERJ.

O público-alvo é formado por servidoras e servidores dos três níveis da administração pública, integrantes dos Conselhos de Direitos da Mulher, dos Fóruns Intergovernamentais de Promoção da Igualdade Racial, dos Conselhos de Educação, gestores e gestoras das áreas de educação, saúde, trabalho, segurança e planejamento e dirigentes de organismos não governamentais ligados à temática de gênero e da igualdade etnicorracial.

O curso utiliza a plataforma da Universidade Aberta do Brasil, composto por um sistema integrado de universidades públicas através da metodologia da educação a distância com uso de ferramentas de aprendizagem e conteúdo ministrados pela internet. Estão programados de dois a três encontros presenciais.

A formação em gestão de políticas de gênero e raça é uma oportunidade para instrumentalizar gestores, interessados a ingressar na carreira de administração pública ou lideranças de ONGs para intervenção no processo de concepção, elaboração, implementação, monitoramento e avaliação dos programas e ações de forma a assegurar a transversalidade e a intersetorialidade de gênero e raça nas políticas públicas.

Formas de participação e conteúdo
São duas as modalidades de participação: Aperfeiçoamento, com carga horária total de 300 horas, para profissionais de nível médio; e de Especialização, com carga total de 380 horas, para profissionais de nível superior. Para a modalidade Especialização, ao final do curso, deverá ser apresentado um trabalho de conclusão de curso (TCC).

Os conteúdos estão divididos em seis módulos: Políticas Públicas e Promoção da Igualdade, Políticas Públicas e Gênero, Políticas Públicas e Raça, Estado e Sociedade e Gestão Pública. A coordenação e a definição de conteúdos são compartilhadas por pesquisadores e pesquisadoras de gênero e raça, entre os quais estão ativistas de mulheres, feministas e movimentos negro e de mulheres negras.

Inscrições abertas no Pará
As universidades federais de Minas Gerais e do Pará são as duas primeiras instituições a abrirem as inscrições. Na UFMG, foram disponibilizadas 500 vagas e o período de inscrições já se encerrou. A Universidade Federal do Pará recebe, até o dia 31 de maio, inscrições para as 300 vagas disponibilizadas para o curso. Conforme a coordenadora do curso na UFPA, Mônica Conrado, já foram preenchidas 200 vagas. Informações sobre dados e formulários de inscrição devem ser solicitados para a professora Mônica Conrado pelo e-mail mpconrado@uol.com.br.

Segundo as instituições organizadoras do curso, a expectativa é que durante o mês de junho as demais 16 universidades anunciem a abertura das inscrições. As universidades ofertam de 120 a 700 vagas, a depender do tamanho da turma definida pela coordenação do curso.10/05/2010

09h27 - Atualizado em 10/05/2010 09h33

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Projeto implantado na zona rural da Bahia e de Sergipe usa incentivo à leitura para estimular continuidade dos estudos de 25 mil crianças


Incentivo à leitura, ao fortalecimento da identidade, a atividades culturais, à educação ambiental, à melhoria da qualidade de vida e ao aumento pelo prazer de estudar: tudo isso é muito legal!

Um projeto na zona rural da Bahia e de Sergipe encontrou um modo diferente de combater a evasão escolar, o trabalho infantil e o analfabetismo: a distribuição de 50 mil livros, que circulam em baús de sisal por escolas de 151 municípios. A ideia é, a partir do estímulo à leitura, da discussão de temas ligados às histórias e do treinamento de professores, incentivar as crianças a permanecer na nos bancos escolares.

A iniciativa, que atende 25 mil estudantes de 1.100 classes em mais de 300 escolas municipais, chama-se Baú de Leitura e foi idealizada pelo Movimento de Organização Comunitária, de Feira de Santana (BA). O projeto foi um dos 20 ganhadores do Prêmio ODM Brasil 2009, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou as práticas de organizações sociais e prefeituras que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O projeto venceu pelos Objetivos 2 (educação básica para todos), 7 (qualidade de vida e respeito ao meio ambiente) e 8 (todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento).

A coordenadora do Baú de Leitura, Vera Carneiro, explica que os baús são caixas de sisal que contêm 45 livros de histórias infanto-juvenis para jovens de 6 a 16 anos. As 1.100 caixas são itinerantes dentro dos 111 municípios da Bahia e dos 40 em Sergipe, de modo que os estudantes possam ler uma maior diversidade de obras.

As histórias lidas pelos estudantes servem de mote para professores e crianças debaterem identidade, meio ambiente e cidadania. “Para o trabalho acontecer nas salas de aula, os professores participam de um processo de formação e sensibilização. O projeto constrói leitores, tanto crianças e adolescentes quanto educadores, através das histórias lidas, contadas e discutidas”, afirma Vera. “Após a leitura, trabalham-se as diversas dimensões artísticas e criativas, proporcionando o desenvolvemos das pessoas, o fortalecimento de sua identidade, o exercício da cidadania e a busca por melhor qualidade de vida. Através do mundo imaginário das histórias infantis, as crianças criam novas possibilidades para suas vidas.”

As escolas rurais foram o foco escolhido pois nessas instituições o acesso a livros e bibliotecas é mais difícil. De qualquer modo, para a escola participar do projeto, diz Vera, é preciso que o professor responsável goste de ler e queira desenvolver o gosto pela leitura nas crianças e adolescentes.

Com apoio das prefeituras, os docentes das escolas rurais são treinados para usar o material e integrar as atividades de leitura, realizadas no horário de aula uma vez por semana, e a comunidade. “A metodologia do Baú de Leitura é participativa, envolve a família e a comunidade. As crianças leem histórias para suas famílias, apresentam as histórias e o que elas produziram a partir das histórias. Ao ler ‘O Homem que Espalhou o Deserto’, por exemplo, elas refletem sobre como está o meio ambiente da comunidade, se há queimadas e desmatamento no preparo da terra”, conta Vera.

Para incentivar as crianças a permanecerem na escola, a estratégia é mostrar-lhes uma melhor perspectiva de vida através da educação. “O projeto contribui para que as crianças não voltem ao trabalho precoce, fazendo com que a escola seja um ambiente mais prazeroso. Através do Baú de Leitura, elas encontram novas formas de viver, formando grupos de teatro, poesia, dança e outras expressões artísticas”, diz a coordenadora. “Buscamos envolver as crianças nesse espírito para que elas percebam que os estudos são mais importantes que a bolsa paga pelo governo ou o pouco rendimento [financeiro] do trabalho precoce.”

BRUNA BUZZO
da PrimaPagina
Feira de Santana, 28/04/2010