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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Amamentação parcial não traz imunidade igual à integral, diz estudo

Bebês alimentados exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade ganham proteção extra contra infecções, dizem cientistas gregos.

O efeito observado independe de fatores como acesso à saúde e programas de vacinação, eles explicam.

Segundo os especialistas da Universidade de Creta, o segredo estaria na composição do leite materno.

As conclusões do estudo, que envolveu pouco mais de 900 bebês vacinados, foram publicadas na revista científica Archives of Diseases in Childhood.

A equipe ressalta, no entanto, que o benefício só ocorre quando o bebê é alimentado com leite da mãe apenas. Ou seja, acrescentar fórmulas ao leite materno não produz o mesmo efeito.

Especialistas em todo o mundo já recomendam que bebês sejam alimentados somente com leite materno pelo menos durante os seis primeiros meses de vida.

ESTUDO
Os pesquisadores gregos monitoraram a saúde de 926 bebês durante 12 meses, registrando quaisquer infecções ocorridas em seu primeiro ano de vida.

Entre as infecções registradas estavam doenças respiratórias, do ouvido e candidíase oral (sapinho).

Os recém-nascidos receberam todas as vacinas de rotina e tinham acesso a tratamentos de saúde de alto nível.
Quase dois terços das mães amamentaram seus filhos durante o primeiro mês, mas o número caiu para menos de um quinto (menos de 20%) seis meses depois.

Apenas 91 bebês foram alimentados exclusivamente com o leite da mãe durante os seis primeiros meses.

Os pesquisadores constataram que esse grupo apresentou menos infecções comuns durante seu primeiro ano de vida do que os bebês que foram parcialmente amamentados ou não amamentados.

E as infecções que os bebês contraíram foram menos severas, mesmo levando-se em conta outros fatores que podem influenciar os riscos de infecção, como número de irmãos e exposição à fumaça de cigarro.

O pesquisador Emmanouil Galanakis e sua equipe disseram que a composição do leite materno explica os resultados do estudo.

O leite materno contém anticorpos recebidos da mãe, assim como outros fatores imunológicos e nutricionais que ajudam o bebê a se defender de infecções.

"As mães deveriam ser avisadas pelos profissionais de saúde de que, em adição a outros benefícios, a amamentação exclusiva ajuda a prevenir infrecções em bebês e diminui a frequência e severidade das infecções", os especialistas dizem.

DA BBC BRASIL
Folha.com.br

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cadê a pipa que estava aqui?


Filhos crescem e viram pais, que, por sua vez, amadurecem e viram avôs. É o ciclo da vida, uma das poucas coisas imutáveis de um universo em constante atualização. De uma ponta a outra da história, lá se vão quatro, cinco, seis décadas de memórias. O menino que antes brincava de pião no quintal de casa hoje assiste à nova geração passar ilesa por uma noitada cibernética, assistindo a animações futurísticas na internet e batendo papo em tempo real com colegas do outro lado do planeta. Pouco se veem meninos travessos correndo pelas ruas e enroscando suas pipas em árvores. A coleção de carrinhos de madeira deu lugar aos videogames de última geração. Para que sair de casa para brincar quando se pode fazer gols de craque do sofá da sala? Ficou perigoso lá fora, ficou solitário também. Todas as molecagens do mundo agora cabem no quarto.

Os filhos já não são mais os mesmos. Contra isso, não há argumento. Mas, e os pais? Acompanharam a revolução que veio a reboque da tecnologia e da saída da mãe para o mercado e trabalho? Os novos tempos impõem novos desafios para a educação. Se, antes, malcriação se resolvia à base da palmada e se o papel do pai era, principalmente, o de reprimir, hoje é preciso jogo de cintura, dizem os especialistas. “Se o pai de hoje aprendeu apanhando do pai de ontem, não quer dizer que seus filhos precisem disso. É como se ele dissesse: ‘eu, quando era criança, andei de bonde e, por isso, você vai ter que andar também’. Não faz mais sentido”, sentencia o psiquiatra especialista em educação Içami Tiba, autor de livros como Família de alta performance e Seja feliz, meu filho. “Muitos pais não acompanharam as mudanças e, aí, a história do ‘me respeita que eu sou seu pai’ não resolve porque ele não soube impor o respeito da maneira certa, na base da conversa e da educação”, complementa.

Mas também é certo que os pais estão mais afetivos. “Eles participam mais da vida dos filhos, querem saber mais da sua intimidade, da rotina. Essa aproximação é saudável e é desejada. O que não pode é ser aquele pai que deixa tudo, porque esse acaba não se comprometendo”, analisa o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, especialista em paternidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. O maior desafio parece ser descobrir o complicado meio-termo entre participar, ser amigo e impor limites e respeito. Aqui, a Revista mostra cinco exemplos, de diferentes gerações, que deram certo.

Quando o corretor de vendas Weber Rios, 39 anos, começa a contar da infância no Cruzeiro, a história que se ouve é semelhante a de todos os que foram moleques na mesma época. O parque de diversões era a rua de casa, um imenso convite para a imaginação correr solta. Na rua, ele soltava pipa, brincava de bolinha de gude, de pneu e fazia o melhor carrinho de rolimã entre a molecada, tanto que até vendia o brinquedo para os amigos. Passadas três décadas, Weber ainda brinca. A diversão, agora compartilhada com o filho, o pequeno Cauan, 6, tem mais a ver com manobras radicais sobre um skate, gols dignos de craque no futebol e ultrapassagens arriscadas numa corrida de carros para lá de possantes. Mas, calma lá. Weber não faz o tipo maluco de pai. As aventuras das quais participa com o filho ocorrem por trás de uma tela de TV. Tudo virtual – e muito seguro, a princípio. E adivinha quem leva a melhor? “Eu!”, responde, ligeiro, Cauan. “Mentiroso!”, emenda o pai. “No futebol, ele ganha, mas na corrida de carros, eu ganho”, defende-se.

Cauan já nasceu na era do videogame. Tinha só quatro anos quando ganhou o seu brinquedo de controle remoto e, desde então, não tem para ninguém na caixa de brinquedos. Enjoou dos carrinhos, dos jogos de montar e dos bonecos de super-heróis. “Já tive bolinha de gude, mas nem sei mais cadê”, confessa o garoto. Com a pipa, ele também não demonstra lá muita intimidade.
Enquanto o pai preparava uma rabiola para a pipa, o menino só olhava, sem muita curiosidade. “Já soltei pipa uma vez, mas faz tempo, nem lembro mais!”, conta.

Para Weber, o jeito foi mesmo se adaptar. Guardar na lembrança o Popeye, o marinheiro atrapalhado que se transforma em super-herói com uma lata de espinafre, e se distrair com o ogro Shrek e com os atrapalhados Pinguins de Madagascar, desenho animado produzido com tecnologia de alta performance. “Gosto desses desenhos novos também. Me divirto com ele”, confessa o pai.

Além das brincadeiras, muita coisa mudou nesses 30 anos que separam as infâncias de pai e filho. A revolução mais importante, na verdade, independe de época e de tecnologia: Weber cresceu e trocou o papel de filho traquina pelo de pai responsável. A habilidade de fazer o próprio carrinho de rolimã deu lugar a uma performance que inclui trocar fraldas, ajudar em casa e fazer aviõezinhos boca adentro. Sinal dos tempos que exigem um paizão por perto, do tipo que dá o primeiro banho. Coube a ele largar o emprego, já que a mãe tinha uma jornada intensa, e hoje trabalhar num esquema que o permita ficar o máximo possível com o filho. “Nunca tive uma relação muito afetiva com meu pai. Ele trabalhava muito, a gente se via pouco e conversava menos ainda. Vou ser amigo do meu filho, com certeza”, justifica Weber. “Mas quero passar para o meu filho a religião, que aprendi a seguir com meus pais”, pondera.

Sentado no sofá da sala e rodeado pelos quatro filhos, Esdras, 29 anos, Luciana, 26, e as gêmeas Larissa e Anelisa, 22, o professor de matemática Nilton Silva, 61, é o retrato de um pai que tem consciência de que fez o melhor pelas crias. Nessa família, comparar a juventude das duas gerações é tarefa quase impossível. “Eu não tive infância nem adolescência. Comecei a trabalhar na roça aos 12 anos. Para eles, fiz de tudo para que tivessem o que eu não tive”, resume Nilton. Nascido e criado em Carmo do Paranaíba, no interior de Minas Gerais, Nilton é o segundo de oito irmãos. Com tanta boca para alimentar, brincar nunca foi exatamente uma prioridade em casa. “Não tinha tempo”, diz. Aliás, nem para brincar, nem para estudar. Quando começou o ginasial (atualmente 5ª a 8ª série do ensino fundamental), Nilton já tinha 18 anos.

Os poucos brinquedos que tinha em casa foram feitos por ele e pelos irmãos. Aprendeu com o pai, marceneiro, a fazer caminhõezinhos de madeira. A criação foi rígida. “Ele era muito autoritário. Acho que porque meu avô era assim e ele quis dar para a gente a criação que teve”, supõe. Para os filhos, Nilton relaxou, mas não faltou limite. O mais velho, Esdras, é o único homem. “Fiquei melhor que ele com a bola!”, provoca o primogênito, que nasceu exatamente num Dia dos Pais. “Quando ele nasceu, eu já pensava numa criação diferente, mas sempre soube exigir, estabelecer regras e limites”, avalia.

Além do time do coração – todo mundo por ali aprendeu a torcer pelo Corinthians – Esdras diz que herdou do pai o jeito de brigar. “Minha mulher fala que eu grito como ele”. Verdade? “Se ela está falando, é porque deve ser!”, responde o pai. A admiração pelo pai levou Esdras, hoje formado em administração, a prestar vestibular para engenharia, só para satisfazer um desejo antigo do pai. “Eu queria ser engenheiro civil e não consegui. Fui fazer matemática porque era um pouco parecido nas exatas. E aí ele prestou engenharia para me agradar. Mas eu disse para ele fazer o que quisesse. Se nem eu fui engenheiro…”, conta Nilton. Esdras não discorda do pai. Afinal, pai tem sempre razão.

Três anos depois de que Esdras nasceu, chegou Luciana. Um casal já parecia ótimo. “Criar menina é muito diferente e a Luciana não era tranquila que nem o Esdras, puxou a minha teimosia”, pondera o pai, diante da filha, envergonhada. As brincadeiras de boneca ficavam mais para a mãe, porque ela “entendia melhor dessas coisas”. As caçulas, as gêmeas Larissa e Anelisa, foram um susto. “A gente queria um terceiro filho, mas só descobrimos que eram gêmeas na hora do parto”, conta Nilton, que chegou a sonhar, na noite anterior ao parto, que a mulher daria à luz duas meninas. “Contei o sonho pra ela. Quando a enfermeira pediu para eu ir conhecer as minhas filhas, fiquei assustado. Falei ‘como assim filhas?’”, recorda-se.

Esdras é servidor público, Luciana é farmacêutica e as gêmeas, que seguiram a irmã mais velha na escolha da profissão, também estão para pegar o diploma. Não tiveram que dividir o quarto com tantos irmãos como pai, nem parar os estudos para ir trabalhar na roça. Muito menos tremeram de medo diante de um pai que educava com mão de ferro. Nilton é conselheiro de todos eles. Do dinheiro para o cinema à opinião sobre uma decisão importante, tudo passa por ele. “A paternidade foi uma bênção de Deus. Não foi difícil educá-los. Acho que consegui dar aos meus filhos um bom direcionamento. A sensação é de dever cumprido”, conclui, enquanto os filhos seguram as lágrimas.

Carolina Samorano
Correiobraziliense.com.br

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Projeto deve proibir que pais usem "palmadas" para castigar filhos

Palmadas, beliscões e outros castigos físicos aplicados a crianças e adolescentes poderão ficar proibidos, caso seja aprovado um projeto de lei a ser encaminhado nesta quarta-feira ao Congresso Nacional.

A proposta inclui "castigo corporal" e "tratamento cruel e degradante" como violações dos direitos na infância e adolescência. Hoje, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) fala em "maus tratos", mas não especifica os tipos de castigo que não podem ser usados por pais, mães e responsáveis.

O governo diz que, com isso, quer acabar com a banalização da violência dentro de casa, de onde sai boa parte das denúncias.

"Nossa preocupação não é com a palmada. Nossa preocupação é com as palmadas reiteradas, e a tendência de que a palmada evolua para surras, queimaduras, fraturas, ameaças de morte", disse subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, da Secretaria de Direitos Humanos.

Para Carmen Oliveira, o Brasil deve cumprir a recomendação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que orientou a "adoção de medidas legislativas que proíbam de forma explícita o castigo corporal contra crianças e adolescentes".

A proposta traz as mesmas penas já previstas no ECA para pais, mães e cuidadores de crianças e adolescentes. No caso das palmadas, as medidas vão desde encaminhamento a programas de proteção à família e tratamento psicológico a advertência e até perda da guarda.

O castigo corporal poderá ser denunciado por pessoas que convivem com a família, como vizinhos e parentes, ao conselho tutelar.

O projeto propõe campanhas permanentes de conscientização dos pais e o ensino dos direitos humanos no currículo escolar.

A proposta foi levada ao governo pela rede "Não bata, eduque", que reúne ONGs e entidades que defendem os direitos de crianças e jovens. Para Angélica Goulart, uma das articuladoras do movimento, é preciso acabar com a "cultura das palmadas".

"É importante que pais e mães não banalizem mais esse comportamento, que prejudica o desenvolvimento das crianças. Há outras formas de educar", afirmou.

LARISSA GUIMARÃES
Folha.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Aprovada proibição de produtos infantis em forma de cigarro

Da Agência Senado - Qualquer produto nacional ou importado destinado ao público infanto-juvenil - inclusive embalagens - que reproduza a forma de cigarros e similares poderá ter a fabricação, comercialização, distribuição e propaganda proibidas no Brasil. É o que prevê projeto de lei da Câmara (PLC 17/10) aprovado nesta quarta-feira (23) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A matéria será votada ainda pelas Comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta em decisão terminativa.

Pela proposta, quem não cumprir essa determinação poderá ter o produto apreendido ou arcar com uma multa de R$ 10 por embalagem apreendida - valor a ser corrigido anualmente pela variação do índice nacional de preços. A multa poderá ter seu valor duplicado em caso de reincidência.

O PLC 17/10 foi apresentado pelo então deputado Clodovil Hernandes e aprovado pela Câmara na forma de substitutivo. O objetivo, segundo ressaltou seu autor na justificação, é "proteger as crianças contra a exposição de qualquer tipo de produto, seja ele brinquedo ou alimento, que reproduza a forma de cigarro".

O relator na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), observou no parecer que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou, em 2002, resolução que "proíbe a produção, importação, comercialização, propaganda e distribuição de alimentos com forma de apresentação semelhante a cigarro, charuto, cigarrilha ou qualquer outro produto fumígeno, derivado do tabaco ou não". Flexa entendeu, no entanto, que o projeto tem maior abrangência que a resolução da Anvisa, por alcançar qualquer produto ou embalagem que contenha a forma de cigarros ou similares.

O senador Augusto Botelho (PT-RR) também elogiou a proposta, mas reivindicou o mesmo rigor em relação a bebidas alcoólicas. Segundo comentou, o Ministério da Saúde já comprovou a redução no número de fumantes em decorrência das restrições à propaganda de cigarros. Mas lamentou que isso não tenha ocorrido em relação a bebidas alcoólicas, apontando a influência da propaganda desse produto principalmente entre os jovens.

Por Simone Franco e Valéria Castanho, da Agência Senado

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mortalidade infantil no Brasil cai 61% em 20 anos, diz estudo


Este resultado é muito legal!! Sempre é possível melhorar, mas é preciso reconhecer os avanços.

A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% entre 1990 e 2010 - de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 para 19,88/mil em 2010 -, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista médica The Lancet.

O Brasil subiu nove posições no ranking internacional de mortalidade infantil nas últimas duas décadas e estaria a caminho de cumprir uma das metas do Milênio da ONU: diminuir a mortalidade infantil em dois terços até 2015.

A mortalidade infantil caiu no Brasil a uma taxa anual de 4,8% de 1970 a 2010. A ONU estima que seria necessário um índice de redução anual médio de 4,4% entre 1990 e 2015 para o cumprimento da meta, mas a média anual de redução registrada na análise de 187 países foi de 2,1%.

Futuro promissor
O estudo ainda mostra que o maior progresso foi visto entre os países pobres - nas Ilhas Maldivas a taxa de redução anual média foi de 9,2%, a mais alta entre os 187 países analisados entre os anos de 1970 e 2010. A taxa de mortalidade infantil no país caiu de 247,06 mortes a cada mil nascimentos vivos para 14 crianças em 2010.

Segundo o estudo, o progresso é promissor. Em 1970, havia 40 países com taxa de mortalidade mais alta do que 200 mortes a cada mil nascimentos vivos. Em 1990 este número havia caído para 12 países e em 2010 não há nenhum país com índices tão altos.

O ritmo de declínio também aumentou em 13 regiões do mundo no período de 2000 a 2010, em comparação com 1990 a 2000, inclusive todas as regiões da África sub-saariana.

BBC Brasil, no UOL notícias.